Safra recorde está indo 'para o ralo', diz Maggi | Fábio Campana

Safra recorde está indo ‘para o ralo’, diz Maggi

1209soja
Bastou chover um pouco mais que o esperado e parte da supersafra brasileira de soja corre o risco de “micar” no País sem conseguir chegar aos portos. Ela está encalhada nos 100 km não asfaltados da BR-163, a rodovia que é hoje a principal ligação entre uma grande zona produtora do grão, no Mato Grosso, e os portos do Norte do País.

“Dinheiro que estava na mesa, de uma grande colheita, está indo para o ralo, nos buracos das estradas”, lamentou o ministro da Agricultura, Blairo Maggi. “Dá pena de ver.” As informações são do Estadão.

Ele informou que 11 navios que estavam no Porto de Belém esperando carga de soja já foram desviados para portos do Sul do País. Os produtores tiveram prejuízo de US$ 6 milhões só com a “demourage”, a taxa paga pela permanência das embarcações. A carga desviada, por sua vez, poderá sobrecarregar portos como Santos (SP) e Paranaguá (PR).

No total, o setor estima que o prejuízo nessa safra será de R$ 350 milhões, segundo informou o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Carlo Lovatelli. “Estamos queimando notas de cem dólares, uma atrás da outra”, afirmou o executivo.

Segundo Maggi, o produtor que vende a soja precisa entregá-la no prazo, no local definido pelo comprador. Diante do atraso no escoamento da produção local, a alternativa é, muitas vezes, adquirir soja de outros países produtores, como Estados Unidos e Argentina, para honrar o contrato.

“E aquela soja brasileira que iria para esse comprador fica ‘micada’ aqui”, explicou o ministro, um dos maiores produtores de soja do País.

Maggi e o ministro dos Transportes, Maurício Quintella, se reuniram ontem com representantes dos produtores para discutir a situação na BR-163. Eles acertaram um esquema pelo qual será reduzido o envio de caminhões para a rodovia, de forma que será possível manter as condições de tráfego.

A estrada será aberta para a passagem de caminhões por períodos. Depois, o trânsito será interrompido para que as máquinas do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) possam aplainar novamente a pista. E assim sucessivamente, num esquema “stop and go”.

Fila. Nesta quinta-feira, 2, 1,2 mil caminhões, numa fila de 40 km, no Pará, aguardavam autorização para seguir viagem pela rodovia no sentido norte. A pista já havia sido aberta para automóveis de passeio e caminhões com carga perecível. A expectativa era permitir o trânsito de caminhões pesados na quinta-feira mesmo. Com isso, a fila poderá acabar em cerca de dois dias, se o clima colaborar.

A pista no sentido sul já está aberta e não há mais filas. Mas, para chegar a essa situação, foi necessário buscar ajuda do Exército para desfazer a aglomeração de veículos na via e permitir a passagem das máquinas do Dnit. Até o carnaval, a via estava bloqueada, com uma fila gigantesca.

Para socorrer os caminhoneiros e famílias que estão há dias parados nas estradas, e também as comunidades isoladas, o Exército vai distribuir 3 mil cestas básicas e água. O primeiro carregamento chegou ontem ao local.

“A prioridade do governo é garantir o escoamento pelo Arco Norte”, disse Quintella, referindo-se aos portos no Norte do País. Ele lamentou o “gargalo” na BR-163 e informou que o asfaltamento dos 100 km que estão faltando já está contratado. A expectativa é que sejam asfaltados 60 km este ano e outros 40 km no ano que vem.


10 comentários

  1. VISIONÁRIO
    sexta-feira, 3 de março de 2017 – 10:29 hs

    Pena que não tenho mais idade para candidatar à Presidencia da
    República do Brasil…

  2. Juca
    sexta-feira, 3 de março de 2017 – 11:06 hs

    Mas os governos petistas nestes treze anos só sabiam fazer portos, estradas e outras baboseiras com o nosso dinheiro no exterior. E o Brasil?

  3. Diego
    sexta-feira, 3 de março de 2017 – 11:18 hs

    O Maggi está triste por que a carga e os portos são dele. No demais, isso só revela o quão incompetentes e corruptos foram os nossos últimos governos. Apesar de bilhões serem investidos em infraestrutura, um trecho de apenas 100km consegue travar toda a nossa logística. O Brasil é patético.

  4. Sergio Silvestre
    sexta-feira, 3 de março de 2017 – 13:10 hs

    Essa estrada era uma concessão da Camargo Correia que arrefeceu com a lava-jato,debita isso no juiz babaca que afundou o Pais com sua pirotecnia e não vai reaver 1% do prejuizo dado a nação.Que adianta indiciamento sem pena longa e perda de tudo que possui,fazem todo esse rastro de onça para nada,inclusive um dos bandoleiros da nação hoje eé presidente da republica com uma aprovação de 4% que devem ser bandidos como ele.

  5. Ezequiel Carlos Prieto
    sexta-feira, 3 de março de 2017 – 14:03 hs

    Pro ralo está indo o dinheiro roubado pelos políticos que poderia, muito bem, estar sendo usado na pavimentação da BR-163.

  6. PitBull
    sexta-feira, 3 de março de 2017 – 14:27 hs

    Se a estrada está no Mato Grosso, pergunta ao Ministro quem era o
    Governador de Mato Grosso antes de ser Ministro?
    Porque não asfaltou a estrada quando era Governador?

  7. Demagogo
    sexta-feira, 3 de março de 2017 – 14:51 hs

    Então porque ele não fez nada quando foi governador do MT de 2003 até 2010 e sanador desse estado entre 2011 e 2016.

    Apesar de ser BR, porque não correu atrás de recursos para asfaltar as estradas do seu Estado….

  8. Nosferatu
    sexta-feira, 3 de março de 2017 – 19:39 hs

    e a culpa é de quem cara pálida? De quem investiu, plantou, vendeu e agora não consegue entregar? O culpado já tem nome, eu sei e você sabe qual é? Sabe mas não tem coragem de dizer quem é.

  9. medonho
    sexta-feira, 3 de março de 2017 – 22:50 hs

    o grande mal, todo esforço, clima ajudando, mas a iINCOMPETENCIA DO GOVERNO, falta de infra para escoamento….
    quem irá cobrir o prejuizo????

  10. Jonas
    sexta-feira, 3 de março de 2017 – 23:12 hs

    É impressionante o mal que o descaso, a incompetência e a corrupção podem fazer com a infraestrutura de um país. Quanto custa asfaltar 100 km de rodovia? Com certeza, muito menos do que o prejuízo que o país está tendo com essa p-a-l-h-a-ç-a-d-a. E pensar que a parte asfaltada deve ser aquela maravilha… é só conferir o histórico de péssima qualidade do asfalto colocado em nossas rodovias, o que certamente serviu para enriquecer diversas empreiteiras enroladas agora no Petrolão e financiar campanhas políticas por esse brasilzão. E o dinheiro enfiado na ferrovia norte-sul, Sr. Lula?

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*