41ª fase da Lava-Jato | Fábio Campana

41ª fase da Lava-Jato

O Globo

Agentes da Polícia Federal (PF) estão nas ruas do Rio para cumprir mandados de prisão e condução coercitiva nos bairros de São Conrado e Barra da Tijuca. Trata-se da 41ª fase da Operação Java-Jato denominada “Poço Seco”. Além do Rio, são cumpridas ordens judiciais determinadas pelo juiz Sergio Moro no Distrito Federal e São Paulo.

A ação policial tem como alvo principal a investigação de complexas operações financeiras realizadas a partir da aquisição pela Petrobras de direitos de exploração de petróleo em Benin (África), com o objetivo de disponibilizar recursos para o pagamento de vantagens indevidas a ex-gerente da área de negócios internacionais da empresa.

Os investigados responderão pela prática dos crimes de corrupção, fraude em licitações, evasão de divisas, lavagem de dinheiro dentre outros. Os presos serão trazidos para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

Segundo a TV Globo, um dos alvos no Rio seria a filha de Jorge Luz, Fernanda Luz. Ele e o filho dele Bruno Luz foram alvos da 38ª fase da Lava-Jato, em fevereiro.

De acordo com as investigações, Jorge e Bruno teriam movimentado US$ 40 milhões em propina agindo como intermediários de agentes públicos e políticos, a maioria senadores.

Jorge aparece na Lava-Jato como um dos mais antigos e importantes operadores do PMDB no esquema de cobrança de propina, com a ajuda do filho. Ele teria atuação na Petrobras desde os anos 1980.

O ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e os lobistas Fernando Baiano e Milton Pascowitch prestam depoimento nesta sexta-feira a Moro em audiência na Justiça Federal de Curitiba. Os três delatores serão ouvidos na condição de testemunhas de acusação na ação penal que apura se houve pagamento de propina a Jorge Luz e seu filho, Bruno Luz, no esquema de corrupção da Petrobras.

Foram expedidos, no total, 13 mandados judiciais: oito de busca e apreensão, um de prisão preventiva, um de prisão temporária e três de condução coercitiva.

O nome “Poço Seco” é uma referência aos resultados negativos do investimento realizado pela Petrobras na aquisição de direitos de exploração de poços de petróleo na África.

CUNHA E BENIN: POÇO SECO

Preso em Curitiba, o ex-deputado Eduardo Cunha é acusado de ter recebido US$ 1,5 milhão em propina pela compra, pela Petrobras, de área de exploração em Benin, na África. O negócio teria rendido pouco mais de US$ 10 milhões em propinas e US$ 7,8 milhões ainda não foram rastreados. Eduardo Cunha segue preso no complexo médico penal de Curitiba.

A compra de operações de um campo de petróleo no Benin se mostrou um péssimo negócio para a Petrobras, de acordo com fontes familiarizadas com o negócio. A operação está na origem do pagamento de propina a Cunha e ao lobista João Augusto Rezende Henriques.

Em 2011, a Petrobras pagou US$ 34,5 milhões por 50% do chamado Bloco 4 — uma área de 7,4 mil quilômetros quadrados, localizada a 60 quilômetros da costa e com profundidade de até 3.200 metros — da Companie Beninoise des Hydrocarbures Sarl (CBH), controlada pelo Lusitania Group, do empresário português Idalécio de Oliveira. Na ocasião, a Petrobras era comandada por José Sérgio Gabrielli. A área internacional estava a cargo de Jorge Luiz Zelada. Ambos deixaram a companhia em 2012.

Depois que a Petrobras realizou o pagamento pela operação, o Lusitania repassou em maio de 2011 US$ 10 milhões para uma empresa de Henriques como “taxa de sucesso” pelo negócio.


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