Isolados, candidatos a vereador de Curitiba entram no corpo a corpo | Fábio Campana

Isolados, candidatos a vereador de Curitiba entram no corpo a corpo

Do José Marcos Lopes, Bem Paraná

A velha máxima de que candidato “tem que gastar a sola do sapato” nunca foi tão verdadeira para candidatos a vereador como neste ano. Com gastos limitados, crise econômica, menos exposição na TV e campanhas pulverizadas na internet, quem busca uma vaga na Câmara Municipal precisa do corpo a copo com o eleitorado para se tonar conhecido e tentar ganhar votos. Curitiba tem um recorde de candidaturas a vereador neste ano: 1.110, segundo o Tribunal Regional Eleitoral.

A minirreforma eleitoral do ano passado estipulou um teto para os gastos, com base no tamanho do eleitorado. Em Curitiba, um candidato a vereador poderá gastar no máximo R$ 465,7 mil na campanha, mas a arrecadação ficou mais difícil, já que as doações de empresas foram proibidas. A propaganda também ficou limitada: os candidatos a cargos proporcionais não entram mais no “blocão” do horário eleitoral, agora limitada aos cargos majoritários (prefeitos, governadores, senadores e presidente). Além disso, os cavaletes nas ruas e muros pintados estão proibidos – dois meios que eram muito utilizados por candidatos a vereador.

A saída, indicam especialistas e candidatos, é percorrer os bairros e falar com a população. Principalmente para os menos conhecidos, que nunca tiveram um mandato ou que concorrem pela primeira vez. “Menos recursos e menos tempo na TV tendem a beneficiar quem já está estabelecido, ou quem tem nome e estrutura”, afirma o cientista político e professor da UFPR Ricardo Oliveira.

Mágica – Para Marcos José Zablonsky, professor da disciplina de Opinião Pública nos cursos de Comunicação da PUC-PR, as novas regras beneficiam os já estabelecidos ou os que iniciaram algum trabalho antes da campanha. “Os que estão buscando a reeleição têm mais possibilidades do que os que não são visíveis. Os que estão fazendo um trabalho de longo prazo têm uma possibilidade melhor, agora terão apenas que trabalhar o número de suas candidaturas”. Ele avalia que os candidatos terão que fazer “mágica” se dependerem da TV. “A tendência é que a campanha fique muito no corpo a corpo”.

É a estratégia adotada pelo candidato Beto Reis, do PSDB. Em sua primeira eleição, o empresário de 43 anos pretende percorrer os bairros do Boqueirão, de Santa Felicidade e do São Braz nos próximos dias. “Minha campanha será 100% no corpo a corpo. A ideia é fazer a campanha com lideranças nos bairros e entregar santinhos de casa em casa”, revela.

Reis, que atua como voluntário no hospital Erasto Gaertner e desenvolveu um projeto para angariar materiais recicláveis e trocar por cadeiras de rodas, também atua nas redes sociais, mas avalia que a maior parte dos votos será conquistada na rua. “É difícil mensurar, mas acho que hoje são uns 30% de Facebook, o resto virá das ruas, das famílias”.

“Sai da rua” – Outra candidata que concorre pela primeira vez e que define sua campanha como “100% corpo a corpo” é a professora Isabelle Félix Pereira, 49 anos, quem em 2002 iniciou o projeto “Piá, Sai da Rua”, para atender crianças em situação de rua.

“A campanha vai ser totalmente na rua. Quando saio para a rua, a população descarrega a ira em relação ao que está acontecendo na política”, diz a candidata do Partido Novo. “Temos que ir para as ruas e explicar que ainda há esperança”.


Um comentário

  1. Dosel Jr.
    terça-feira, 6 de setembro de 2016 – 10:43 hs

    Nesta época, salvador da pátria é o que não vai faltar…antes de decidir seu voto,procure saber de fato, o que o candidato tem a oferecer, como ele mantém sua família, e o que pensa do fato mais horripilante da nossa política: a queda da presidenta Dilma. Por aí já se pode imaginar o perfil dele.

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