Repetição, contradição e o afastamento definitivo | Fábio Campana

Repetição, contradição e o afastamento definitivo

FR e MR recebem prefeito Cidão de Douradina

Marcello Richa

O discurso e as respostas de Dilma Rousseff aos questionamentos dos senadores foi um retrato fiel de como foi todo o julgamento do impeachment: uma repetição do fictício discurso de golpe contra evidências concretas de que o processo respeita a Constituição e que houve, de fato, violação da lei Orçamentária e de Responsabilidade Fiscal, que constituem crime de responsabilidade.

Durante seu longo discurso de 45 minutos, Dilma disse que reconhecia seus erros com humildade, mas em nenhum momento admitiu falhas em sua gestão e culpou todos que apareciam pela frente pelos problemas que levaram o Brasil a maior crise econômica de sua história. Perdida em suas contradições, voltou a usar uma suposta crise mundial para justificar a derrocada, desde 2013, da economia brasileira, mas ignorou que o resto do mundo cresceu 11% nesse período, de acordo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Desvalorizando a questão dos crimes de responsabilidade, Dilma afirmou que apenas os eleitores podem afastar um governo pelo “conjunto da obra”. Pareceu querer esquecer que foi exatamente isso que aconteceu com as inúmeras manifestações contra sua gestão, incluindo a maior da história do nosso país, que levou mais de três milhões de pessoas as ruas. E não faltaram motivos para a realização dos protestos.

Pela primeira vez desde 1992 vivemos uma queda de renda acompanhada com aumento da desigualdade. Enfrentamos dois anos seguidos de recessão, com índices recordes de desemprego, mais de quatro milhões de pessoas saindo da classe C para a D, uma deterioração contínua das contas públicas, queda de confiança do mercado, aumento da inadimplência e a maior inflação dos últimos 12 anos. Dilma afirmou que o impeachment irá destruir as conquistas passadas, mas os dados mostram que foi o governo dela que tratou de sepultá-las.

Nesta quarta-feira (31), o senado encerrou o julgamento do impeachment e, por 61 votos contra 20, confirmou o afastamento definitivo de Dilma Rousseff da presidência. Um resultado já esperado por tudo aquilo que foi apresentado durante as etapas do processo e que marca o início de um novo momento para o país, que terá uma longa e difícil jornada pela frente para recuperar sua economia e credibilidade, levadas ao fundo do poço pelo governo petista.

No final, apesar da gigantesca crise que causaram ao Brasil, das irrefutáveis provas de crime de responsabilidade, dos protestos populares e da legalidade jurídica do impeachment, não há dúvidas que Dilma e seus aliados irão manter e repetir à exaustão que houve um golpe e que foram vítimas de uma conspiração. Jamais reconhecerão que não há quem culpar além da incompetência da própria gestão, que não respeitou a Constituição e, preocupada exclusivamente com seu projeto de poder, não fez justiça ao voto de confiança que recebeu da população.

Marcello Richa é presidente do Instituto Teotônio Vilela do Paraná (ITV-PR)

(foto: Guilherme Dala Barba)


2 comentários

  1. Atento da Silba
    quinta-feira, 1 de setembro de 2016 – 8:15 hs

    O vento que bate lá bate aqui também. Qual a semelhança entre Dilma e Beto?
    Os dois quebraram e culpam os outros pela incompetencia.
    Richa tenta se reerguer com o Greca seu adversário desde 2002.
    Valha-me Deus

  2. Angelo Antonio
    quinta-feira, 1 de setembro de 2016 – 9:31 hs

    Gleisi tinha razão qdo disse que o senado não tem moral. Vergonha, vergonha, tem que voltar pra rua contra tudo isso. Corrupção de a a z, Poder Judiciário mostrando que ta bem juntinho com a corrupção. Moro é uma das raras e honrosas exceções

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