Candidatos a prefeitura 'escondem' partidos na campanha eleitoral | Fábio Campana

Candidatos a prefeitura ‘escondem’ partidos na campanha eleitoral

Do José Marcos Lopes, Bem Paraná

Ao mesmo tempo em que os candidatos estão mais próximos do eleitor por meio de plataformas como Facebook e WhatsApp, as campanhas se tornam cada vez mais despolitizadas. É o que mostra um estudo do Meme Monitor Eleitoral, projeto do Grupo de Pesquisa em Atores, Instituições, Comportamento Político e Tecnologias Digitais da Universidade Federal do Paraná (UFPR), feito a partir da análise da propaganda em ambiente virtual dos 221 candidatos a prefeito neste ano nas capitais brasileiras.

A conclusão do estudo é que partidos e coligações estão “escondidos” na maioria das propagandas, enquanto nome, número e imagem dos candidatos são mais destacados. Principal plataforma, o Facebook é utilizado 93,7% dos concorrentes em todo o país. Entre os 207 perfis, 54,3% dão destaque para o número da candidatura; 20,2% destacam a sigla, enquanto 14,4% não fazem menção a ela; 7,7% destacam os símbolos e cores das legendas e só 3,4% dão visibilidade à coligação.

Os sites são utilizados por apenas 41,2% dos candidatos. Destes, 28,9% não fazem menção ao número da candidatura ou à sigla, 39,2% destacam o número e só 5,2% dão destaque para símbolos e cores do partido. No Twitter, o índice de “personalização” das candidaturas é ainda maior: só 10,1% dos perfis priorizam a legenda; 42,1% destacam o número do candidato, 35,2% não citam a sigla partidária e só 6,3% usam as cores e os símbolos do seu partido. Entre os 221 concorrentes, 69,2% mantêm perfis na plataforma.

“A conjuntura de crise de legitimidade dos partidos políticos aos olhos da população leva os candidatos a optarem com mais intensidade por ocultar os partidos e coligações em suas campanhas, gerando um contexto mais desfavorável ainda à institucionalização partidária”, afirma o estudo, coordenado pelos professores Sérgio Braga e Fabrícia Vieira. “Se agregarmos este fenômeno à crescente fragmentação e polarização ideológicas vigentes na democracia brasileira nos últimos anos, não é difícil antever os efeitos que isso terá para os padrões de governança e para a qualidade da democracia brasileira em nível municipal nos próximos anos”.

Número

O estudo mostra que os maiores partidos brasileiros vêm expondo mais os números de suas candidaturas do que o nome das legendas. Estão neste grupo PSDB, DEM, PSB, PDT, Solidaridade, Rede, PR, PSL, PRB, PP, PTB, PHS, PRTB e Partido Novo.

Nos partidos de esquerda são observados dois fenômenos distintos: enquanto as agremiações menores (como Psol, PSTU e PCO) expõem mais seus nomes, as que estavam no governo federal (PT e PC do B) usam seus símbolos tradicionais, mas “escondem” o nome das legendas. “Candidatos de partidos de esquerda anteriormente no governo federal, especialmente PT e PCdoB, também optaram por ocultar a legenda dos respectivos partidos em suas plataformas virtuais”, conclui o estudo.

Entre os fatores que levam os partidos a “esconderem” seus nomes, afirmam os coordenadores do estudo, estão as características do sistema eleitoral brasileiro, “fortemente centrado no candidato, o caráter majoritário das eleições, a natureza ‘customizada’ das próprias mídias sociais, ou mesmo fatores conjunturais, tais como a crise de legitimidade dos partidos políticos e sua má reputação aos olhos do eleitorado”.


Um comentário

  1. segunda-feira, 12 de setembro de 2016 – 17:00 hs

    O texto bate com a realidade que tenho notado aqui em nossa capital. É aquela história: o candidato a vereança está preocupado é com sua propria vitória e nem insiste no voto ao candidato a prefeito de sua chapa. Salve-se quem puder!

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