Restrições à carne podem estrangular armazenamento no País | Fábio Campana

Restrições à carne
podem estrangular armazenamento no País

Os embargos feitos à carne brasileira poderão estrangular o sistema de armazenamento nacional e criar uma série de despesas adicionais para os produtores. Como é um mercado muito dinâmico, em que a produção é encaminhada quase que simultaneamente aos portos ou aos pontos de venda, qualquer entrave atrapalha o processo.

“Ainda estamos produzindo, mas se a situação não se regularizar podemos ter falta de local para armazenar”, afirma o diretor presidente da Lar Cooperativa Industrial, Irineo da Costa Rodrigues. A empresa do Paraná, que está fora da lista da Polícia Federal, tem uma área de armazenamento que suporta uma semana de produção. Passado esse tempo, a cooperativa poderá ter problema. As informações são do Estadão.

O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD), também se mostrou preocupado com o sistema de estocagem de carnes. Segundo ele, a margem é de 7 a 8 dias. “Depois disso, as gôndolas e os navios precisam escoar o produto, senão o processo entra em colapso”,disse ele, ao chegar ontem para uma audiência com o ministro da Agricultura, Blairo Maggi.

O secretário estadual de Agricultura catarinense, Moacir Sopelsa, disse que existem cargas de frango e de suíno que não conseguem ser desembarcadas na China, em Hong Kong e na Rússia. Ele afirmou ainda que, por causa da operação, é certo que haverá prejuízo para a produção.

A Lar Cooperativa, por exemplo, tem 45 contêineres desembarcados e armazenados em terminais na China sem poder ser entregue aos clientes. Outras 127 unidades estão em trânsito e 45 continuam no Porto de Paranaguá, aguardando uma solução para ser embarcado Enquanto isso, a empresa – que exporta 50% da produção de frango – terá de arcar com todos esses custos.

“Em relação à carga que ainda está no Brasil, o exportador fica no dilema se embarca ou não e frustra o armador, que sairá do porto sem o contêiner. Em termos comerciais, é um desastre”, diz Nelson Carlini, ex-presidente da CMA CGM, uma das maiores armadoras do mundo.

Segundo ele, para os terminais portuários, o armazenamento deve compensar a queda na demanda. Afinal, até que a carga seja embarcada, a empresa terá de pagar pelo tempo que o contêiner ficou parado no porto. Por outro lado, o volume de contêiner parado nos portos acaba dificultando a operação e atrapalhando a relação com outros clientes, afirma Carlini.

“Para os terminais, a melhor coisa é a rotatividade. Armazenamento faz parte da receita, mas não é bom para ninguém um contêiner ficar parado 30 dias”, afirma o presidente da Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres de Uso Público (Abratec), Sérgio Salomão. Até ontem, os terminais que mais investiram em instalações para receber os chamados refeers (contêineres frigorificados) afirmaram que a operação ainda não tinha sido afetada.


4 comentários

  1. Doutor Prolegômeno
    quinta-feira, 23 de março de 2017 – 12:11 hs

    O grande problema do Brasil é o próprio Brasil. Os brasileiros são os maiores inimigos de si mesmos.

  2. Zabra Q Tize
    quinta-feira, 23 de março de 2017 – 12:14 hs

    Até agora ninguém falou do frigorífico Argus de São José dos Pinhais, que pertence ao ex-prefeito e foi interditado. Porque será?

  3. Cidadão brasileiro
    quinta-feira, 23 de março de 2017 – 12:48 hs

    Quero dar os parabéns à Polícia Federal, MPF e Justiça Federal pelo belo trabalho em prol da ética.
    Se políticos e servidores agirem cumprindo o seu dever sem desvios de finalidade não vão ter problemas com a lei. E os brasileiros também exigem produtos de qualidade. Não podemos aceitar sermos tratados com diferença.

  4. Praha do Egito
    quinta-feira, 23 de março de 2017 – 17:57 hs

    Essa canalhada não é acostumada a respeitar o cidadão brasileiro, por isso estão chocados com a PF. Só pensam no oixuleco

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