Reformas na economia são necessárias, diz BC | Fábio Campana

Reformas na economia são necessárias, diz BC

O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) voltou um possível aumento no ritmo de corte da taxa básica, mas afirmou em ata, divulgada nesta quinta-feira (2), que a condução da política econômica pelo governo, com aprovação de reformas fiscais e outros ajustes, são fundamentais para o que chama de redução da “taxa de juros estrutural”.As informações são da Folha de S. Paulo.

Essa taxa, destacou, depende de fatores como perspectivas para política fiscal, produtividade, melhor ambiente de negócios e redução do crédito subsidiado.

“[As estimativas para esses fatores] invariavelmente envolvem elevado grau de incerteza. Por essa razão, avaliações sobre a taxa de juros estrutural da economia necessariamente envolvem julgamento”, declarou o Copom. “O Comitê julga que o redirecionamento da política econômica pelo governo, com aprovação e implementação das reformas fiscais, notadamente a reforma da previdência, além de outras reformas e ajustes necessários na economia, pode produzir uma queda da taxa de juros estrutural da economia brasileira”.

Diante da expectativa de uma inflação abaixo de 4,5% em 2017, o Banco Central decidiu na semana passada por um novo corte de 0,75 ponto na taxa básica de juros, para 12,25% ao ano.

RISCOS

Na ata desta quinta, o Copom diz ainda que a economia brasileira possui hoje uma capacidade maior de absorver eventuais riscos de um cenário internacional que permanece incerto, como a política econômica de Donald Trump, nos EUA, e a economia da China.

“A economia brasileira apresenta hoje uma maior capacidade de absorver eventual revés no cenário internacional, devido ao progresso no processo desinflacionário e na ancoragem das expectativas”.

No documento, o BC afirmou também que os riscos atuais para a economia “parecem mais equilibrados do que nos últimos meses de 2016”. “Entretanto, os desafios para a retomada da atividade econômica permanecem, e o Comitê avalia que a recuperação da economia ao longo de 2017 deverá ser gradual”.

Foi o segundo corte dessa proporção desde que o BC começou o ciclo de redução da taxa básica, em outubro.

O BC destacou na ata da reunião que cortes maiores significam maior antecipação do ciclo de redução de juros. “Os membros do Comitê debateram os próximos passos e manifestaram preferência por manter maior grau de liberdade quanto às decisões futuras, a serem tomadas em função da evolução do cenário básico do Copom e dos fatores de riscos apontados acima”.

MAIS FORTE

No comunicado da decisão, na semana passada, o Copom já havia falado sobre a possibilidade de um ritmo mais forte de cortes da taxa. Para analistas, o fato de o Copom ter citado a possibilidade de um corte de um ponto percentual nas próximas reuniões indica que a intensificação não é mais uma hipótese desprezível.

A avaliação é que o cenário doméstico é favorável para o corte mais intenso dos juros: atividade econômica muito fraca e safras generosas, que jogam para baixo os preços dos alimentos no mercado interno.


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