Presidência da Câmara é incerta com indicação da base | Fábio Campana

Presidência da Câmara é incerta com indicação da base

CAMARA

Dividida entre várias candidaturas e em um cenário de incertezas, a base parlamentar do presidente interino, Michel Temer (PMDB), elegerá nesta quarta-feira (13) o novo presidente da Câmara para cumprir um mandato-tampão até 1º de fevereiro de 2017. As informações são da Folha de S. Paulo.

O gesto do PMDB de lançar um candidato, o ex-ministro de Dilma Rousseff Marcelo Castro (PI), aumentou as dúvidas em torno de quem sairá vitorioso.

Diante da pulverização de nomes – 14 até o início da manhã desta quarta (13)–, o Palácio do Planalto tentará até o último momento um consenso, que pode até ser alguém fora hoje da lista de cotados.

A preferência de Temer e seus aliados é pelo deputado Rogério Rosso (PSD-DF), que chega à esta quarta-feira na dianteira em relação aos demais concorrentes.

O ex-governador-tampão do Distrito Federal tem apoio também da maioria do “centrão”, grupo de partidos médios e pequenos, e do ex-presidente da Casa Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que luta para não ter o mandato cassado por acusação de envolvimento no petrolão.

Rosso enfrenta resistências em setores do “centrão” e adversários afirmam que ele pode se inviabilizar durante o dia devido à acusação de uma testemunha de que recebeu propina no caso conhecido como “mensalão do DEM”. Ele nega envolvimento.

Figuravam até esta terça como principais concorrentes dele no provável segundo turno o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), ex-aliado que agora tenta se firmar como candidato anti-Cunha, Marcelo Castro (PMDB-PI) e Fernando Giacobo (PR-PR). O Planalto tenta, sobretudo, evitar a vitória dos dois últimos, considerados como “não confiáveis”.

Para surpresa do Planalto, a maioria da bancada do PMDB lançou a candidatura de Castro, ex-ministro de Dilma Rousseff, que imediatamente recebeu o apoio do PT e dos aliados da presidente afastada.

Publicamente o Planalto diz que até Castro será um nome bem-vindo, mas eventual vitória dele, mesmo sendo um nome do PMDB, constrangerá o governo e será no mínimo uma evidência de que Temer não terá vida fácil no Legislativo se permanecer no poder após a definição do impeachment de Dilma.

Seja qual for o nome a vencer, a pauta legislativa que a Câmara irá tocar de agora até fevereiro do ano que vem é cercada de incertezas. O Congresso entra em férias na próxima semana e, em tese, volta aos trabalhos em agosto.

O “em tese” se justifica pelo tradicional “recesso branco” que acontece nos meses que antecedem as eleições. Os deputados esvaziam Brasília para se dedicar à disputa em seus redutos.

A maioria dos principais candidatos a presidente da Câmara afirmam que vão trabalhar pelo reforço da independência do Parlamento e pela pauta prioritária do governo federal, mas nenhum deles esclarece em detalhes como colocará isso em prática. Se vão, por exemplo, cancelar o “recesso branco” da Câmara descontando o salário de eventuais faltosos ou se vão concentrar os trabalhos em novembro e dezembro, após as eleições.

Na pauta prioritária do governo, há projetos polêmicos como o teto de gastos públicos, a renegociação da dívida dos Estados e as reformas da Previdência e trabalhista.

Outra incerteza se dá sobre a situação do ex-presidente Eduardo Cunha, que só terá um desfecho a partir de agosto. Todos os candidatos favoritos à sua sucessão são ou foram seus aliados.

Apesar de ter renunciado à presidência da Câmara na semana passada e de a tendência ser de que a Câmara casse o seu mandato, ainda há uma incógnita sobre quando isso irá acontecer.

Cunha exerce ainda boa influência nos deputados do “centrão”, grupo político que reúne pouco mais de 200 deputados de partidos como o PP, PR, PTB, PSD e PRB.

Aliados e até adversários afirmam que a expectativa do peemedebista é continuar com alguma influência mesmo que perca o mandato de deputado.


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