Sob vaias, ministro faz discurso contra Raduan Nassar no Prêmio Camões | Fábio Campana

Sob vaias, ministro faz discurso contra Raduan Nassar no Prêmio Camões

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da Folha de S. Paulo

Quando Raduan Nassar chegou ao Museu Lasar Segall, na manhã desta sexta-feira (17), para receber o Prêmio Camões, o autor ganhou um abraço do editor Luiz Schwarcz, que disse:

“Raduan, chegou o dia! Vai passar rápido!”, riu Schwarcz.

Mas devem ter sido longos minutos para Raduan. Pelo visto prevendo que o autor de “Lavoura Arcaica” faria um contundente discurso sobre o governo de Michel Temer, o Ministério da Cultura inverteu a ordem tradicional da cerimônia. Em vez de falar por último, Raduan falou primeiro.

Isso permitiu que o ministro Roberto Freire falasse por último, causando constrangimento geral com uma resposta agressiva à Raduan, que acusou o governo de golpista.

O ministro sugeriu que o escritor não deveria aceitar o prêmio.

“É um adversário recebendo um prêmio e um governo que ele considera ilegítimo”, disse Freire, debaixo de vaias e gritos da plateia.

“Quem dá prêmio a adversário político não é a ditadura!”

O Camões foi concedido a Raduan 17 dias depois de Dilma ser afastada, quando o processo de impeachment foi aberto, em maio do ano passado.

Em seu discurso, além de acusar o governo de golpista, Raduan criticou a nomeação de Alexandre de Moraes para o STF, a prisão recente de Guilherme Boulos e a diplomacia de Temer.

“Mesmo de exceção, o governo que está aí foi posto, e continua amparado pelo Ministério Público e, de resto, pelo Supremo Tribunal Federal”, afirmou o autor, criticando ainda a decisão do STF que permitiu a Moreira Franco virar ministro.

“Em sua decisão, o ministro [Celso de Mello] acrescentou um elogio superlativo a Gilmar Mendes por ter barrado Lula para a Casa Civil. Dois pesos e duas medidas.”

Raduan ainda elogiou a ex-presidente Dilma, a quem chamou de íntegra. “Não há como ficar calado”, concluiu.


5 comentários

  1. Doutor Prolegômeno
    sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017 – 14:26 hs

    Criticou o governo, mas, embolsou o din-din. Afinal, dinheiro, especialmente dólares e euros, não tem coloração política. Devia ter rasgado o cheque infame do governo. Ah, quanta indignação causa o dinheiro….

  2. JOHAN
    sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017 – 16:22 hs

    Caro FÁBIO, democracia é isso, fornecer honrarias para adversários políticos, é a convivência dos antagônicos, respeitando e superando as adversidades. Por outro lado, a rapidez e agilidade do Ministro da Cultura, Roberto Freire, foi de uma habilidade e singeleza que desnorteou o homenageado, um ilustre desconhecido escritor de ficção. . Atenciosamente

  3. FUI !!!
    sábado, 18 de fevereiro de 2017 – 6:09 hs

    Já virou rotina algum brasileiro(a) discursar ou demonstrar repúdio
    político. Isto demonstra neste discurso de Raduan ou a turma de
    brasileiros em Cannes que a mente de artistas brasileiros não sabem
    se comportar em eventos importantes e muito menos ter um mínimo
    de educação que nunca tiveram.

  4. jaferrerg
    sábado, 18 de fevereiro de 2017 – 10:53 hs

    O filósofo Jean-Paul Sartre, por razões diversas, mas seguindo suas próprias convicções, recusou o Nobel de literatura em 1964. Não era um homem rico, mas recusou uma fortuna que é conferida a quem recebe tal prêmio. Que tem convicções deve segui-las. Raduan Nassar é um ótimo escritor, mas peca por não seguir suas próprias convicções.

  5. Recruta Zero
    sábado, 18 de fevereiro de 2017 – 12:37 hs

    Quero o endereço desse esquerdista para exigir que devolva o dinheiro recebido “do governo corrupto e infame” que ele atacou com uma verborragia impar.

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