Ex-presidente da OAS delata ministro do STF Dias Toffoli | Fábio Campana

Ex-presidente da OAS delata ministro do STF Dias Toffoli

dias-toffoli-2016

Robson Bonin, Thiago Bronzatto e Rodrigo Rangel, Veja

Era um encontro de trabalho como muitos que acontecem em Brasília. O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, e o empreiteiro José Aldemário Pinheiro Filho, conhecido como Léo Pinheiro, então presidente da construtora OAS, já se conheciam, mas não eram amigos nem tinham intimidade. No meio da conversa, o ministro falou sobre um tema que lhe causava dor de cabeça. Sua casa, localizada num bairro nobre de Brasília, apresentava infiltrações e problemas na estrutura de alvenaria. De temperamento afável e voluntarioso, o empreiteiro não hesitou. Dias depois, mandou uma equipe de engenheiros da OAS até a residência de Toffoli para fazer uma vistoria. Os técnicos constataram as avarias, relataram a Léo Pinheiro que havia falhas na impermeabilização da cobertura e sugeriram a solução. É um serviço complicado e, em geral, de custo salgado. O empreiteiro indicou uma empresa especializada para executar o trabalho. Terminada a obra, os engenheiros da OAS fizeram uma nova vistoria para se certificarem de que tudo estava de acordo. Estava. O ministro não teria mais problemas com as infiltrações — mas só com as infiltrações.

A história descrita está relatada em um dos capítulos da proposta de delação do empreiteiro Léo Pinheiro, apresentada recentemente à Procuradoria-Ge­ral da República e à qual VEJA teve acesso. Condenado a dezesseis anos e quatro meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no escândalo do petrolão, Léo Pinheiro decidiu confessar seus crimes para não passar o resto dos seus dias na cadeia. Para ganhar uma redução de pena, o executivo está disposto a sacrificar a fidelidade de longa data a alguns figurões da República com os quais conviveu de perto na última década. As histórias que se dispõe a contar, segundo os investigadores, só são comparáveis às do empreiteiro Marcelo Odebrecht em poder destrutivo. No anexo a que VEJA teve acesso, pela primeira vez uma delação no âmbito da Lava-Jato chega a um ministro do Supremo Tribunal Federal.

No documento, VEJA constatou que Léo Pinheiro, como é próprio nas propostas de delação, não fornece detalhes sobre o encontro entre ele e Dias Toffoli. Onde? Quando? Como? Por quê? Essas são perguntas a que o candidato a delator responde apenas numa segunda etapa, caso a colaboração seja aceita. Nessa primeira fase, ele apresenta apenas um cardápio de eventos que podem ajudar os investigadores a solucionar crimes, rastrear dinheiro, localizar contas secretas ou identificar personagens novos. É nesse contexto que se insere o capítulo que trata da obra na casa do ministro do STF.

Tal como está, a narrativa de Léo Pinheiro deixa uma dúvida central: existe algum problema em um ministro do STF pedir um favor despretensioso a um empreiteiro da OAS? Há um impedimento moral, pois esse tipo de pedido abre brecha para situações altamente indesejadas, mas qual é o crime? Léo Pinheiro conta que a empresa de im­per­mea­bi­li­za­ção que indicou para o serviço é de Brasília e diz mais: que a correção da tal impermeabilização foi integralmente custeada pelo ministro Tof­fo­li. Então, onde está o crime? A questão é que ninguém se propõe a fazer uma delação para contar frivolidades. Portanto, se Léo Pinheiro, depois de meses e meses de negociação, propôs um anexo em que menciona uma obra na casa do ministro Toffoli, isso é um sinal de que algo subterrâneo está para vir à luz no momento em que a delação for homologada e os detalhes começarem a aparecer.

(foto: Carlos Humberto/STF/Veja)


6 comentários

  1. Matuto Feioso
    domingo, 21 de agosto de 2016 – 11:26 hs

    E se Toffoli apresentar os recibos de pagamento das obras, assinados pela construtora? Afinal, na época ninguém falava que estavam assaltando o país, de sorte que você não pode ser acusado de corrupção só porque contratou os serviços da OAS!!! Ou pode?

  2. Larry de Camargo V Nascimento
    domingo, 21 de agosto de 2016 – 12:14 hs

    Este ministro era do PT?

  3. domingo, 21 de agosto de 2016 – 15:21 hs

    Esse Dias Toffoli é um crápula. Cria do PT. Foi posto no cargo pelo ladrão Lula. Ele deixa-se aparentar de mais idade para passar imagem idônea junto a seus pares no STF. Não tem currículo compativo com a função que exerce.
    Essas são minhas opniões a respeito desse indivíduo. Espero que algum honesto proponha Lei para desimacular o Supremo Tribunal Federal no caso aqui , à composição de Ministros de Justiça .

  4. PIXULEQUINHO
    domingo, 21 de agosto de 2016 – 15:45 hs

    .
    A COBRA VAI FUMAR …!!!

  5. Zé Ninguém
    domingo, 21 de agosto de 2016 – 19:09 hs

    É, e daí, o cara vai perder a boquinha de juiz ou vai ficar o dito pelo não dito? Como corvo não come corvo vai ficar a delação pela delação. E estamos combinados.

  6. JÁ ERA...
    segunda-feira, 22 de agosto de 2016 – 6:50 hs

    Uma boa parcela dos Ministros do STF foram indicados pelo PT
    com “sábias” intenções. Alguma dúvida !?

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