Ferrovia deve ser saída para atoleiros | Fábio Campana

Ferrovia deve ser saída para atoleiros

O governo deverá anunciar, na próxima terça-feira, a data em que será leiloada a concessão da Ferrogrão, uma ferrovia de 1.142 km que correrá paralela à BR-163, no trecho entre Sinop, na região produtora de grãos do Mato Grosso, e o porto fluvial de Miritituba (PA). É nesse percurso, crítico para a exportação de soja e milho, que caminhões estão parados há mais de uma semana por falta de condições de tráfego na pista, que não é asfaltada. As informações são do Estadão.

“É a solução definitiva”, disse o presidente da estruturadora Estação da Luz Participações (EDLP), Guilherme Quintella. Ele foi responsável pelos estudos técnicos para a construção da linha férrea que servirão de base para a elaboração do edital do leilão. “A Ferrogrão consolida, de forma definitiva, a competitividade da produção do Mato Grosso”, disse o consultor.

A ferrovia está na carteira do Programa de Parcerias de Investimento (PPI), mas é uma iniciativa das próprias tradings. Elas elaboraram o projeto e o apresentaram ao governo em 2014, informando estarem dispostas a investir em sua construção. São sócias nesse projeto: Amaggi, ADM, Bunge, Cargill, Dreyfus e a EDLP. A estimativa é que a linha custará R$ 12,6 bilhões.

Embora tenham elaborado o estudo e sejam as principais interessadas, não é certo que elas serão as responsáveis pela ferrovia. Por ser uma concessão do governo, o projeto será objeto de um leilão do qual poderão participar outras empresas interessadas. Ganhará a que oferecer maior taxa de outorga.

Quando estiver pronta, a Ferrogrão absorverá toda a carga naquele eixo, apontam os estudos técnicos. Ela deverá reduzir o custo do frete de US$ 120,00 por tonelada para US$ 80,00 por tonelada. Mas a construção da linha levará cinco anos.

Asfaltamento. Até lá, a saída é concluir o asfaltamento da BR-163. Cálculos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que, com a conclusão da obra, a economia chegará a R$ 1,4 bilhão / ano. Isso porque a rodovia consolidará o uso dos portos do Norte para a exportação de grãos. Saindo de lá, uma viagem de navio fica de três a cinco dias mais curta do que as que se iniciam nos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR).

Pressionado pelo congestionamento de caminhões na BR-163 e com a constatação de que, por causa desse gargalo logístico, os produtores terão um prejuízo de R$ 350 milhões nesta safra, o presidente Michel Temer criou ontem uma força-tarefa para atuar na liberação do tráfego. O grupo é composto pelas pastas da Casa Civil, Agricultura, Justiça, Defesa e Transportes, Portos e Aviação Civil, segundo informou nota da presidência da República.

A nota informa ainda que o tráfego no sentido norte, onde estão parados os caminhões, deveria ser regularizado ainda ontem. As Forças Armadas trabalham na distribuição de 3 mil cestas básicas e 46 toneladas de água para os caminhoneiros que ficaram retidos.


3 comentários

  1. Palpiteiro
    sábado, 4 de março de 2017 – 15:12 hs

    A saída do atoleiro são os portos e aeroportos. Ir embora do país é a única saída deste atoleiro de lama e estrume chamado Brasil.

  2. Nosferatu
    sábado, 4 de março de 2017 – 19:37 hs

    Pois é , mas não é esta mesma ferrovia que os chineses vieram em comitiva, lá nos tempos áureos do governo da infeliz, jurando que iriam construir? O que será que fez os chineses mudarem de ideia, os caras são loucos para fazerem negócios da China? Será que ficaram assustados com o tamanho da propina que tinham que pagar para que a coisa “saísse do papel”? Espero que esta ferrovia não tenha o mesmo destino daquela outra, até uma empresa foi constituída para projetá-la, iria ligar o Rio à São Paulo e passando por Campinas, alguém se lembra dela? Quem fim deu a tal empresa? Existe ainda?

  3. Paranaense reflexivo
    segunda-feira, 6 de março de 2017 – 13:55 hs

    Construção de ferrovias para o escoamento de grãos em direção do norte?
    Enquanto isso, o acesso ao Porto de Paranaguá fica dependente de rodovias, ora esburacadas, ora absurdamente pedagiadas!!!
    Não a toa, os dólares do agronegócio vem abandonando o Paraná!!

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