Comissão do Mercosul ouve demandas dos migrantes venezuelanos | Fábio Campana

Comissão do Mercosul ouve demandas dos migrantes venezuelanos

Presidido pela deputada Maria Victoria, o grupo se reuniu na manhã desta terça-feira (23) na Assembleia Legislativa e discutiu soluções para as pessoas que fogem da crise no país vizinho e chegam ao Paraná

A Venezuela atravessa uma das maiores crises político-econômicas de sua História, com sérios problemas de abastecimento e falta de acesso a produtos e serviços básicos. A situação se agrava a cada dia, resultando na restrição de garantias fundamentais, perseguição a opositores do governo, repressão, violência, desrespeito aos direitos humanos e à Constituição, fome e miséria. Segundo relatos de cidadãos que fugiram para o Brasil, o país vizinho estaria à beira de uma tragédia humanitária e possivelmente até de uma guerra civil.

Tudo isso tem provocado uma verdadeira diáspora no país. No ano passado, só o estado de Roraima calcula ter recebido mais de 30 mil venezuelanos. No Paraná viveriam cerca de 950 – sendo um terço disso em Curitiba –, conforme levantamento informal feito com grupos de migrantes nas redes sociais. Muitos desses migrantes são trabalhadores qualificados, mas mesmo esses enfrentam muitas barreiras para retomar a vida no Brasil.

Sensível ao tema, a Comissão do Mercosul da Assembleia Legislativa convidou representantes da comunidade venezuelana em Curitiba para conhecer suas histórias, entender melhor a questão e discutir soluções para a causa.

Há um ano no Brasil, a advogada Jossie Stefany foi uma das convidadas. “Meu país vive uma crise humanitária, inclusive já foi enviada uma carta declaratória à ONU e à OEA. Temos casos graves de desnutrição, há 3 milhões de venezuelanos procurando comida no lixo”, relatou. “Fomos forçados a sair do nosso país, porque lá não há mais nenhuma qualidade de vida. Faltam medicamentos, comida, produtos de limpeza e higiene e aqueles que ainda têm alguma coisa são assaltados a poucos passos de casa.”

“No ano passado mais de 11 mil crianças morreram no nosso país, e a ministra da Saúde, Antonieta Caporale, foi demitida por divulgar esses dados”, informou o tecnólogo em mecânica Franchi Torres Fidias, que desde dezembro mora em Curitiba. Desempregado, ele tem feito bicos restaurando e colorizando fotos antigas. E resumiu o que poderia ser feito para facilitar a vida dos migrantes venezuelanos: “Em primeiro lugar, que houvesse o reconhecimento dos nossos diplomas, para que pudéssemos exercer nossas atividades; também gostaríamos de ter mais acesso ao ensino da Língua Portuguesa. O Centro de Línguas (Celin) da UFPR, por exemplo, oferece aulas grátis para refugiados haitianos e sírios, mas não para os venezuelanos; um centro de acolhimento, com ajuda psicológica àqueles que entram em depressão, também seria importante; maior facilidade para tirar documentos e a possibilidade de os migrantes se inscreverem no MEI – Microempreendedor Individual, para que possamos começar pequenos negócios”.

Balanço

Presidente da Comissão do Mercosul, a deputada Maria Victoria fez um balanço do encontro: “Foi uma reunião bastante produtiva, em que tivemos a oportunidade de conhecer a realidade dos venezuelanos no Paraná, entender como eles estão sendo tratados e ouvi-los. Agora vamos encaminhar suas demandas e tentar solucioná-las na medida do possível. E conforme sugestão do deputado Evandro Araújo (PSC), vamos convidar um representante da comunidade para falar em breve no Grande Expediente, diante de todos os deputados”, concluiu.


5 comentários

  1. Do Interior...
    quarta-feira, 24 de maio de 2017 – 8:30 hs

    Requião e os deputados do PT deveriam fazer parte disso, já que vêem na Venezuela um exemplo de democracia.

  2. Denner Rogers
    quarta-feira, 24 de maio de 2017 – 8:30 hs

    Mas o socialismo não é o paraíso na terra? Esse tal de socialismo só é bonito na teoria, porque na prática não funciona. Acaba virando ditadura.

  3. quarta-feira, 24 de maio de 2017 – 8:44 hs

    O que diz o Requião? Não era na Venezuela que ele dizia que tinha Democracia até demais, fazendo côro com Lula? Agora o Requião está na Italia passeando com nosso dinheiro, devia ajudar esse povo que sofre. Vá lá Requião ajude-os porque eles precisam!

  4. Daniel Fernandes
    quarta-feira, 24 de maio de 2017 – 9:09 hs

    Pois é!
    No futuro, gostaria de saber que país estará ouvindo os migrantes brasileiros….

  5. QUESTIONADOR
    quarta-feira, 24 de maio de 2017 – 13:35 hs

    -Não há como esses migrantes conseguirem seus direitos no Brasil.
    -Nosso País está atravessando uma grave crise econômica e possuímos milhões de desempregados que, assim como os venezuelanos, são altamente qualificados. Nosso governo não pode conceder asilo políticos para que estes mesmos, venezuelanos recebam o que falta para os brasileiros.
    -Agora o Brasil está “sofrendo na carne” o que passa muito país europeu obrigado a receber refugiados do oriente médio mediante a pressão da União Europeia sem ter condições financeiras e de segurança para custeá-los.
    -Seria importante termos mais vigilância nas fronteiras e adotar medidas severas para impor um limite de migrantes em nosso País. Não há como atender todo mundo de forma satisfatória.
    -Prestem atenção para a Venezuela, que outrora era um dos países mais promissores da América do Sul, hoje está falido. Fruto de tantas políticas aventureiras e populistas. A concessão em demasia de políticas sociais e a estatização da indústria do petróleo acabaram com a Venezuela. Onde está o Requião para defender o bolivarismo do Nicolas Maduro. Não era o melhor regime para o Brasil??? Hipócritas!!!

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