Relação de Serraglio com fiscal preocupa o Planalto | Fábio Campana

Relação de Serraglio com fiscal preocupa o Planalto

A presença do ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB), em grampo da Operação Carne Fraca criou o receio na equipe do presidente Michel Temer de que essa seja uma espécie de prévia de futuras denúncias contra o peemedebista.

Mesmo que a Polícia Federal não veja indícios de ilegalidade na conduta do ministro no episódio em questão, a preocupação é que a revelação de que ele teria um grau de intimidade com o fiscal Daniel Gonçalves Filho, considerado o “líder da organização criminosa”, possa desencadear novas investigações.

Nas palavras de um assessor presidencial, o desgaste na imagem pública do peemedebista será ampliado caso o grampo seja apenas “a ponta de um novelo”.

Na ligação grampeada, feita em fevereiro de 2016, o ministro, na época deputado federal pelo Paraná, chama o fiscal de “grande chefe” e pede informações sobre o frigorífico Larissa, de Iporã (PR), de propriedade de Paulo Rogério Sposito, que foi candidato a deputado federal em São Paulo pelo PPS em 2010.

O fiscal agropecuário foi superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná entre 2007 e 2016 e, segundo a PF, chefiava esquema que permitia o recebimento de propina em troca de vistas grossas na fiscalização de frigoríficos.

As suspeitas sobre Serraglio ocorrem no momento em que seis ministros do governo peemedebista, o que representa um quarto da Esplanada dos Ministérios, são alvos de pedidos de abertura de inquérito pela Procuradoria-Geral da República no rastro da Operação Lava Jato.
Em nota, o Ministério da Justiça afirmou que não há nenhum indício de ilegalidade na conversa gravada de Serraglio e que o grampo é um exemplo de que o ministro não interfere na PF.
Ministério da Agricultura

O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki, disse nesta sexta-feira, 17, que o governo determinou o afastamento de 33 servidores envolvidos em um esquema investigado pela Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal. As investigações mostram suspeitas de pagamento de propinas de frigoríficos a fiscais agropecuários federais. O afastamento foi determinado pelo ministro Blairo Maggi.

O governo vai instaurar procedimentos para apurar a conduta desses servidores. Segundo Novacki, alguns procedimentos já haviam sido abertos no passado, sobre o mesmo tema, mas ainda não foram concluídos. “Daremos todo suporte à Polícia Federal na busca de informações. Queremos acabar com qualquer situação de desvios no ministério”, afirmou.

Novacki disse ainda que os servidores afastados não representam a maioria do ministério, que conta com 11 mil funcionários, dos quais 2,3 mil trabalham na área de fiscalização. “Isso não representa de forma alguma a postura dos servidores de ministério, que, em sua grande maioria, são de boa índole.”

Três empresas já tiveram suas atividades suspensas nos municípios: uma unidade da BRF em Mineiros (BRF) e duas da Peccin, em Jaraguá do Sul e Curitiba. O secretário-executivo disse ainda que as suspeitas recaem sobre 21 estabelecimentos e 4 grupos empresariais, enquanto o universo de empresas fiscalizadas pelo ministério chega perto de 5 mil. “Não é um fato cotidiano. São fatos isolados, que não representam de modo algum a postura do ministério”, disse.

Novacki afirmou que a pasta está indignada e contrariada com as revelações da Operação Carne Fraca. “Situações como essa causam um dano à imagem”, afirmou.

Propina irrigava contas do PMDB e PP, diz PF
São Paulo – As propinas pagas a fiscais do Ministério da Agricultura para afrouxar a fiscalização em frigoríficos abasteceram o PMDB e o PP, segundo a Polícia Federal, que deflagrou nesta sexta-feira, 17, a Operação Carne Fraca.

“Dentro da investigação ficava bem claro que uma parte do dinheiro da propina era, sim, revertido para partido político. Caracteristicamente, já foi falado ao longo da investigação dois partidos que ficavam claro: o PP e o PMDB”, afirmou o delegado federal Maurício Moscardi Grillo. Ele não revelou nomes de políticos supostamente beneficiários. A PF também não informou por que a propina era paga a políticos, se por indicações ou outros motivos.

“O período da investigação é o período que eu posso dizer, ao longo de dois anos de investigação isso era mais claro para a gente. Não sei se eventualmente um esquema ligado a partidos ocorria há mais tempo e também não ficava caracterizado para a gente para qual político especificamente ia todo esse dinheiro”, afirmou Grillo. O delegado disse que o valor é alto, mas, até o momento, não se sabe quanto.

Os dois partidos divulgaram nota para informar que desconhecem o teor da investigação. O PMDB disse não autorizar ninguém a falar em nome do partido. O PP disse que apoia “minuciosa investigação e o rápido esclarecimento dos fatos”.

CPI
Enquanto o mundo político toma conhecimento dos detalhes do esquema revelado pela Operação Carne Fraca, cresce o coro na Câmara dos Deputados para criação de uma CPI que investigue irregularidades na fiscalização fitossanitária no País. Os deputados Ivan Valente (PSOL-SP), Júlio Delgado (PSB-MG) e Carlos Zarattini (PT-SP) anunciaram nesta sexta-feira, 17, que vão começar a coletar as 171 assinaturas necessárias para a criação de uma CPI na Câmara. “Mais esse escândalo precisa de apuração, talvez com a criação de uma CPI para a gente acompanhar isso”, defendeu Delgado.

Valente também pretende entrar com uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB), flagrado em conversa com o fiscal agropecuário Daniel Gonçalves.

O fiscal é apontado pela Operação Carne Fraca como “líder da organização criminosa”. No diálogo interceptado, Serraglio se refere a Gonçalves como “o grande chefe”. “Ele (Serraglio) intercedeu por uma pessoa que ele chamou de grande chefe”, comentou Valente. Para o deputado, é grave o atual chefe da Polícia Federal ter demonstrado “intimidade” com o suposto líder da organização criminosa. As informações são da Folha.

(Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)


2 comentários

  1. henry
    sábado, 18 de março de 2017 – 14:28 hs

    ESTE DEPUTADO PODE FICAR TRANQUILO. AFINAL ELE SE TORNOU ministro, PARA DAR A VAGA AO ETERNO SUPLENTE E CARREGADOR DE PASTA DO MICHEL TEMER, O rocha loures.

  2. Palpiteiro
    sábado, 18 de março de 2017 – 15:32 hs

    Isso é rematada tolice e canalhice da imprensa das metrópoles. Não há politico que não se comunique com servidores federais, para pedir algo ou para receberem pedido de nomeação para chefia, promoção ou remoção. É da natureza podre e fétida do poder no Brasil E acontece em todos os poderes, com todo tipo de gente pedindo algo para deputados e senadores ou vice-versa. Isso por si mesmo nada prova contra ninguém. Mas, a imprensa brasileira, a grande mídia, também, precisa de uma lava jato para apurar os achaques e chantagens, que costumam fazer em troca de publicidade e jabá, ou seja, propina.

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