A primeira vítima da guerra | Fábio Campana

A primeira vítima
da guerra

Ademar Traiano*

Beto Richa (PSDB), governador do Paraná, autorizou mais 70 milhões para obras em 65 cidades do Paraná, na última terça. Desde início do ano, 300 prefeituras foram autorizadas a captar crédito e o estado liberou uma cota extra de ICMS, de 430 milhões, para todas as cidades. Em 2016, foram 357 milhões para pavimentação, escolas, creches. Mais 300 milhões serão repassados neste ano.

Ao liberar os recursos, o governador agradeceu a mim, como presidente da Assembleia, e a cada um dos deputados pela aprovação do ajuste fiscal no início de 2015. Sem ele, enfatizou, nosso estado estaria passando pelos mesmos apuros que a maioria dos outros. Insolventes e com dificuldades até para honrar a folha de pagamentos, sem poder nem pensar em investir.

Hoje é fácil ver que o governo do Paraná fez a coisa certa ao propor um duro ajuste fiscal dois anos atrás e que a Assembleia acertou na mosca ao aprová-lo. Mas não era o que parecia para muitos em 2015. O governo Dilma mentia ao país. Garantia que tudo corria às mil maravilhas. O Sindicato dos Professores, ligado ao PT, promoveu uma oposição selvagem ao ajuste do Paraná, inclusive com direito a uma batalha campal contra a PM no Centro Cívico de Curitiba. A PM havia sido mobilizada, por determinação judicial, para garantir que a Assembleia não fosse invadida pelos manifestantes.

A cobertura da mídia com relação ao episódio foi pouco equilibrada. Parecia que o governo queria o ajuste por pura perversidade. Professores do Paraná, que recebem os melhores salários do país, foram apresentados como espoliados e vítimas de uma truculência insana. Beto Richa virou vilão nacional. Os deputados que apoiaram o ajuste foram perseguidos e achincalhados. Tratados como bandidos. Petistas fizeram plantões em frente as suas casas.

Dois anos depois fica claro quem tinha razão. Enquanto o Paraná paga em dia seu funcionalismo, deu aumento, e está pagando progressões de carreira aos professores, estados como o Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul ainda não pagaram o décimo-terceiro e parcelam os salários dos servidores.

O ajuste fiscal teve um preço político altíssimo, mas, hoje, é muito difícil alguém ter coragem de dizer que ele não era necessário. A oposição transformou o ajuste em uma guerra. E a primeira vítima da guerra, como se sabe, é a verdade. Mas a verdade acabou prevalecendo.

*Ademar Traiano é deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa do Paraná e presidente do PSDB do Paraná


3 comentários

  1. Sergio Silvestre
    quarta-feira, 12 de abril de 2017 – 16:48 hs

    Voces tem que prestar conta é com a Justiça,Rossoni ,o mais sujo que pau de galinheiro está sendo indiciado por engavetar falcatruas que poderiam cassar o Beto Richa ante de acabar seu primeiro mandato,os quase 70% de rejeição é por que o povo está ficando ciente da roubalheira do estado.

  2. tiago batista
    quarta-feira, 12 de abril de 2017 – 18:13 hs

    Se o estado esta em crise ou o país, de onde o governo está tirando esse recurso para fazer isso? Acredito que hå prioridades emergenciais do que esta.

  3. Aguirre
    quarta-feira, 12 de abril de 2017 – 19:20 hs

    O governo teve 6 anos para fazer o ajuste via corte de despesas. Em vez disto promoveu o maior arrocho tributário já visto no estado. Em janeiro deste ano aumentou 50% a alíquota do ICMS dos remédios.
    Tem várias empresas paranaenses se mudando para o Paraguai ou estudando como faze-lo, e quem pode emplacar o carro em outro estado com alíquota menor de IPVA também o faz.
    A marca deste governo é populismo, nepotismo e compromisso com o atraso.

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*