Noblat: Moro joga xadrez. Políticos jogam damas | Fábio Campana

Noblat: Moro joga xadrez. Políticos jogam damas

Ricardo Noblat, O Globo

Com um único lance que surpreendeu seus adversários, a Lava Jato fez ontem uma jogada de mestre: pela primeira vez desde que existe, ao invés de ameaçar um político ou um grupo de políticos, pôs em xeque todo um partido. O Partido Progressista (PP) foi acusado de improbidade administrativa. Se a acusação for aceita mais tarde pela Justiça, ele terá que devolver R$ 2 bilhões aos cofres do Estado.

A tudo assistiu à distância o juiz Sérgio Moro. Enquanto em Curitiba os procuradores da Lava Jato anunciavam a novidade, ele se ocupava em Brasília em debater a reforma do Código de Processo Penal. Foi obrigado a ouvir críticas diretas e indiretas de deputados da oposição, órfãos da ex-presidente Dilma e do ex-presidente Lula, que no dia 3 de maio irá depor em Curitiba. Mas não se incomodou.

Aos deputados parece ter passado despercebido outro movimento sutil do juiz: a escolha da cidade para assinar a sentença que condenou a 15 anos e quatro meses de prisão o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Brasília é o coração de todas as tramas em curso contra a Lava Jato. Conspira-se, ali, abertamente para sufocar ou impor limites à Lava Jato. Ela começou em Brasília ao investigar uma rede de postos de combustíveis.

O xeque ao PP, com a denúncia também de seis dos seus atuais deputados federais e quatro ex-deputados, significa que mais adiante outros partidos deverão ser alvos da mesma acusação. Natural que sejam. Beneficiaram-se de propinas como o PP. De recursos desviados da Petrobras como o PP. E vários dos seus membros enriqueceram igualmente. Quem garante que eles sobreviverão quando a Lava Jato tiver chegado ao fim?

Mais de um partido não sobreviveu à Operação Mãos Limpas, na Itália. Foi devastador para eles a descoberta do mar de lama que acabou por afogá-los. De resto, seus principais líderes foram fulminados pela operação, como aqui estão sendo as estrelas de partidos de todos os tamanhos. Os resultados das eleições do próximo ano poderão provocar um dos maiores expurgos políticos da nossa história.

Com o xeque ao PP e a condenação de Cunha, os procuradores e Moro desidrataram ainda mais o discurso de que o PT e Lula são vítimas de perseguição política e objetivos preferenciais da Lava Jato. Cunha, sem o qual o impeachment de Dilma jamais teria existido, está em situação pior do que Lula. O PP tem mais nomes envolvidos com a Lava Jato do que o PT. Tal condição poderá ser reivindicada no futuro pelo PMDB.


4 comentários

  1. sexta-feira, 31 de março de 2017 – 9:33 hs

    “O xeque-mate desse xadrez politico com complicações elevadas a 10ª potência está mais próximo a cada dia. Começou com a criminalização dos atos ilícitos desse partidinho de aluguel. Dessa Associação Criminosa. Muitos outros virão. Nunca mais nada será como antes no Brasil. Graças a República de Curitiba. A Lava Jato. Sergio Moro. Deltan Dallagnol & Cia…” – Profº Celso Bonfim

  2. luiz antonio
    sexta-feira, 31 de março de 2017 – 10:01 hs

    Queria saber se o PR. 22 não tem nada, e os recursos do fundo partidario.

  3. JOHAN
    sexta-feira, 31 de março de 2017 – 18:31 hs

    Caro FÁBIO, essa ação da OPERAÇÃO LAVA JATO com a inicialização e nominando os parlamentares já envolvidos é apenas a ponta do iceberg do PP. Tem mais parlamentares a serem nominados. Esse partido está infiltrado e capilarizado no atual governo dos tucanos do PARANÁ. Essa limpeza precisa ser realizada, para o bem do funcionalismo do estado e para o bem do PARANÁ. Enquanto isso a sociedade continua desarmada, e os parlamentares articulando e roubando. Atenciosamente.

  4. Jorge
    sexta-feira, 31 de março de 2017 – 21:49 hs

    Quem tá processando o PP é o ministério público. Moro naõ tem nada a haver até esta etapa

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