O câncer e a vida | Fábio Campana

O câncer e a vida

Artigo de Ademar Traiano

Perdi minha mulher para o câncer há 28 anos, quando ela tinha apenas 36 anos. Além do sofrimento da perda, precisei conciliar a atividade política com a criação de três filhos pequenos. Fui auxiliado por pessoas maravilhosas e tenho uma família feliz. Me tornei um ativista na prevenção e no tratamento dessa doença.

Naquele tempo os recursos da medicina para combater o câncer eram muito mais limitados. Hoje, todos os tipos de câncer são curáveis se descobertos a tempo, e mesmo os que são identificados em estágio avançado, respondem a medicações modernas que, se não trazem a cura, podem resultar em uma sobrevida de anos, o que é uma diferença fundamental para as doentes e suas famílias.

Promovi uma audiência pública sobre o câncer de mama metastático, que é o estágio mais avançado da doença, na Assembleia Legislativa do Paraná na última terça-feira, 25. Ouvimos mulheres portadoras do câncer relatando dramas pessoais e seis associações de apoio relatando esforços, abnegados e heroicos, na prevenção e apoio das doentes.

O grande problema é que os medicamentos, modernos e eficazes, são muito caros e a maioria das pessoas não tem condições de banca-los. O debate travado na Assembleia foi em torno das medidas para que o governo assuma esse tratamento. É uma questão complexa, mas que precisa ser enfrentada com coragem.

Depois da audiência levei esse grupo de mulheres para um encontro com o governador Beto Richa. O governo federal não disponibiliza esses medicamentos.
O apelo, nosso e dessas mulheres valentes, foi para que o governador interceda junto ao ministro da Saúde para que essa medicação se torne acessível a essas mulheres, ou mesmo que elas possam vir a ser atendidas, em alguma medida, por recursos do próprio governo do Estado. É uma causa de alta relevância social e humana.
A prevenção é sempre o melhor caminho. Permite a detecção precoce, um tratamento com pouco sofrimento, custo baixo e remissão completa da doença. Mas nem sempre é possível prevenir. Nesses casos defendo a ação do Estado, numa de suas missões mais nobres, que é o da redução do sofrimento humano e a preservação da vida.

*Ademar Traiano é deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa do Paraná e presidente do PSDB do Paraná


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