Grandes negócios, pequenos partidos | Fábio Campana

Grandes negócios, pequenos partidos

Ilimar Franco, O Globo

Os sete grandes partidos — aqueles que têm mais de 30 deputados — receberão juntos uma bolada de R$ 1,7 bilhão, de dinheiro público, caso seja criado o Fundo Eleitoral de R$ 3 bilhões, que está em debate no Congresso.

Esses partidos ficam com a parte do leão do Fundo Partidário, ditribuído a cada ano, e, em 2015, receberam R$ 482,3 milhões. Mas, nos anos eleitorais, de dois em dois anos, reunindo os dois Fundos, vão receber R$ 2,2 bilhões.

Já os 15 partidos com bancadas inferiores a 15 deputados federais receberão juntos R$ 629,4 milhões. O dinheiro entraria na caixa desses partidos a cada ano eleitoral — como neste ano ou no pleito de 2018. E, viria ampliar o que eles já recebem a cada ano do Fundo Partidário, cuja soma em 2015 foi de R$ 170,3 milhões.

Num ano eleitoral, esses 15 partidos receberiam um total de R$ 700,7 milhões — Fundo Eleitoral de R$ 629,4 milhões, além do Fundo Partidário de R$ 170,3 milhões (aos valores de 2015).

Os seis partidos micro-nanicos receberiam, para as eleições gerais de 2018, a bagatela de R$ 111,9 milhões de Fundo Eleitoral e mais cerca de R$ 30,2 milhões de Fundo Partidário. Somando os dois Fundos, esses seis partidos receberiam, de dinheiro público, um total de R$ 142,1 milhões em anos eleitorais.

A Câmara tem hoje representantes de 26 partidos dos 35 existentes. E há outros 56 em formação na fila do TSE. Esses partidos, vendem seus tempos de TV para os grandes partidos, que precisam agregar nanicos às suas coligações para ganhar uns segundos a mais de propaganda. Apesar disso, a quantidade de partidos desmerece o sistema político, alvo de críticas da sociedade, cientistas políticos e até de parlamentares das grandes legendas. Por isso, o Congresso discute colocar um ponto fnal nessa perniciosa realidade e acabar com a farra. A cláusula de barreira e o fim das coligações nas eleições proporcionais estão na ordem do dia.

— Se não fizermos nada (cláusula de barreira), vamos ter 60 partidos. A manutenção das coligações eleitorais é um estímulo a não construir, de fato, partidos políticos — resume o presidente do PSDB, senador Aécio Neves.

Mas os nanicos não estão sós na resistência à realização da reforma política. Eles têm apoio também nos partidos médios, aqueles que elegeram entre 15 e 30 deputados. Sem as coligações, eles seriam afetados e teriam suas sobrevivências ameaçadas a cada pleito.

Em 2014, apenas 6,85% dos deputados eleitos chegaram à Câmara com os próprios votos. Em outras palavras, dos 513 parlamentares, só 35 atingiram número de votos suficiente para serem eleitos sem depender dos partidos e coligações. Os outros 477 foram “puxados” pelos votos de legenda ou de outros candidatos de sua coligação. Até mesmo, nos grandes partidos, há deputados que não se elegeriam sem coligações em seus estados.

— Os senadores não têm compromisso com os partidos. A regra da fidelidade não se aplica a eles — protesta o líder do PTB, Jovair Arantes, que vem sendo chamado pelos tucanos de o presidente do Sindicato dos Pequenos Partidos.

Hoje, a composição da Câmara dos Deputados está classificada assim:

Micro-nanicos (1 a 5 deputados): PRP, 1; PMB, 1; PSL, 2; PEN, 3; PTdoB, 4; e, Rede, 4.

Nanicos (menos de 15 deputados, incluíndo os seis micro-nanicos): Solidariedade, 14; PTN, 13; PCdoB, 11; PPS, 8; PSC, 8; PHS, 7; PSOL, 6; PV, 6; e, PROS, 6.

Médios (entre 15 e 30 deputados): DEM, 28; PRB, 22; PDT, 19; e, PTB, 18.

Grandes (mais de 30 deputados): PMDB, 67; PT, 58; PSDB, 48; PP, 48; PR, 42; PSD, 36; e, PSB, 33.

(charge: thomate)


4 comentários

  1. Alvaro Santos
    quarta-feira, 28 de dezembro de 2016 – 19:01 hs

    Mais uma vez os políticos brasileiros usaram de suas expertises para ludibriar a nação. Este fundo partidário é um acinte à inteligência humana, pois estão orquestrando manter tudo como está com esse número absurdo de 35 partidos que não só existem para receber fundo e vender tempo de televisão. Servem para esconderijo de bandidos deles e de outros partidos. A verdadeira reforma não interessa a ninguém senão a eles mesmo.
    1 ª Fim do voto obrigatório.

    2 ª Uma vez eleito o mesmo tem que cumprir o mandato ou o partido perde a vaga.(Sem essa de substituto)

    3 ª Fim do fundo partidário.

    4 ª Nada de coligações. Sem listas.

    5 ª Fim imediato destas urnas eletrônicas fajutas.

    6 ª Máximo de oito partidos e olhe lá, o partido em que seus membros mijarem na cuíca devem serem extintos.

    7 ª Vereadores, deputados estaduais , federais e senadores só podem serem reeleitos uma única vez.

    8 ª Os partidos serão responsáveis por quaisquer desvio inclusive podendo serem condenados a ressarci-los

  2. VISIONÁRIO
    quinta-feira, 29 de dezembro de 2016 – 5:40 hs

    A reforma política que nunca ocorrerá porque não é do interesse dos
    políticos, deixa uma verdadeira lacuna cerebral que a sociedade pre-
    cisa pensar profundamente. Precisamos acabar com a enormidade
    de partidos que existem hoje e tambem com o fundo partidário. Di-
    nheiro nosso suado e extorquido dos brasileiros indo pro ralo na nos-
    sa cara. Se o fundo fosse por exemplo “Fundo da Saúde ou da Pobre-
    sa” não teria um centavo de caixa. É uma vergonha nacional !!!

  3. FUI !!!
    quinta-feira, 29 de dezembro de 2016 – 5:47 hs

    A maior roubalheira é o tal Fundo Partidário. Sabemos de onde vem
    a dinheirama, porem nada sabemos para onde vai. Aliás, sabemos
    sim !!!

  4. clarice franze
    quinta-feira, 29 de dezembro de 2016 – 16:29 hs

    MAS ME DIGAM…..EXPLIQUEM, QUE QUERO ENTENDER……

    POR QUE ESTE ATREVIMENTO?

    EM TUDO O QUE JÁ FOI EXPOSTO DA PARTICIPAÇÃOÇÃO, CONIVÊNCIA, TODA ABERRAÇÃO QUE ESTÁ ENVOLVIDO ESTE VAGABUNDO E TODO O SEU CLERO, CADE A JUSTIÇA PARA METE-LO NA CADEIA? OS COMPARSAS ESTÃO PRESO POR PARTICIPAREM DE TODAS MARACUTAIAS, PORQUE O ALI BA- BA TAMBÉM NÃO ESTA. PRESO…..

    ESTÁ AI.LIVRE, DANDO DE DEDO, LIVRE ,LEVE , E RINDO NA NOSSA CARA, NA CARA DE BRASILEIROS, EMPRESAS , LOJAS E DESEMPREGADOS FERRADOS…ENQUANTO ISTO……..BANANA PRA NÓS.

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