"Fizemos o dever de casa", diz Richa | Fábio Campana

“Fizemos o dever de casa”, diz Richa

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Em entrevistas, o governador Beto Richa falou sobre o modelo paranaense para enfrentar a turbulência político-econômica e comentou os rumos do PSDB no governo Michel Temer (PMDB).

Em meio à crise que devasta a economia brasileira, Richa (PSDB), conseguiu, a muito custo político, aprovar um ajuste fiscal pesado que pôs em ordem as contas públicas do Estado. As medidas impopulares tiveram início em dezembro de 2014, quando o país ainda estava anestesiado com as promessas de redenção econômica apresentadas na campanha que reelegeu Dilma Rousseff à Presidência da República. “Eu não me arrependo de nada. Antecipamos o cenário ruim e fizemos o que era necessário”, diz.

O governo, desde então, vive em permanente embate com servidores públicos, mas não cede às pressões. “Está mais do que na hora de o interesse público se sobrepor aos interesses individuais e corporativos”, afirmou.

Abaixo, a íntegra da entrevista feita pelo jornalista Denian Couto.

Como os Estados serão afetados pela PEC do Teto?

A PEC do Teto foi uma boa iniciativa. Era imperioso impor limites aos gastos desenfreados, escandalosos até. No Paraná, porém, isso pouco nos atinge. Nós fizemos o dever de casa. Nós equilibramos os gastos públicos, honramos nos-
sos compromissos e pagamos em dia os servidores. É o único Estado do Brasil a dar reajuste ao funcionalismo, de 10,67%. Em todos os demais Estados, sem exceção, o reajuste foi zero. E vamos fechar 2016 com investimentos recordes da ordem de R$ 6 bilhões.

O seu governo suspendeu o pagamento do reajuste dos servidores previsto para janeiro.

Em função da crise, as arrecadações foram reduzidas drasticamente. Não teria como pagar o reajuste agora em janeiro, porque ainda há as promoções e progressões, o que totalizaria R$ 3,5 bilhões. Há de se ter compreensão. O reajuste não foi cancelado, nós o suspendemos temporariamente conforme o desempenho da economia. Tendo dinheiro, será pago o reajuste. O que não se pode é penalizar a população, tirar recursos da saúde, da educação, da segurança pública para alimentar ainda mais o reajuste aos servidores que foram expressivos no meu governo. Professores, por exemplo, receberam cerca de 126% de reajuste, 46% de ganho real, ou seja, acima da inflação. Quem ganhou isso na sociedade? Está mais do que na hora de o interesse público se sobrepor aos interesses individuais e corporativos.

O ajuste fiscal no Paraná foi duro. A população teve de pagar um aumento de tributos para melhorar a situação do Estado.

Muito duro, eu reconheço. O ajuste deu certo porque toda a sociedade participou. Nós mexemos em dois impostos. No IPVA, a alíquota era 2,5% e passou para 3,5%, índice que estava defasado em comparação com outros Estados. E mexemos também no ICMS do varejo que era de 12%, enquanto a média nacional é de 18%. Com isso, com esse realinhamento, aumentamos a re-
ceita do Estado em 2%.

A população fez a sua parte. Mas e o governo?

Nós diminuímos despesas do Estado em 7,5%. Eliminamos cinco secretarias e mais de mil cargos em comissão. Segundo o IBGE, o Paraná é o Estado brasileiro com o menor número de comissionados. Além disso, renegociamos contratos. Essas medidas fizeram reduzir muito o custeio da máquina pública.

Sobre o cenário nacional, o senhor acha conveniente o PSDB integrar o governo Michel Temer?

Eu acho que sim. Muitos questionam, dizem que seria uma ousadia do PSDB se atrelar a esse governo. É verdade que seria até cômodo e confortável o partido ficar assistindo de camarote o desempenho do governo federal sem participar dele. Entretanto, o PSDB acha, por ter participado ativamente da aprovação do impeachment da presidente Dilma em sintonia com o desejo da grande maioria dos brasileiros, que temos a responsabilidade de ajudar na governabilidade e na condução do país, até porque o PSDB hoje tem os melhores quadros da política nacional.

O senhor teme efeitos da delação premiada dos executivos da Odebrecht sobre nomes do PSDB?

