UFPR: motorista e pizzaiolo receberam quase R$ 1 milhão em três anos | Fábio Campana

UFPR: motorista e pizzaiolo receberam quase R$ 1 milhão
em três anos

A Operação Research – missão integrada da Polícia Federal, Procuradoria da República e Tribunal de Contas da União – identificou ‘fraudes grosseiras’ na Universidade Federal do Paraná – como o caso de um cozinheiro de pizzaria que recebeu R$ 318.550 entre 2013 e 2016 e um motorista de furgão que levou R$ 515.450 no mesmo período, ambos sem nenhum vínculo com a instituição. As informações são do Estadão.

Para o delegado Igor Romário de Paula, da PF no Paraná, se houvesse ‘um mínimo de controles internos’ na UFPR seria possível impedir ‘fraudes grosseiras’.

A Operação Research foi deflagrada nesta quarta-feira, 15, e prendeu 27 investigados por desvios milionários de verbas da UFPR destinadas à pesquisa e bolsas de estudo.

Ao autorizar a Research, o juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14,ª Vara Federal no Paraná, apontou para ‘essa vergonhosa fraude milionária, com desvios descarados de dinheiro público destinado à pesquisa acadêmica de alto nível’. Ele destacou que ‘ao longo de, pelo menos, três anos, duas servidoras da UFPR atuaram direta e materialmente para autorizar pagamentos mensais a um grupo de, no mínimo, 27 pessoas que jamais tiveram qualquer vínculo com a Universidade’.

Os auditores do Tribunal de Contas da União – que atuam na 2.ª Diretoria da Secretaria de Controle Externo do órgão no Paraná – alertaram que ‘nenhum dos referidos beneficiários possui vínculo com qualquer universidade federal de ensino, tampouco são servidores públicos na esfera federal’.

“De forma ainda mais agravante, constatou-se que os beneficiários, em sua maioria, não possuem curso superior e exercem profissões tais como cabeleireiro, motorista, cozinheiro etc. e alguns deles ainda possuem cadastro em Programas Sociais do MDS (Ministério do Desenvolvimento Social), figurando como beneficiários de programas sociais”, assinala relatório do TCU.

Paulo Allan Rolland Bogado, que ganhou R$ 357.550, mora em Curitiba e é sobrinho dos também beneficiários Carlos Alberto Galli Bogado (R$ 323.025, residente em Antonina/PR) e Marco Ronald Rolland (R$ 81.000).

“Tem coisa bem pior aqui”, diz auditor do TCU que participa da Operação Research. “Um é assistente administrativo, outro recebe aposentadoria por invalidez, recebeu R$ 739 mil.”

O auditor relata que foi ao gabinete da ministra Ana Arraes, do TCU. “Quando estive no gabinete da ministra Ana Arraes, em novembro, ela perguntou: ‘tem certeza? não tem nenhuma confusão?’”

Os levantamentos junto à Diretoria de Pesquisa e Pós Graduação mostram que os prejuízos podem alcançar R$ 90 milhões no período entre 2013 e 2016.

“É importante destacar que se os controles mínimos fossem exercidos fraudes grosseiras como essa não passariam, teriam sido detectadas”, alerta o delegado Igor Romário. “Se esses controles não forem cumpridos vamos viver sempre nessa situação, a CGU e o TCU vão avisar, a Polícia Federal vai prender os responsáveis e assim por diante.”

O delegado federal observou que a Universidade só informou sobre as irregularidades quando a investigação já estava em curso.”

“A Universidade trouxe sim a informação, com denúncias, com parte dos fatos apurados. Mas
apresentou no momento em que a investigação já estava em andamento. Só trouxe isso porque já vinha sendo fiscalizada pelo TCU.”

Os investigados deverão ser indiciados por crime de peculato (desvio de recursos públicos) e associação criminosa. “Formaram uma espécie de quadrilha para desviar recursos públicos.”


2 comentários

  1. JÁ ERA...
    quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017 – 15:56 hs

    Até a UFPr !? Cadeia neles !!!

  2. eleitor desmemoriado
    quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017 – 16:28 hs

    Estas duas servidoras com certeza estavam seguindo ao pé da letra o que muitos mestres ensinavam em sala de aula aos seus alunos, estavam somente “expropriando” o que achavam ser delas por direito. Depois não havia a mínima fiscalização, porque pouco são os ladrões que já começam roubando milhões, bilhões de reais, eles sempre começam por baixo. Aí quando veem que é moleza roubar vão aumentando a dose, até que um dia a casa cai, como caiu para esta turma. Mas isto é coisa de serviço público mesmo, ” aquela pessoa é de confiança, ponho a minha mão no fogo por ela”. A esta hora já deve ter gente com a mão torrada. Só quero ver a cara do ex-reitor, porque a roubalheira foi durante os reinados dele na Reitoria.

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