No Paraná, está nascendo a grande "Universidade das Artes" | Fábio Campana

No Paraná, está nascendo a grande “Universidade das Artes”

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Aroldo Murá

Eu estava certo quando noticiei semanas atrás que o governador Beto Richa tinha entregue a seu assessor especial Paulino Viapiana o comando, na prática, do mais ambicioso projeto cultural de sua administração, a que denominei de “embrião da Universidade das Artes”.

Hoje vou adiante no tema: a ideia é mesmo de o governo criar uma universidade das artes, na prática. O nome oficial é que será menos altissonante, mas sem perder o impacto e a relevância históricos que a iniciativa envolve. Isto é o que pretendeu o governador Beto Richa, ao criar, pelo decreto 50 37, de 15 de setembro, a Comissão de Trabalho que desenvolverá e organizará estudos com vistas à criação do Centro de Artes e Cultura Rebouças, em Curitiba.

PRIMEIRAS DECISÕES

Já no dia 5 de outubro, quarta-feira, a Comissão de Trabalho fará a sua primeira reunião. Nela traçará os primeiros esboços daquele que será o futuro Centro de Artes e Cultura Rebouças, definindo sua modelagem física, no enorme espaço da antiga fábrica da AmBev, no Rebouças, 35 mil metros quadrados de área, envolvendo quatro ruas: Avenidas Getúlio Vargas e Iguaçu; e Ruas João Negrão e Rockfeller.

“ARS GRATIA ARTIS”

Muito além da modelagem física do Centro de Artes, a comissão de notáveis mestres e especialistas em temas culturais deverá dizer exatamente quais serão as linhas de ação da instituição que reunirá atividades da FAAP (Faculdade de Artes do Paraná) e Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embai), hoje partes da Unespar, a Universidade do Estado do Paraná, cuja reitoria fica em Paranavaí.

Da enorme construção que por anos lá sediou a indústria da Brahma, pouco deverá ser aproveitado para constituir o Centro de Artes.

A chaminé, imponente marco de uma época que obrigatoriamente associava a fumaça à indústria, será mantida.

OS CUSTOS

Beto Richa, cujas habilidades para se manter na crista da onda política não são poucas – tal como se vê agora com os bons resultados do ajuste fiscal do Estado – já deve estar providenciando recursos para o Centro de Artes. A sua construção e a implantação, a custos de hoje, podem chegar a R$ 30 milhões. O valor é compatível com a obra que quase nada manterá da construção da ex-AmBev, e com moderníssimas instalações especiais.

CURSOS LIVRES

Dos exemplos de modernidade do espaço cultural serão os estacionamentos subterrâneos e um sem número de serviços abertos à comunidade, como cursos livres (de acesso a todos, independentemente de pré-requisitos|), nas áreas das artes visuais, música, artes plásticas, teatro, literatura, etc.

Os aficcionados de cinema terão acesso a salas multiplex, além de restaurantes e lanchonetes. O lazer combinado com educação artística conviverá em espaços como salas de exposições de artes.

Paulino Viapiana sabe que é cedo para arriscar detalhes. Ele – representando o Governo na Comissão – tem uma ideia dos objetivos, das intenções mais ou menos uníssonas que modelarão a nova instituição.

ARQUITETURA

Por exemplo, para garantir uma seleção de projeto acima de questionamentos, a intenção do Governo, diz Paulino, é contratar o IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil), Com notória qualificação, o Instituto será dispensado de licitação e irá definir as regras do concurso arquitetônico do Centro.

A definição do IAB será naturalmente, examinada pela comissão de notáveis.

EM 2017

Uma coisa é certa: no começo de 2017 o Governo do Paraná deverá começar a construção do espaço físico do Centro de Artes e Cultura Rebouças. E em 2018, vai inaugurá-lo.

Os passos essenciais seguirão os ritos oficiais: a comissão de notáveis logo estará em ação; o documento básico será um dos primeiros resultados que a comissão apresentará; depois, o Governo ouvirá obrigatoriamente a Unespar (a que estão afetos a Embap e a FAAP), e também o Conselho Estadual de Educação (CEE).

Depois desses passos, acontecerá o “pode” do Governo para o início das obras.

“PEDREGOSO”

Paulino Viapiana, que tem um bom currículo de comando de áreas culturais em instituições importantes – foi presidente da Fundação Cultural de Curitiba e secretário de Estado da Cultura, posição que deixou para assumir a Comunicação Social de Beto Richa -, não foi superlativo ao abordar o assunto comigo, ontem.

Prático e com experiência nesse terreno “pedregoso”, enxerga o futuro com objetividade: o Centro surgirá com todos os componentes para gerar grande impacto na comunidade abrangente, com repercussões no futuro do Paraná, garante.

ELES DECIDIRÃO

Esta é a Comissão de Trabalho que vai estudar a implantação dessa “universidades das artes”:

João Carlos Gomes, secretário de Estado da Ciência e Tecnologia e Ensino Superior; Paulino Viapiana, assessor especial do Governador do Estado; Antonio Carlos Aleixo, reitor da Unespar; Marco Antonio Koentopp, diretor do campus Curitiba/Embap; Píer Ângela Nota Simões, diretora do Campus Curitiba II – FAAP -; Débora Alice Bruel Gemin, professora do Campus Curitiba I, Embap; Ana Cristina Fabrício, professora do Campus Curitiba II, FAAP; Mário Portugal Pederneira, representante do Conselho Estadual de Educação; Carlos Eduardo Pijak Junior, representante do Conselho Estadual de Educação; Maria José Justino, e José Roberto Lança, representantes da sociedade civil.

(fotos: arquivo/Google)


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