Não há dúvida que nós temos hoje uma grande instabilidade política. Isso acaba atrapalhando o funcionamento das instituições, gera uma desconfiança no mercado e isso é muito ruim para recuperar a economia e gerar empregos. Cada vez que a gente acha que as denúncias estão se encerrando vem uma nova leva de notícias. Acho que tudo deve ser profundamente investigado e havendo a constatação de culpa e de crimes cometidos todos devem ser punidos sim, com todo o rigor da lei, até para dar exemplo para que nunca mais aconteça nesse país uma corrupção institucionalizada como aconteceu no governo anterior.

Para 2017, o senhor vê o cenário econômico brasileiro com reserva ou otimismo?

Apesar dessa gravíssima crise, as projeções indicam uma leve melhora para o ano que vem. No entanto, as medidas de austeridade devem ser permanentes, com redução de gastos e de despesas. A população não pode ser punida com redução de investimentos. O quadro não é otimista, mas o Paraná investirá R$ 8 bilhões em 2017. Nosso ajuste foi muito bem sucedido. O Paraná tem hoje a melhor situação econômica e fiscal do país.


7 comentários

  1. Flávio Luiz
    segunda-feira, 26 de dezembro de 2016 – 17:06 hs

    É isto aí meu Governador, o povo do Paraná ( maioria) vai reconhecer ainda seu trabalho e te por lá no Senado pra nôs representar, merecidamente.

  2. Palpiteiro
    segunda-feira, 26 de dezembro de 2016 – 19:03 hs

    Mas ficaram em recuperação. O efeito Orloff atingirá todos os estados. Esta turma apenas barrigou o resultado.

  3. LUIZÃO
    segunda-feira, 26 de dezembro de 2016 – 20:17 hs

    É tudo blá blá blá, governo de falácia, procurem no dicionário, não precisa dizer mais nada. Cortou mais de 200 cargos em comissão das universidades, mas não cortou nenhum dos mais de 4000 cargos da adm direta. Ex: Na Sercomtel foi extinto o cargo de vice-presidente para fazer economia. Ato contínuo, criou a Diretoria Administrativa para manter a boquinha de alguém a
    distante, um zero a esquerda. Ou seja, extinguiu um cargo que não serve para nada, na realidade uma sinecura ( onde se trabalha de menos mas ganha muitíssimo bem) e deu de presente outro carguinho para ela fazer um pé de meia. Aliás o Kirreff criticou a manobra, mas, parece que a COPEL e quem manda na SERCOMTEL. Muito cuidado Marcelo, pois ao meu ver ela está cagando e andando p a Telefônica. Prova disto é que não permite que a SERCOMTEL seja contratada para atender os órgãos públicos de Paraná, que seguramente iria tirar a empresa do buraco. Temos que impor autoridade, pois a prefeitura de Londrina possui 55% das ações da SERCOMTEL. Seja agora o novo protagonista, Dr Hosken de Novaes criou a SERCOMTEL do nada, e vc tem a oportunidade de elevar esta empresa ao patamar que ela merece.

  4. medonho
    segunda-feira, 26 de dezembro de 2016 – 21:26 hs

    Favorável que o Beto privatize empresas públicas, sanepar, copel, e etc…. O estado tem de concentrar se em suas atividades fins, no interesse coletivo e bem estar social.
    Sabemos claramente das centenas de milhões em serviços terceirizados, neste aspecto entram interesses difusos, que perpetuam os partidos em suas ambições políticas.
    Quando deveria existir maior controle, mas quem controla? se estão nas mãos dos que tem o poder…. UM CICLO, que poderia ser quebrado em caso de algum exagero ou denuncia.

  5. ceara
    segunda-feira, 26 de dezembro de 2016 – 21:46 hs

    Mentiiiiira

  6. Servidor Publico
    segunda-feira, 26 de dezembro de 2016 – 23:23 hs

    Nunca será, jamais será.

  7. Funcionário da Silva
    quarta-feira, 28 de dezembro de 2016 – 8:24 hs

    Mentiroso. Fez na marra, fez pq foi incompetente, deixou roubarem, foi conivente (primo Luiz Abi, Publicano, Quadro Negro, etc….). Tem secretário que foi nomeado para ter foro priviligiado (Ezequias). No Gabinete tem assessores demais e trabalho de menos, é só o MP ficar por lá.
    Pague o que prometeu seu mentiroso!
    Dependendo de mim irá amargar processo na 1a. instância, sem foro piviligiado.
    Álvaro que venha para o Governo e Osmar p/o Senado, menos uma vaga, a outra nós tiramos dele, mesmo que seja para dar ao DEMO, mas este cara não merece.

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