Convulsão petista | Fábio Campana

Convulsão petista


Atônito, e com a Lava Jato em seu encalço, o PT não consegue medir mais nem suas decisões políticas internas. A última sandice, com as bênçãos de Lula, foi fechar em torno do nome de Gleisi Hoffmann, acusada de corrupção, para presidir a legenda. Mas nem isso é consenso. No Leia Mais, o texto de Ary Filgueira, da IstoÉ.

O PT entrou em estado de desespero. Com os principais líderes do partido na prisão – entre eles, os outrora todo-poderosos ex-ministros José Dirceu e Antônio Palocci –, o partido encontra dificuldades para sair das cordas com a Lava Jato cada vez mais em seus calcanhares. A busca desenfreada por um nome capaz de presidir a sigla até 2018 dá a exata de dimensão do nível da insanidade petista. Primeiro, tentou-se Luiz Inácio Lula da Silva. Mas o ex-presidente capitulou. Réu em cinco ações com condenações em primeira instância batendo à porta, Lula prefere dedica-se a salvar a própria pele. Também foi cogitado o nome ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, mas ele nem quis conversa. O cúmulo da sandice petista se materializou na escolha de uma personagem mais do que controversa para presidir a legenda: a senadora Gleisi Hoffmann (PR). E com as bênçãos de Lula. Nada poderia ser mais sintomático do que esta opção. Trata-se da representação da legenda nos dias de hoje, em que sobram argumentos histriônicos e faltam conteúdo, ideologia e moral.

Em um momento em que a sociedade anseia por mudanças de postura, pelo abandono das velhas práticas, somente um ímpeto de completo desespero, aliado a ausência total de quadros qualificados, pode explicar a decisão de colocar para comandar a militância a senadora encrencada na Lava Jato. Sem mencionar as outras denúncias contra seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo, acusado pelo empresário Marcelo Odebrecht, em depoimento ao TSE, de cobrar uma contrapartida de R$ 64 milhões, em 2009, por uma linha de crédito obtida pela empreiteira no governo federal. Além de duvidosa estratégia, a indicação sequer foi fruto de consenso. Ao contrário, causou fissuras internas, inclusive com o senador Lindbergh Farias (RJ), que, embora tenha recebido apelo de Lula, se insinua ao cargo e já avisou: não abrirá mão da candidatura.

Agindo dessa forma, a sigla perde a oportunidade de promover uma profunda renovação para tentar salvar a legenda. Pelo visto, os pensadores do partido não entenderam o recado das urnas. O resultado pode ser o mesmo conhecido das eleições de 2016: uma “lambada”. Foi essa a definição do ex-governador Olívio Dutra (RS) ao comentar o desempenho pífio do PT nas últimas eleições municipais, elegendo apenas 256 prefeitos, contra 630 prefeituras em 2012.

Cartilha deturpada

Mesmo sendo alertado da maneira errada como vem fazendo política, o PT não faz a alteração em sua cartilha com a deturpação da filosofia (maniqueísta) propagada por Maniqueu, filósofo cristão do século III. A adaptação petista da obra do pensador determina que a população brasileira está dividida em dois lados. Um é a elite, representada por partidos de centro e de direita mais a classe empresarial. O outro é o proletariado, composto por petistas, aliados e a população pobre. Discurso que Gleisi reza “ipsis litteris”. Principalmente, para justificar as derrotas do partido e os próprios fracassos.

A indicação dela ao cargo de presidente do partido mostra que a cabeça da executiva petista é hermética. Tão logo soube do resultado aquém do esperado, o partido decidiu entender a causa da derrota acachapante em São Paulo em 2016, inclusive, na periferia da capital paulista. E encomendou uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo. O estudo concluiu que o campo democrático-popular do partido precisa produzir narrativas contra-hegemônicas mais consistentes e menos maniqueístas. Ou seja, a estratégia de hostilizar a elite e os partidos de oposição está batida e anacrônica.

Se escolher como presidente uma parlamentar implicada na Lava Jato, o PT perde a oportunidade de promover uma renovação para tentar salvar a legenda

O PT no cadafalso
O partido está num beco sem saída. Entenda as circunstâncias políticas que envolvem a sucessão ao comando da sigla, hoje nas mãos do presidente Rui Falcão:

O Conflito
Dois senadores investigados pela Lava Jato disputam a presidência nacional do PT, que elegerá o sucessor de Rui Falcão em junho: Gleisi Hofmann (PR) e Lindbergh Farias (RJ)

Gleisi Hoffmann
O ex-presidente Lula já decidiu que a nova presidente será Gleisi. Ela poderá afundar de vez o partido. Responde a ação penal no STF por recebimento de doação ilegal de R$ 1 milhão para a campanha dela ao Senado em 2010

Lindbergh Farias
A opção por Gleisi promete azedar de vez a disputa pelo poder dentro do partido. O senador Lindbergh, que também é investigado, não aceita a decisão de Lula. Ameaça não retirar sua candidatura e criar uma cisão

Corrupção
As últimas denúncias de corrupção varreram os principais quadros do partido, como José Genoino, Delúbio Soares, João Paulo Cunha, implicados no mensalão; e José Dirceu, Antônio Palocci, João Vaccari e André Vargas, no petrolão


2 comentários

  1. Sergio Silvestre
    segunda-feira, 10 de abril de 2017 – 17:25 hs

    A isto é é uma revista como certos blogs,quem paga leva.

  2. Viezzer
    segunda-feira, 10 de abril de 2017 – 18:22 hs

    Até parece que só o PT tem culpa no cartório. E os partidos PP, PMDB e PSDB? Só tem santo nas cúpulas dessas associações?

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