'Tomamos medidas amargas, mas era preciso', diz Beto Richa | Fábio Campana

‘Tomamos medidas amargas, mas era preciso’, diz Beto Richa

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Em entrevista exclusiva ao Bem Paraná, governador Beto Richa diz que Paraná está melhor que outros estados por ter antecipado ajuste fiscal. Leia, a seguir, na íntegra.

Bem Paraná – Estão previstos desdobramentos do ajuste fiscal realizado no Paraná, novas medidas para equilibrar as contas e inclusive dar maior fôlego à máquina pública?

Beto Richa – Iniciamos o ajuste em 2014 e hoje todo o Brasil reconhece os bons resultados conseguidos pelo nosso Estado. Há várias unidades federativas que já decretaram ‘calamidade financeira’. De alguma forma, todos os executivos – governadores e prefeitos – padecem das consequências da mais longa e profunda recessão da história republicana. Porém, o Paraná, que também sofre, está melhor por ter realizado esta reforma, que não foi só fiscal; cortamos custos, diminuímos gastos, aumentamos a eficiência. Foram medidas administrativas com outras politicamente amargas, mas necessárias para reequilibrar as contas e nos dar condições de atender às demandas dos paranaenses. As dificuldades persistem e temos que, permanentemente, agir de acordo com o que nos permite nossa receita e inclusive adotando novas medidas”.

BP – Que novas medidas?

Beto Richa – Por exemplo: encaminhamos à Assembleia Legislativa um projeto de lei, em tramitação, que dá início a mais reformas, para redução de despesas e ingresso de novos recursos para o Tesouro e com foco em maior eficiência. Entre essas medidas, estão a conclusão do processo de extinção do Banco do Desenvolvimento do Paraná (Badep), em liquidação ordinária há 22 anos, e do Centro de Convenções de Curitiba (também em processo de liquidação), a incorporação da Mineropar pelo Instituto de Terras, Cartografias e Geociências, e a restrição das operações da Imprensa Oficial, que ficaria só com as publicações oficiais do governo, sem serviços para terceiros. Se essas medidas forem aprovadas, teremos um impacto positivo de R$ 170 milhões nos cofres do Estado. Projetamos também um corte de 15,9% nas despesas de custeio no orçamento de 2017.

BP – Apesar de não se aplicar diretamente aos estados, o teto de gastos proposto pelo governo federal deve afetar indiretamente os repasses da União para o Paraná. Teme que isso afete os investimentos e programas do Estado para os dois últimos anos de seu mandato?

Beto Richa – Claro que a situação econômica do País pressiona as contas e os projetos estaduais. Mas, é uma hora de responsabilidade de todos. O país é um só. Não tive qualquer dúvida em aderir ao Pacto Nacional, que estabelece princípios e compromissos para a redução das despesas do setor público. Além disso, sabemos que a própria União enfrentará impedimentos em seus programas, o que acabará se refletindo nos Estados. O Paraná já deu exemplo para o Brasil ao se antecipar à crise econômica e fazer seu ajuste fiscal. Agora, damos mais esta contribuição ao País. Defendemos que todas as instâncias de governos – federal, estaduais e municipais – se adequem a uma nova realidade. O momento é de dificuldades e todos devem entender isto. Devemos, contudo, continuar investindo em saúde, educação, segurança, ciência, enfim todas as demandas de cada cidadão, em todos os municípios. O maior desafio dos estados, atualmente, é ampliar a capacidade de investimentos e, para isso, é preciso ação por parte dos gestores. Sem austeridade e pulso firme não se governa.

BP – O que mudou na economia paranaense, do ponto de vista de conteúdo, durante o seu governo?

Beto Richa – Foi importante a desconcentração que houve na economia do Estado, em todos os setores. Um dos nossos principais programas, o Paraná Competitivo, com mais de R$ 45 bilhões em investimentos privados e públicos, é um dos agentes desta mudança. Ele não só contribuiu para a expansão industrial no Estado, mas a disseminou especialmente nas cidades do interior, no maior ciclo industrial da história do Paraná. Esta desconcentração da economia gera um significativo processo de redução das desigualdades e da pobreza.

Bem Paraná – A propósito, o senhor sempre disse que a educação era prioridade de seu governo. Entende que do ponto de vista do magistério tem sido assim?

Beto Richa – Não tenho qualquer dúvida. Apesar de certas lideranças dizerem o contrário, os fatos não permitem interpretação dúbia. Em nosso governo, o magistério paranaense teve reajuste salarial de 82% e a ampliação da hora-atividade em 75%. O orçamento estadual para o setor tem superado o limite previsto por lei, colocando o Paraná como destaque nacional no fortalecimento da educação pública e gratuita. Nos últimos cinco anos, os professores e profissionais da educação do Paraná conquistaram avanços históricos em suas carreiras. A ampliação da hora-atividade, o plano de carreira, o aumento no salário e a estrutura de trabalho são destaques. Só não vê isto quem não quer. E digo mais: sempre que pudermos, melhoraremos as condições de trabalho para os professores e os profissionais da Educação.

BP – E em relação aos outros servidores estaduais, qual a sua avaliação?

Beto Richa – Há em todo o país problemas sérios criados em Estados que, infelizmente, não estão conseguindo pagar os salários dos servidores. O Paraná foi o único estado que concedeu 10,67% de aumento para os servidores públicos. Vamos também equiparar ao piso regional todos os salários que estão abaixo do mínimo estadual. A medida beneficiará 8,3 mil funcionários. Além disso, outros 16,3 mil servidores terão reajuste no auxílio transporte. O que tenho a dizer é que vamos fazer tudo olhando para as necessidades do funcionalismo, mas tudo com muita responsabilidade. Só voltaremos a discutir a data-base e o reajuste anual após pagar as dívidas com o funcionalismo de promoções e progressões. Vamos manter o equilíbrio fiscal e só assumiremos novas despesas a partir da reação da economia. Todos devem entender isto.


5 comentários

  1. SOMBRA
    terça-feira, 13 de dezembro de 2016 – 10:00 hs

    O povo sacrificado.

  2. Barata
    terça-feira, 13 de dezembro de 2016 – 11:14 hs

    Assim fica fácil, faz uma péssima administração e cobra mais imposto para corrigir os erros

  3. Walderez Pohl da Silva
    terça-feira, 13 de dezembro de 2016 – 11:43 hs

    Demagogo!

  4. terça-feira, 13 de dezembro de 2016 – 13:14 hs

    Richa pode ter muitos defeitos mas agiu certo na hora certa.
    Vejam o que os demais estados estão passando, com trabalhadores que só receberão último mês e 13º parcelado em março/ 2017.
    Por isso acho que Richa soube administrar com pulso firme e hoje os servidores do estado estão com os pagamentos em dia.

    O RESTO É CHORO DA OPOSIÇÃO INVEJOSA

  5. Flávio Luiz
    terça-feira, 13 de dezembro de 2016 – 14:29 hs

    Este é o meu Governador, esta sendo o EXEMPLO , dando shou em ADM. Pública. E vai ser Senador , vamos em frente vc já provou que é bom Governador e o Paraná é a prova . Parabéns estamos junto.

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