Eleição dos presidentes do Senado e da Câmara fortalece Temer | Fábio Campana

Eleição dos presidentes do Senado e da Câmara fortalece Temer

Michel-Temer

Ricardo Noblat

Salvo o inesperado, que sempre é possível, mas que, nesse caso, parece improvável, o PMDB elegerá, hoje, Eunício Oliveira (CE) para presidir o Senado no lugar de Renan Calheiros (AL). E amanhã o DEM reelegerá Rodrigo Maia (RJ) presidente da Câmara dos Deputados.

Quem sairá fortalecido com a vitória dos dois será o presidente Michel Temer. Embora esteja rouco de tanto repetir que não se meteu nas duas eleições, foi só o que Temer fez desde o final do ano passado. Oliveira e Maia são seus aliados. E Temer precisa deles para governar.

Oliveira foi uma escolha de Renan, que voltará a ocupar o cargo de líder do PMDB depois de ter sido presidente do Senado três vezes. Temer e Oliveira se entendem muito bem. E Oliveira, antes muito ligado à ex-presidente Dilma Rousseff, votou a favor do impeachment dela.

Maia contou com o apoio de Temer para suceder Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na presidência da Câmara. Cunha foi afastado do cargo por decisão do Supremo Tribunal Federal, e cassado, mais tarde, por quebra de decoro ao se descobrir que tinha dinheiro escondido em contas bancárias na Suíça.

Quem sucede Temer é o presidente da Câmara. E na ausência desse, o presidente do Senado. Oliveira e Maia não terão dificuldade para se eleger. O adversário de Oliveira é inexpressivo. Os dois de Maia parecem incapazes de impedir sua vitória no primeiro turno.

O PT no Senado não lançou candidato e está rachado. Alguns senadores votarão em Oliveira, outros poderão se abster. Essa solução foi construída por Renan junto com o PT à época do impeachment de Dilma. A ex-presidente perdeu o mandato, mas não perdeu seus direitos políticos.

Na Câmara, o PT apoia a candidatura a presidente de André Figueiredo, líder do PDT. E se ali houvesse segundo turno, poderia votar em Jovair Arantes, líder do PTB e ex-relator do impeachment de Dilma. Oliveira e Maia estão dispostos a ceder ao PT uma vaga no comando das duas Casas.

Uma vez mais, a eleição dos dois cargos mais importantes do Congresso, cujos titulares costumam exercer poderosa influência sobre os destinos do país, se dá a larga distância e sem chamar a atenção do distinto público. É tratada como se fosse algo que só interessasse a senadores e deputados.

(foto: divulgação Planalto)


Um comentário

  1. Nosferatu
    quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017 – 17:03 hs

    mais do que lógico, o presidento Dilmo é como a infeliz, tem uma verdadeira predileção por ver-se cercado de calhordas.

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