Crime se reinventa e assusta Curitiba | Fábio Campana

Crime se reinventa
e assusta Curitiba

Do Bem Paraná

Uma onda de assaltos contra shoppings vem chamando a atenção da população curitibana nos últimos dias. Desde sexta-feira foram quatro ocorrências, todas elas tendo como alvo lojas de produtos de informática. Em todos os casos, os criminosos estavam atrás de smartphones e tablets. O último caso foi na noite de terça-feira, e um vigilante foi baleado.

Diante das ocorrências até então atípicas, o secretário da Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita, agendou para a próxima segunda-feira uma reunião com comerciantes, centros comerciais e “área de segurança do setor de telecomunicações”. Além disso, ontem a Polícia Civil realizou uma entrevista coletiva para falar sobre o andamento das investigações e o que teria provocado o aumento nesse tipo de ocorrência.

Bandido atira em segurança de shopping de Curitiba durante assalto

De acordo com o delegado-adjunto da Delegacia de Furtos e Roubos (DFR), Manoel Davi, os ataques contra shoppings seriam fruto de uma “migração” da criminalidade. Até o começo deste ano, o alvo predileto dos bandidos eram as farmácias. Com a atuação mais incisiva das forças de segurança no sentido de coibir as atuações criminosas nesses estabelecimentos, a criminalidade acabou por procurar um novo alvo.

Loja da Apple em shopping de Curitiba é assaltada pela segunda vez no ano

“Esses crimes são sazonais. Então o que está acontecendo é que no ano passado houve uma prática criminosa comum de roubos em farmácias. A DFR atuou com mais ênfase especificamente nesses casos e conseguiu reduzir drasticamente os crimes”, explicou o delegado-adjunto. “No começo deste ano, porém, a criminalidade achou um nicho específico, que são as lojas que trabalham com aparelhos eletrônicos”.

A grande “vantagem” que os bandidos encontraram atuando nesse setor é que os aparelhos são pequenos, ou seja, fáceis de carregar, possuem um alto valor agregado e podem ser vendidos o aparelho por inteiro ou somente as peças. “No mercado, infelizmente, a demanda é muito alta. As pessoas não se importam e não procuram saber se a origem do produto é de roubo ou não”, critica Davi.

Ainda segundo o delegado, não haveria uma quadrilha especializada em assaltos contra shopping. “São todos fatos isolados”, disse o delegado-adjunto, ressaltando que na maior parte das ocorrências há o envolvimento de menores de idade, captados pelos criminosos mais velhos para fazer o trabalho. “Pelas imagens, constatamos que a maior parte dos crimes têm envolvimento de menores, mais de 50% dos casos.”

Polícia apreende adolescentes suspeitos
Um adolescente de 17 anos foi apreendido na noite de terça-feira pela Polícia Militar minutos depois de um assalto a uma loja de eletrônicos em um shopping no bairro Portão, em Curitiba. O jovem é suspeito de participar do roubo.
Com ele, os policiais apreenderam uma arma calibre 9 milímetros. O adolescente foi localizado pela polícia nas proximidades do shopping e reconhecido por funcionários da loja com sendo um dos participantes do crime.
O assalto aconteceu por volta da 22 horas, quando ele, junto com outros dois homens armados deram voz de assalto no estabelecimento, rendendo funcionários e clientes. Entre os produtos roubados, o trio levou celulares, tablets e notebooks. Um segurança do shopping foi baleado e levado em estado grave para o hospital.
Mais quatro — Outros quatro jovens de 16 e 17 anos foram apreendidos pela polícia e confessaram que roubaram uma loja de celulares dentro de um supermercado que fica no bairro Água Verde, em Curitiba. Um dia depois do assalto, no dia 29 de março, eles foram apreendidos pela Delegacia do Adolescente (DA) de Curitiba e a polícia recuperou dez aparelhos celulares. Um homem, suspeito de ajudar na fuga dos jovens, já foi identificado .

Migração do Crime

Ataques a bancos – Esse tipo de crime, que inclui assaltos, arrombamentos e explosões de caixas eletrônicos, ainda é bastante comum no Paraná, historicamente entre os cinco estados com mais ocorrências. Até 2015, porém, a situação era muito mais grave e ocorrências desse tipo eram registradas quase que diariamente

Transporte Coletivo – Em 2015, os ataques a banco estavam em queda, mas os assaltos contra ônibus estavam em alta. Naquele ano, forma mais de dois mil assaltos a ônibus e estações-tubo, com uma média de quase oito casos por dia. No ano passado, foram 1.839 ocorrências apenas entre janeiro e julho, uma alta de 4,5% na comparação com o mesmo período de 2015. Para coibir a criminalidade, a Guarda Municipal de Curitiba e a Polícia Militar intensificaram o policiamento em tubos e terminais da cidade

Bares e restaurantes – Depois do transporte coletivo, foi vez dos restaurantes entrarem na mira dos criminosos. Entre julho de 2015 e abril do ano passado haviam sido registradas pelo menos 25 ocorrências na Capital, uma delas resultando na morte de um policial civil que jantava com sua namorada em um estabelecimento no bairro Vila Izabel

Salão de Beleza – No começo de 2016, os salões de beleza de Curitiba e região metropolitana ganharam as manchetes por conta das ações de criminosos. Agindo geralmente em duplas e de forma rápida, os criminosos roubavam tinturas e cabelos naturais usados para fazer alongamento, o mega hair. Foram 11 ocorrências em menos de dois meses

Farmácias – Assaltos contra farmácias estão longe de ser uma novidade. Ainda assim, no ano passado a situação atingiu um nível alarmante. Ao todo, foram 4.110 casos registrados em estabelecimentos comerciais entre janeiro e setembro, uma alta de 3,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior e um recorde histórico

Shoppings – Passada a “onda das farmácias”, agora é a vez dos shoppings virarem alvo dos criminosos. Desde a última sexta-feira foram quatro ocorrências, sendo duas no mesmo shopping e outra no Shopping Mueller. Nas duas do Crystal, o alvo dos criminosos foi a mesma loja, da rede Fast Shop, Quando do segundo assalto, na segunda-feira, a loja ainda fazia o inventário do que havia sido levado. Em todos os casos, os alvos dos criminosos foram lojas de smartphones e tablets.


2 comentários

  1. QUESTIONADOR
    quinta-feira, 6 de abril de 2017 – 11:28 hs

    -É a criminalidade se reinventando. A Segurança Pública precisa ter mais equipes de inteligência para investigação dos crimes e prisão da marginalidade. Também existem criminosos de outros estados espionando o comércio paranaense e o como atua a polícia paranaense….
    -Os comerciantes precisam se adaptar à esta situação. Se unir e elaborar um sistema de proteção mais eficaz e abrangente!!!
    -Se cuida Paraná…a bandidagem está solta e as pessoas de bem são reféns desarmados!!!

  2. Leonardo
    quinta-feira, 6 de abril de 2017 – 12:45 hs

    O que dizer. Falar que os Shopping deveriam ter seguranças armados? Falta policiamento ostensivo. E a policiai civil, deveria fazer o mesmo trabalho que a polícia federal faz mas no âmbito federal. Mas de que forma? Sem estrutura, com policiais de carreira confeccionado B.O s e sendo jogados nas gavetas por falta de investigadores para investigadores. Em uma cidade como Cascavel existem mais P2 do que investigadores de polícia civil. No Paraná a polícia civil foi abandonada isso que o Delegado Geral é de Cascavel e aqui mesmo as matérias dos jornais falem por aí. Senhor secretário de segurança até quando ???

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