Boca Maldita outorga título "Boi no Pasto" ao senador Requião | Fábio Campana

Boca Maldita outorga título “Boi no Pasto” ao senador Requião

Na Boca Maldita, espaço da irreverência, o humor é livre. Especialmente contra os políticos, que gostam de posar de varões de Plutarco. O Comitê Permanente da Boca da Maldita, tradicional espaço da irreverência política da capital paranaense, não vai deixar passar em branco a relação do ex-governador com o grupo JBS, envolvido no escândalo da carne que surpreendeu o país. Vai outorgar o título “Boi no Pasto” ao senador. Será em frente ao Café Avenida na Boca Maldita. Justifica o título a polpuda doação que Requião recebeu do grupo JBS, nas eleições de 2014, explicou o ex-presidente do PMDB de Curitiba, Doático Santos.

Requião é citado na delação do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, como um dos beneficiários das doações feitas pela JBS ao PMDB. Questionado sobre essa contradição flagrante entre suas prédicas e práticas, Requião afirmou, por meio do seu advogado, Luiz Fernando Delazari, que todas as doações feitas pelo grupo empresarial à sua campanha de 2014 (quando disputou e perdeu o governo do Paraná) foram legais e oferecidas pelo Diretório Nacional do Partido a todos os candidatos do PMDB. “As doações foram feitas por repasses do Diretório Nacional e pela campanha de Michel Temer e oferecida a todos os candidatos do partido nas eleições de 2014. Não há irregularidades”, afirmou.

A declaração dos doadores de campanha de Requião ao TSE mostra que o senador recebeu R$ 2,4 milhões do grupo empresarial JBS Friboi, controlador do frigorífico Friboi, entre outras marcas. Desse valor, R$ 500 mil foram destinados à campanha de Requião ao governo do Paraná pelo Diretório Nacional do PMDB. Outros R$ 400 mil foram encaminhados por meio da campanha de Michel Temer à vice-presidência. Outro R$ 1,5 milhão foi doado pela JBS diretamente ao senador. Delazari, que foi tesoureiro da campanha em 2014, também afirmou que todas as doações foram declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral. “O próprio Machado não disse que as doações foram irregulares. Na nossa campanha, tudo foi declarado ao TSE e n&atil de;o há nenhuma irregularidade”, completou.

Roberto Requião aparece na delação de Sérgio Machado como um dos senadores que teria sido beneficiado por um suposto acordo entre PT e PMDB para a intermediação de doações de campanha da empresa JBS para a bancada peemedebista no Senado. Machado contou aos procuradores que encontrou um diretor da JBS, Francisco Assis e Silva, em uma das reuniões que aconteciam na casa do presidente do Senado, Renan Calheiros. Na ocasião, Assis e Silva teria afirmado que estava “ajudando em diversas campanhas políticas”. De acordo com o documento, Machado afirmou que o grupo empresarial iria fazer doações no valor de R$ 40 milhões à bancada a pedido de PT e que diversos senadores seriam beneficiados pelo dinheiro. Entre eles o próprio p residente do Senado, Renan Calheiros, e os senadores Jader Barbalho, Romero Jucá, Eunício Oliveira, Vital do Rêgo, Eduardo Braga, Edison Lobão, Valdir Raupp, Requião e outros. Machado não soube dizer se o grupo empresarial recebeu algum tipo de favorecimento em troca dessa doação.

Não se pode imaginar que da noite para o dia a política nacional transformou-se em próspera seara da probidade, até porque isso é impossível, mas que as denúncias feitas por Sérgio Machado sejam acompanhadas de provas ou, então, que ele indique o caminho das mesmas. O dito pelo não dito serve para recrudescer a instabilidade política e fomentar o plano macabro de salvar a afastada Dilma Rousseff.

Ao delator não cabe a produção de provas, mas informações impossíveis de serem provadas comprometem sobremaneira a delação. Como sempre afirmamos, política no Brasil só se faz com muito dinheiro – normalmente de origem ilícita –, mas é preciso comprovar que doações legais de campanha, devidamente registradas, tinham como nascedouro acordos espúrios e recursos desviados. Do contrário, denunciar por denunciar é cair no vazio e salvar os corruptos de sempre.


6 comentários

  1. Eder Dias Casola
    sexta-feira, 17 de março de 2017 – 22:38 hs

    Não sou advogado do Requião, mas precisamos entender que não são todos os citados e mesmo todos os recebedores de doações corruptos. Muito cuidado em julgamentos precipitados.

  2. clarice franze
    sábado, 18 de março de 2017 – 9:25 hs

    AS DOAÇÕES DIRECIONADAS AO REQUIÃO SÃO ‘DIZIMOS’

    PARA OS OUTROS NO DIZER DELE SÃO ‘PROPINAS’

    VÁ ENTENDER ESSE CARA DE PAU.

    AS ‘MAMINHAS DELE JÁ SÃO UM CHURRASCO.

    ELE GOSTA DE APARECER, COLOQUE O TITULO DE ‘BOI NO PASTO’ E SAIA DESFILANDO POR AI…..

    EU GOSTO.

  3. PHILLIPS
    sábado, 18 de março de 2017 – 14:29 hs

    EU RIRIA QUE É….. BOI DE PIRANHA

  4. PORTUÁRIO
    sábado, 18 de março de 2017 – 15:46 hs

    ESSE DESPREZÍVEL AINDA EXISTE?

  5. Palpiteiro
    sábado, 18 de março de 2017 – 15:55 hs

    Carne estragada.

  6. eleitor desmemoriado.
    sábado, 18 de março de 2017 – 20:48 hs

    Raríssimas foram as vezes em que a Justiça Eleitoral rejeitou alguma prestação de conta de candidato e de partido político. Então toda “doação é do bem”, ou seja, nada de ilegal.

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