Campeão da roubalheira | Fábio Campana

Campeão da roubalheira

Editorial, Estadão

A história da República registra proezas de cleptocratas extremamente proficientes na arte de meter a mão nos cofres públicos – que o diga a São Paulo dos tempos do ademarismo e do malufismo. O que talvez não se esperasse é que sobre os protagonistas daquelas épocas reinasse agora, impávido, um fantástico “campeão nacional” da roubalheira, cujas proezas levaram à falência todo um Estado da Federação, o Rio de Janeiro: o hoje encarcerado ex-governador Sergio Cabral, em seus melhores dias amigo do peito dos presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff.

De acordo com o que foi até agora apurado pela força-tarefa da Lava Jato no âmbito da Operação Eficiência, o esquema de corrupção comandado por Cabral é simplesmente fantástico: pelo menos US$ 100 milhões foram encontrados em contas no exterior ligadas ao grupo criminoso, dos quais cerca de US$ 80 milhões pertenceriam ao ex-governador, dono também de US$ 1,8 milhão em diamantes que serão igualmente repatriados. Assim mesmo, segundo revelaram procuradores e delegados da operação, “o patrimônio da organização criminosa comandada por Cabral é um oceano não completamente mapeado”. Para o Ministério Público, “as cifras são indubitavelmente astronômicas” e “esses US$ 100 milhões são apenas uma parte do dinheiro do esquema”.

O jornal O Globo revela que Sergio Cabral, em 25 anos de carreira política, fez seu patrimônio crescer gradativamente, sempre por conta de recursos de origem suspeita. Como deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa fluminense, entre 1991 e 2002, inicialmente filiado ao PSDB e depois ao PMDB, Cabral acumulou um patrimônio de US$ 2 milhões em contas no exterior. Como senador, de 2003 a 2006, seu patrimônio não declarado fora do País já era de US$ 7 milhões. Como governador, de 2007 a 2014, a movimentação de suas contas secretas no exterior foi de US$ 152 milhões, o que equivale a inacreditáveis US$ 18,1 milhões por ano de governo. Dinheiro que financiou um alto padrão de vida não apenas para Sergio Cabral e família, mas também para parentes próximos, como um irmão, a ex-mulher e toda uma quadrilha que se encarregava da captação e distribuição dos recursos de origem escusa depositados em 12 contas no exterior.

Essas novas descobertas foram feitas pela Operação Eficiência – e, mais uma vez, não se trata de coincidência – a partir de investigações que tinham como objeto o empresário Eike Batista, que, conforme já havia sido anteriormente descoberto, teria pagado a Cabral propina de US$ 16,6 milhões por “favores” diversos. Por ironia, as novas revelações sobre o ex-governador fluminense vêm a público simultaneamente com aquelas relativas ao empresário, que cinco anos atrás, surfando nas prerrogativas de “campeão nacional” do empreendedorismo a que fora elevado pelo lulopetismo, foi apontado pela revista Forbes como o sétimo homem de negócios mais rico do mundo. Só o BNDES contribuiu com US$ 6 bilhões para os planos mirabolantes de Eike Batista que se revelaram inexequíveis e o acabaram levando à falência.

A prisão de Sergio Cabral e seu bando não chega a ser um consolo para a população do Estado do Rio de Janeiro, que não consegue honrar suas contas, nem mesmo a obrigação elementar de pagar em dia seus milhares de funcionários. Mas, se essa desgraça pode ser atribuída, em boa parte, à corrupção deslavada de quem governou o Estado por mais de sete anos, o conjunto da obra é responsabilidade de um poder central que anos a fio vendeu ao País a ilusão da Pátria Grande lastreada na gastança irresponsável que alimentou programas sociais, necessários, mas insustentáveis, e a ilusão de importantes empreendimentos privados reservados para “campeões nacionais” politicamente escolhidos e descuidadosamente financiados por abundantes recursos públicos.

Essa foi uma experiência dispendiosa e frustrada da qual Eike Batista e seu império de fachada são um triste exemplo. Assim, o título de “campeão nacional”, que o lulopetismo não conseguiu garantir para empreendedores amigos de Lula e Dilma, é ironicamente ostentado agora – finalmente por direito de conquista – por um político corrupto que privava da intimidade do gabinete presidencial.


7 comentários

  1. sábado, 28 de janeiro de 2017 – 19:51 hs

    Hoje no Brasil nao tem um homem,com capacidade,confiabilidade, e coragem de enfrentar esta situação calamitosa que estamos passando,provocado pelos ladroes da maioria dos políticos,que nos inviabilizaram como um Pais independente,surgiu uma mulher ,Carmem Lúcia,QPresidente do STF, que vai fazer a denuncia das delações dos empresários da Odebrech,nos preocupa e com a Seguranca dela,bem como todos os herói brasileiros da Justica e Policia Federal,QParabens,Muito obrigado em nome meu da Familia,e dos meus amigos

  2. sábado, 28 de janeiro de 2017 – 20:00 hs

    Todas as pessoas no combate a corrupacao,precisam urgentemente de Seguranca máxima,porque o trabalho deles e contra uma quadrilha organizada.O Brsil,esta passando o pior momento desde o seu descobrimento. E a maior guerra que temos que enfrentar!

  3. TO DE OLHO
    domingo, 29 de janeiro de 2017 – 1:43 hs

    —-RIO DE JANEIRO- O ESTADO GIGOLÔ DO BRASIL.—–
    A MALANDRAGEM CARIOCA ESTÁ CHEGANDO AO FIM.
    ESTA NA HORA DO BRASIL ABRIR O OLHO COM OS CARIOCAS,
    VIDE> JOGOS PAN AMERICANOS/COPA DO MUNDO E OLIMPÍADAS. SO UM PEQUENO EXEMPLO, NOS INVESTIMOS E O ESTADIO ENGENHÃO FICOU SO ´/ O BOTAFOGO F R.

  4. FUI !!!
    domingo, 29 de janeiro de 2017 – 5:58 hs

    O que assusta é o volume de dinheiro roubado. É literalmente na-
    dar em dinheiro…

  5. Mario Lopes
    domingo, 29 de janeiro de 2017 – 9:15 hs

    A roubalheira é “nacional!” Aqui no Paraná tem ministro que usa a própria saúde em benefício pessoal. Acusado pela Lava Jato e com a PF em seu calcanhar, continua – como seus pares – metendo a mão no jarro. Cafeína pra ele e não um ministério.

  6. Zabra Q Tize
    domingo, 29 de janeiro de 2017 – 12:43 hs

    Rouba-se no Brasil desde os tempos de Cabral. O suborno começou com espelhos, colares e miçangas para os índios. O Brasil é um país de ladroes.
    Os primeiros habitantes eram ladrões desterrados. A política é seara de ladroes.

  7. Indignado 3
    segunda-feira, 30 de janeiro de 2017 – 10:15 hs

    Realmente no Brasil, rouba-se desde os tempos de Cabral. Mas a
    UNIVERSIDADE PETISTA formou DOUTORES renomados na ARTE
    DE ROUBAR.

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