Plano de saúde popular aliviará gastos do SUS, diz ministro | Fábio Campana

Plano de saúde popular aliviará gastos do SUS,
diz ministro

RicardoBarros

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse hoje (8), durante almoço-debate do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), que a implantação de planos de saúde populares permitirá o acesso de mais pessoas a esses serviços, aumentando a integração hospitalar no país. Segundo Barros, a criação de um plano de saúde com custos menores poderia aliviar os gastos com o financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS). As informações são da Agência Brasil.

Em palestra sobre o tema Gestão transformadora para a saúde pública, Barros disse que os planos ambulatoriais já são autorizados, com a contratação de diversos tipos de modalidade, e que o governo não estabelecerá modelos para os novos planos, cabendo a cada empresa propor seu modelo para o mercado.

“Queremos mais recursos para a saúde e, como estamos nessa crise fiscal, se tivermos planos acessíveis com modelos de que a sociedade deseje participar, teremos R$ 20 ou R$ 30 bilhões a mais de recursos que serão colocados para atendimento de saúde. Isso vai aliviar nosso sistema, que está congestionado”, afirmou.

Na última sexta-feira (5), entrou em vigor o grupo de trabalho criado pelo Ministério da Saúde para discutir e elaborar um projeto sobre o tema. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União. A proposta consiste em oferecer planos de saúde com menos serviços do que o que foi definido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) como cobertura mínima obrigatória. A adesão a tais planos seria voluntária. Responsável pela regulação do setor de planos de saúde, a ANS tem atualmente um rol de procedimentos obrigatórios que as empresas devem oferecer aos clientes.

As operadoras não serão obrigadas a oferecer esse tipo de plano. “Precisamos criar um mecanismo que possa simplificar a regulação para permitir que a oferta de serviço à população seja mais ampla. Quem regula é a ANS, quem fiscaliza é o Procon, e as pessoas aderem, ou não, livremente. Ninguém é obrigado, e quem não está satisfeito não precisa continuar pagando o plano de saúde. É uma questão de oferta e qualidade do serviço e de manutenção dessas pessoas no sistema, que alivia o SUS.”

Barros informou que está convidando todos os atores ligados ao setor para fazer parte do grupo de trabalho e avaliar a proposta de acordo com o que pode ser melhor para esse plano, para que todos possam contribuir para a construção de uma proposta adequada que leve a população a ser atendida sem enfrentar grandes filas. A ideia é resolver o problema com melhora na qualidade no atendimento primário.

Quanto às críticas de especialistas à possibilidade de adesão do consumidor a determinados planos e uma possível necessidade posterior de atendimentos não cobertos pelo plano, Barros observou que isso já acontece atualmente com os planos de saúde existentes. “Esse risco já está no mercado. As pessoas escolhem planos com diferentes coberturas. Não entendo por que os especialistas estão se especializando em criticar o que já está no mercado. Não vai mudar nada, só queremos que a regulação permita menos cobertura e menos custo e que mais brasileiros ajudem a saúde do Brasil.”

O ministro destacou que o rol mínimo existe e que a ideia com essa proposta é colocar um “rol mínimo do mínimo”, para que os planos possam oferecer esses produtos dentro de uma exigência menor. “De qualquer forma, todo brasileiro tem direito ao SUS. Se ele não for atendido no plano, vai ser atendido no SUS igual. O que eu não vejo é como se pode entender que é ruim para o Brasil se houver mais brasileiros querendo colocar algum dinheiro para que o atendimento à sua saúde seja mais ágil. Nós estamos ampliando essa oportunidade.”

Barros ressaltou que não é favorável a qualquer tipo de imposto exclusivo para financiar a saúde e negou que o governo pretenda privatizar o setor, até porque não é possível, de acordo com a Constituição, que prevê que esse é um direito do cidadão que deve ser garantido pelo Estado. Ele disse que pretende melhorar a saúde “fazendo mais com menos”, investindo na melhoria de gestão dos recursos. “Quando estivermos gastando bem o que temos quem sabe teremos moral para pedir mais recursos.”


6 comentários

  1. Paulo
    segunda-feira, 8 de agosto de 2016 – 18:32 hs

    Conversa para boi dormir. Nós já pagamos caro o SUS e não temos um atendimento de qualidade pelo que é arrecadado e também muitos impostos que nos dariam a melhor assistência médica do mundo, se estes políticos não roubassem tudo na mão grande que tem. A questão deste cidadão é fazer lobby para as empresas que exploram os planos de saúde. Ou seja quer faturar e cima do pobre cidadão brasileiro. Por isso eu quero ver Temmer e Cia FORA DO PALÁCIO DO PLANALTO O QUANTO ANTES.

  2. LUIZ EDUARDO HUNZICKER
    segunda-feira, 8 de agosto de 2016 – 18:52 hs

    Com este governo, cuja característica principal éser justo com o povo, possivelmente para aqueles que optarem pela adesão ap magnífico plano popular do Se Ricardo Barros deverão pagar algum imposto a menos, já que aliviarão o SUS. Quero quer que a sensibilidade para com o povo não é o forte deste ministro. Na educação já existe a escola particular. A estratégia do ministro é oferecer um tipo de atendimento à saúde para que, as pessoas, no desespero que já pagam impostos, paguem para um certo atendimento médico. CARA DE PAU. Enquanto isto, as castas privilegiadas que podem pagar bons planos de saúde, tem este atendimento de graça, agregado ao salário já robusto, pago com dinheiro público e nunca se fala em mexer com estas benesses.

  3. lopes
    segunda-feira, 8 de agosto de 2016 – 19:08 hs

    A incompetência é tanta que o Ministro sugere um plano particular! Basta parar de roubar os recursos da saúde publica .

  4. Juscelino o
    segunda-feira, 8 de agosto de 2016 – 19:46 hs

    Só uma perguntinha que não sai da minha mente. O que está escrito na constituição não vale? O estado e o responsável pela saúde pública. Essa história de aliviar os gastos do SUS, e conversa pra boi dormir, isso está cheirando um tremendo golpe sobre a população. Devagarinho o governo tira suas responsabilidades. e o dinheiro dos impostos, vão pra onde? Já que teremos que pagar todas as obrigações que são do governo . saúde, segurança, e educação, estão privatizado tudo.

  5. morador do centro
    terça-feira, 9 de agosto de 2016 – 7:37 hs

    O atual sistema de saúde é desde sua criação uma utopia, o constituinte foi profundamente irresponsável quanto sem apresentar a viabilidade econômica propôs a universalidade, criando uma demanda que não existia e principalmente não prevendo uma transição gradual, no anos em que se passaram viram a judicialização da saúde e uma explosão alternativa de planos de saúde competindo com o SUS, agora nem o usuário do Sistema Único de Saúde ou do plano particular tem acesso fácil e solução para o seu problema de saúde, faltam recursos humanos e financeiros para ambos, lucro ou prejuízo sabe-se quem tem à verdade?

  6. eleitor desmemoriado.
    terça-feira, 9 de agosto de 2016 – 12:40 hs

    Realmente, o presidento precisa mesmo despachar o RB, o cara está se mostrando um tremendo demagogo. Plano de Saúde Popular, é piada mesmo, já existem planos deste tipo mas são muito limitados. Porque então o Governo não incentiva os hospitais filantrópicos a criarem os seus, podendo até terem cobertura nacional, como no caso das Santas Casas. Mas é melhor fazer demagogia que é mais barato e distrai a tigrada desesperada à procura de médico.

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