Depois de Panamá e Peru, Equador bloqueia Odebrecht | Fábio Campana

Depois de Panamá
e Peru, Equador bloqueia Odebrecht

O Equador é o terceiro país a anunciar o bloqueio à empreiteira brasileira Odebrecht. O procurador-geral do país, Galo Chiriboga, anunciou na terça que a Justiça equatoriana proibiu o país a fechar acordos e contratações com a empresa, enquanto é investigada de corrupção e pagamento de propinas junto a agentes públicos.

“À pedido da Procuradoria, como um ato urgente, o juiz de Pichincha resolveu que as instituições se abstenham de celebrar contratos com a Odebrecht”, anunciou a autoridade.

Segundo dados divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, após a Odebrecht fechar um acordo de leniência com as autoridades norte-americanas, suíças e brasileiras, no Equador o esquema envolveu o repasse de US$ 33,5 milhões de pagamentos ilícitos.

Os documentos dos procuradores de Justiça dos EUA e da Seção de Fraude da Divisão Criminal dos EUA apontam que o país foi uma das onze nações a estar arrolada no esquema junto a empreiteira brasileira.

No Equador, a Odebrecht atua há 27 anos e é responsável pelas obras do Aqueduto La Esperanza, com 93 km de extensão, e do Poliduto Pascuales-Cuenca, de 220 km, também está na mira da empresa brasileira, realizando auditoria em contratos desde o ano passado. Somente o metrô de Quito repassa à Odebrecht um montante de US$ 1,5 bilhão.

No ano de 2008, a Justiça equatoriana já expulsou a Odebrecht por irregularidades na construção da hidroelétrica San Francisco, voltando a participar de licitações somente dois anos depois, em 2010.

Quando indícios da Lava Jato indicaram que o esquema também se refletiu no país, a Justiça pediu que o Ministério Público local investigasse os supostos subornos nos contratos milionários.

“Neste momento estou enviando ao Ministério Público uma solicitação para que investigue tudo o que tem a ver com os supostos atos de corrupção da Odebrecht no país”, havia dito o secretário jurídico da Presidência do Equador, Alexis Mera. “Não vamos proteger ninguém, não vamos encobrir ninguém; estamos absolutamente tranquilos do que fizemos. Atuamos com essa companhia de maneira muito rigorosa.”

Agora, o procurador Galo Chiriboga anuncia o bloqueio à empresa, informando que “durante a investigação de contratos da Odebrecht no Equador, as instituições estatais não poderão, temporariamente, contratar esta empresa”.

O Equador é o terceiro país a anunciar o congelamento de novas licitações com a empreiteira. Também na América Latina, Panamá e Peru decidiram pelo bloqueio. Reportagem publicada pelo GGN na última semana revela que se todos os países que mantém negócios investigados de relações corruptas com a Odebrecht paralisarem os negócios, a Odebrecht entrará em falência.

Isso porque a empresa brasileira ocupa o 13º lugar das empresas que mais conseguiram contratos públicos bilionários no ano de 2015, segundo dados da Engineering News-Record (ENR). A Odebrecht possui mais de 70% de sua carteira de lucros com contratos fora do Brasil.


Um comentário

  1. Sergio Silvestre
    quarta-feira, 4 de janeiro de 2017 – 13:44 hs

    E nós imbecis batemos palmas,até parece que acabando com essas construtoras vamos trazer progresso para o Brasil,vamos sim ter atraso em tudo e a corrupção agora é deles,dos outros,.

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