Cinco crianças tentam suicídio. Influência do jogo da Baleia Azul? | Fábio Campana

Cinco crianças tentam suicídio. Influência do jogo da Baleia Azul?

Curitiba teve cinco tentativas de suicídio de adolescentes na madrugada desta terça-feira (18), de acordo com informe divulgado pela Prefeitura. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, os pacientes têm entre 13 e 17 anos, foram atendidos e encaminhados para acompanhamento em Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Em todos os casos, havia sinais de automutilação e ingestão de medicamentos, o que pode indicar relação ao “jogo” Baleia Azul, que propõe 50 desafios aos participantes e sugere o suicídio como última etapa. Ainda não há confirmação se os casos têm relação com o jogo. A Prefeitura solicitou investigação à Polícia Federal. Com informações da Banda B.

Além disso, serão desenvolvidas atividades de prevenção ao suicídio nas escolas com estudantes adolescentes, faixa etária alvo do jogo. A ação envolve as secretarias municipal e estadual de Educação.

No “jogo” Baleia Azul, os adolescentes relatam receber mensagens em redes sociais com tarefas a serem cumpridas. Nas conversas, um grupo de organizadores, chamados “curadores”, propõe 50 desafios macabros aos adolescentes, como fazer fotos assistindo a filmes de terror, automutilar-se desenhando baleias com instrumentos afiados no corpo e ficar doente.

O Baleia Azul começou como “fake news” (notícia falsa) divulgada por um veículo de comunicação estatal da Rússia e se espalhou a partir de 2015. Mesmo sendo fake news, a notícia gerou um contágio, principalmente entre os jovens. De acordo com especialistas, o jogo não existia, mas com a grande repercussão da notícia, pode ter passado a existir.

“Orientamos que pais e responsáveis conversem com os adolescentes e fiquem atentos a sinais de isolamento, perda de vínculo familiar e quadros de automutilação”, diz o secretário municipal da Saúde de Curitiba, João Carlos Baracho. De acordo com o Baracho, os postos de saúde são a porta de entrada no sistema para aquelas famílias que precisam de ajuda. Caso seja necessário, o posto pode direcionar para atendimento de saúde mental em Caps ou outro serviço especializado, de acordo com a gravidade do caso.

Seriado

No mesmo sentido, a Secretaria Municipal da Saúde faz um alerta em relação ao seriado 13 Reasons Why. Os episódios, exibidos pela plataforma de streamming Netflix, contam a história de uma garota que deixa fitas cassetes explicando as razões que a levaram a cometer suicídio.

De acordo com a Associação Paranaense de Psiquiatria (Appsiq), obras de ficção que simbolizam a vida real podem contribuir para fomentar discussões de temas importantes. A entidade manifestou satisfação em constatar que o seriado que trata de bullying, depressão e suicídio entre adolescentes tenha provocado alta de 170% nos acessos ao Centro de Valorização da Vida (CVV), que há 55 anos atua na prevenção do suicídio no Brasil.

Segundo a Appsiq, porém, “a série 13 Reasons Why peca por não abordar a questão do adoecimento mental da personagem, não provocar diálogos sobre como o desfecho dela poderia ser evitado e, principalmente, por dar a impressão de que buscar ajuda é inefetivo.”

A Appsiq critica também a “glamourização” do suicídio, a utilização do autoextermínio como instrumento de vingança e o fato de atrelar a ideia de suicídio à culpabilização. A entidade alerta, ainda, em relação ao efeito Werther – termo científico pelo qual a publicidade de um caso notável serve de estímulo para novas ocorrências, contribuindo para a difusão do método, apologia ou idealização do ato.

De acordo com a coordenadora de Saúde Mental da Secretaria Municipal da Saúde, Flávia Adachi, os pais e responsáveis não precisam proibir o adolescente de ver a série, mas devem preferencialmente assistir junto e conversar sobre o assunto. “Pode perguntar ao filho se ele conhece alguém que já passou por aquelas situações ou se ele efetivamente já passou por aquilo, tentando deixar um canal aberto franco de diálogo”, aconselha.

A psicóloga Maria Cristina Barreto, que trabalha na Saúde Mental da secretaria, na área técnica da infância e adolescência, explica que essa fase da vida é de grande vulnerabilidade. “O jogo Baleia Azul tem o componente do ‘desafio’. Os adolescentes gostam de desafio, romper limites, desafiar autoridade”, conta ela. “Já a série afeta mais o adolescente que vivencia alguma situação de maior sofrimento, tornando-o suscetível a influências que podem colocá-lo em situação de risco. Então, precisamos ficar atentos a todos os perfis”, diz.


3 comentários

  1. Flávio
    quarta-feira, 19 de abril de 2017 – 5:14 hs

    Fábio, gostaria de saber como estão os preparativos para a segurança na República de Curitiba, a partir do dia 29. Pois estamos ouvindo notícias preocupantes sobre a invasão da esquerda nesta cidade. O que o governo Estadual, PM, PC e o Exército estão planejando para evitar uma batalha campal e talvez uma tragédia? Pois desta esquerda petista, cutista, udenista, comunista, só podemos esperar o pior dos piores cenários. O prefeito estará viajando, será que o Betão vai amarelar também. E a Maria louca, vai ter coragem de acompanhar o vigarista barbudo? Vamos ver se tem aquilo roxo ou se trata apenas de falácia.

  2. burro
    quarta-feira, 19 de abril de 2017 – 18:31 hs

    Põe a inteligência pra acabar com isso!!!!!!!

  3. paty
    quarta-feira, 19 de abril de 2017 – 23:47 hs

    O que esperar de uma geração que não respeita a família? Não respeita idosos? Não respeita “professores”? Não respeitam leis? Jovens que bebem bebidas alcoólicas? Fumam? Usam drogas nas praças e ruas? Essa é a geração “lixo”, parecem uns abobados no celular. Nas salas de aula são uns idiotas, não prestam atenção em nada a não ser na “bosta” do celular. Estão conectados com o além mesmo. E não adianta culparem os pais, avós porque já nasceram em um “lar” sem regras e sem respeito?? Ouvem Anitta, Gabriel Pensador, Maiara e Maraisa e outras merdas? Deus nem existe! São adéptos de Jean wyllys,Hermes Silva Leão, Roberto Requião Filho???

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