As badernas de Brasília | Fábio Campana

As badernas de Brasília

Elio Gaspari, O Globo

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, teve toda razão quando disse que havia uma “baderna” na Esplanada dos Ministérios, com a vandalização de prédios públicos. Infelizmente, não era a única. Era a mais visível e predatória, mas nem era a mais perigosa.

A baderna de um governo sitiado foi pior, indicando que o palácio de Temer começa a funcionar com a lógica do bunker. Isso aconteceu com o de Dilma e deu no que deu.

O maior bunker de todos os tempos foi o de Hitler. Em maio de 1945, com os russos a poucos quarteirões, a cúpula nazista lutava pelo poder até que Martin Bormann triunfou, recebeu o testamento do Fuhrer e foi para a rua. Andou um pouco e tomou um tiro.

Na tarde de quarta-feira o presidente Michel Temer assinou um decreto autorizando o uso das Forças Armadas para manter a ordem na capital. Jungmann disse que a medida havia sido pedida pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Falso, retrucou Maia.

Ele pedira o uso da Força Nacional de Segurança. Baderna nº 1, o Legislativo pede uma coisa, e o Executivo entrega outra. Jungmann explicou que chamara a tropa do Exército porque só havia 150 homens da Força Nacional em Brasília. Baderna nº 2, não havia a tropa específica na capital, apesar da tensão em que estava o país.

Jungmann disse que botou a tropa na rua porque a Polícia Militar de Brasília perdeu o controle da situação diante da ação de mascarados. Eram 250. Baderna nº 3, pois o efetivo da PM é de 13 mil homens, a capital tem um dos melhores índices de policiamento, a Esplanada dos Ministérios é a vitrine da cidade, e o governador não foi consultado.

No dia seguinte o decreto foi revogado.

Em março de 2016, quando o deputado Raul Jungmann estava na oposição a Dilma Rousseff e integrava o “estado-maior informal do impeachment” ele comentou as informações de que havia conversas de militares com políticos, advertindo que “se a política não resolver a crise, a crise vai resolver a política”. Sabe-se lá o que isso queria dizer.

Sempre que se mexe com tropa, vale a pena lembrar o que disse o marechal Castelo Branco em agosto de 1964. Ele reclamava dos civis a quem chamava de “vivandeiras alvoroçadas [que] vêm aos bivaques bulir com os granadeiros e provocar extravagâncias do poder militar”.


5 comentários

  1. DURA NA QUEDA
    segunda-feira, 29 de maio de 2017 – 21:48 hs

    Está na hora do Temer sair. Se ficar vai ser uma grande pena mesmo para o Brasil. Uma demonstração de falta de força do povo em ser ouvido pelos seus representantes “licitamente” eleitos. É isso aí.

  2. Sergio Silvestre
    segunda-feira, 29 de maio de 2017 – 22:07 hs

    RSRSRSR ISSO PARECE O “DANUBIO AZUL” FAMOSA ZONA DE LONDRINA QUE SE FOSSE NA ÉPOCA A DONA SERIA A JOICE.

  3. Juca
    terça-feira, 30 de maio de 2017 – 5:26 hs

    De zona, sem dúvida essa turma do PT entende mesmo! A zona está no sangue dela pois a maioria dos militontos foi gerada lá!

  4. BETO
    terça-feira, 30 de maio de 2017 – 12:37 hs

    Sergio Silvestre

    Faz tempo, muito tempo que o Brasil se transformou em um prostíbulo. Desde que o PT assumiu o poder.

    LULA, CÂNCER DO BRASIL

  5. Sergio Silvestre
    terça-feira, 30 de maio de 2017 – 13:30 hs

    Beto ,faz tempo tinha aqui no Blog do Campana um sujeito que posyava 20 comentarios todo dia dizendo no fina,Cancer do Brasil.
    Coitado,morreu com um cancer na garganta,talvez de tanto falar esses nome.

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