Muitos criticaram e hoje me indicam, diz Figueiredo Basto, advogado pioneiro de delações premiadas | Fábio Campana

Muitos criticaram
e hoje me indicam, diz Figueiredo Basto, advogado pioneiro de delações premiadas

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Na tarde de quinta-feira, 30 de junho, Antonio Figueiredo Basto atendia a Folha de S. Paulo em seu escritório quando o celular tocou. “Não sou mais advogado de Funaro. Não sei quem é o advogado dele agora”, disse a uma jornalista. Colocou o aparelho no silencioso, mas minutos depois foi interrompido pelo telefone fixo. “Não, não sou advogado dele”, disse, já demonstrando irritação. As informações são de Wálter Nunes na Folha de S. Paulo.

A notícia do dia era a prisão do doleiro Lúcio Bolonha Funaro, apontado como operador do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o que eles negam. Circulava o boato de que Funaro levara para a cadeia uma delação pronta.

Nessas horas, o nome que vem à cabeça é o de Basto.

Veterano das delações, Basto começou a trajetória 12 anos antes, no caso Banestado, que hoje parece um ensaio da Lava Jato.

O advogado defendeu na época o mesmo doleiro Alberto Youssef, um dos primeiros a colaborar com a atual operação que investiga o petróleo, num processo contra o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, da força tarefa atual, em que o juiz da instrução era Sergio Moro.

“Dei sorte de nascer em Curitiba”, afirma Basto. Youssef foi a primeira das quatro delações que o advogado negociou no caso Banestado.

Na Lava Jato, contabiliza 20 clientes delatores. “Naquela época disseram que eu iria enterrar a minha carreira”, disse. “Muitos dos advogados de São Paulo que me criticaram hoje me indicam para os seus clientes.”

Basto não rejeita o carimbo de advogado das delações, mas diz que essa nunca é sua primeira estratégia. “Durante a Lava Jato eu discuti durante sete meses várias teses, até mesmo o impedimento do Moro. Mas teve uma hora em que não havia mais espaço para defender por essa via”, afirma o defensor.

“A minha prioridade é soltar o cliente, se falam mal de mim, eu nem ligo. Eu quero que a mãe do cliente não chore; se a mãe de outro acusado chorar, não me importo.”

Os advogados de Curitiba costumam classificá-lo como estudioso, bem preparado e bom negociador. Em São Paulo, o adjetivo mais usado para defini-lo é “complicado”.

“Fui objeto de maledicências. Diziam que eu era sócio do Moro e que eu vendia delação. Nem liguei. Não entrei na advocacia para ficar amigo de advogados.”


Um comentário

  1. Tonigarcia
    domingo, 17 de julho de 2016 – 20:32 hs

    Parabéns Dr a deleção não é dedurar ,a deleção é contar a verdade para auto defesa já que o delatado nem aí quando o deletados está sobre as mãos da justiça . A deleção e a arma de defesa que funciona e dá frutos ..parabéns mais uma vez ..que a deleção vire lei

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