A arte de enganar os pobres | Fábio Campana

A arte de enganar
os pobres

unnamed
Mary Zaidan

Sem ter conseguido seduzir com o discurso do “golpe”, o PT – maior derrotado nas urnas municipais — tateia em busca de motes para reaglutinar a sua turma. Atira para todos os cantos e, com insistência e determinação, atinge o próprio pé, gangrenando o pouco que restava da biografia do partido e de seus líderes.

Pisam e repisam na tese delirante de conluio entre a elite e a mídia monopolizada. Uma conspiração fantástica capaz de unir na mesma seara a Lava-Jato e os endinheirados que agonizam atrás das grades para manter o poder perpétuo do PT e dos seus. Agora, se fixam na demonização da emenda constitucional que limita gastos públicos, aprovada na comissão especial por ampla maioria – 23 x 7 –, com chances de ser decidida nesta semana pelo plenário da Câmara dos Deputados.

Apelidada pelo PT e o “campo de esquerda” como PEC da Morte, a emenda ganhou versões tão fantasiosas na boca dessa trupe que chegam a ser perigosas. Nas redes sociais, entre críticas engraçadas e mentiras deslavadas, dizem até que o governo Michel Temer acabou com o 13º salário e que na reforma previdenciária os “velhinhos” com menos de 70 anos terão seus benefícios suspensos.

A má-fé oficial não é menor do que a irresponsabilidade anônima ou de perfis falsos e contratados para as redes sociais. Sobre a PEC do Teto, por exemplo, o deputado Henrique Fontana (PT-RS) disse que ela vai aumentar o desemprego e a desigualdade social. “Vai piorar a saúde, a educação, a assistência social e a segurança pública”. Patrus Ananias (PT-MG) foi ainda mais enfático: “Os ricos ficarão mais ricos e os pobres mais pobres”.

Além de brigar com a lógica de que não se pode gastar mais do que se arrecada, a direção do PT, suas lideranças e admiradores fazem chacota dos pobres que dizem defender. Empenham-se em raciocínios mirabolantes, falseiam números, mentem.

Dados divulgados na quinta-feira informam que, ao contrário do que propala Ananias, os pobres já estão cada vez mais pobres e os ricos mais ricos.

Análises do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), feitas a partir das declarações de IR de 2014, apontam que a renda do topo da pirâmide cresceu 9% contra 2% dos que recebem até 5 salários mínimos. Pior: ainda no primeiro mandato da presidente deposta Dilma Rousseff, os que receberam até meio salário mínimo comprometeram 1,17% de seus ganhos quase inexistentes com impostos, número escandalosamente maior do que o dos que têm renda superior a 120 salários, que só pingaram 0,03% na boca do Leão.

Os pobres, que na festa do consumo patrocinada pelo ex Lula e por sua pupila parcelaram suas vidas em até 60 prestações, foram os que mais sentiram na pele o tamanho do engodo. Batizados de nova classe média, muitos deles estão sem emprego, na penúria. Respondem por inadimplência crescente, hoje superior a 52%.

Na saúde, setor que segundo o deputado Fontana será arrasado com o equilíbrio das contas, o país amarga crise sem precedentes. De 2010 a 2015, a oferta de leitos no SUS caiu 7,5%, de 50,1 mil para 48,4 mil – 1,6 mil leitos a menos, de acordo com o Conselho Federal de Medicina.

Sem emprego, salário e dinheiro no bolso, o brasileiro superlotou o sistema público de saúde. O SUS, que já não conseguia dar conta da demanda, herdou 1,6 milhão de pacientes que abandonaram os planos de saúde complementar.

Cenário catastrófico se verificou também na educação. Com o acirramento da crise econômica que a presidente deposta fermentou, ela mesma se viu forçada a cortar R$ 10,5 bilhões – 10% da verba do MEC -, enterrando o lema marqueteiro “Pátria educadora”. Na segurança pública, a redução de investimentos foi constante, totalizando mais de R$ 20 bilhões em 13 anos.

Um legado diabólico, dificílimo de ser exorcizado.

Despidos moral e politicamente, flagrados com a mão na botija e enricados com o dinheiro dos pobres que diziam defender, líderes da sigla tentam, com palavrório, driblar a história. Mas quanto mais se mexem mais se enterram. Os resultados do primeiro turno das eleições municipais não deixam dúvidas.

(foto: arquivo/google)


8 comentários

  1. Diego
    domingo, 9 de outubro de 2016 – 15:45 hs

    É a tática do “chame-os do que você é, acuse-os do que você faz”. Funciona muito bem entre os ignorantes.

    O povo é até certo ponto ignorante, mas o suficiente a ponto de ser masoquista. Enquanto essa turma for creditada como causante do colapso econômico, o que de fato é, ela vai minguar até morrer.

    O que não vai morrer é o discurso. Este se unirá em novos rostos, transmutados em paladinos da justiça e defensores dos pobres, contra a mesma dita elite branca acompanhada da mídia manipuladora.

  2. AMO
    domingo, 9 de outubro de 2016 – 16:33 hs

    Acho é pouco pra acredita nesses vagabundos, sofram, bando de otarios.

  3. eleitor desmemoriado.
    domingo, 9 de outubro de 2016 – 17:31 hs

    Só sendo muito cordeiro para acreditar no discurso pestista. mas de otários Pindorama ainda está cheia.

  4. Do Interior...
    domingo, 9 de outubro de 2016 – 21:12 hs

    O PT é o maior mal do Brasil.

    As mentiras citadas por Mary são diariamente repetidas por blogs de esquerda, revistas pagas e principalmente pelos sindicatos filiados à CUT, TODOS PETISTAS.

    E a mentira é tão bem tramada que, visitando o facebook de funcionários da Caixa EconOmica Federal e dos Professores, verifica-se que a estratégia está dando certo. Os professores, por sua vez, destilam seus venenos nos alunos e por aí vai a safra de cérebros cada vez mais tendentes ao esquerdismo idiota, burro e falido.

    Infelizmente não estaremos livres tão cedo deste mal.

    Tomara que os próximos governos façam a única coisa que dá um jeito nisso: acabar com a contribuição obrigatória e acabar com a reeleição dos que trabalham nos sindicatos. Tem pessoas que fazem parte do sindicado lá há 30 anos e não sabem o que é trabalhar. E os empregados também caem no que os sindicatos falam.

    Mal sabem os trabalhadores que os sindicalistas levam a maior grana para inflar os trabalhadores contra qualquer governo que não seja de esquerda.

  5. FUI !!!
    segunda-feira, 10 de outubro de 2016 – 6:57 hs

    As costumeiras duas faces que todos os políticos possuem exacer-
    bam-se nas épocas pré eleitorais. Quae político gosta de pobre !?
    Assim, em campanha todos são amigos incondicionais da pobreza,
    encontram soluções mágicas para a saúde e saneamento e assim
    vai… Quer escolher um bom político ? Observe o seu comportamen-
    to bem longe das eleições e defina. Assim pelo menos a sua cons-
    ciencia estará tranquila…

  6. Viezzer
    segunda-feira, 10 de outubro de 2016 – 10:29 hs

    E não é que o amalucado Olavo estava certo. O PT daria perca total no país caso assumissem o poder e iria financiar ditaduras comunistas espalhadas pelo mundo.

  7. Astor
    segunda-feira, 10 de outubro de 2016 – 10:39 hs

    PILLLLLLLLLLAAAAAAAAANNNNNNNNTTTTTTTTTRAAAAAAASSS
    TODOS

  8. Diego
    segunda-feira, 10 de outubro de 2016 – 14:15 hs

    Viezzer, essa sempre foi a estratégia do Foro de Sâo Paulo. Está tudo lá. Pra quem sabia, nenhuma surpresa.

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*