Habeas corpus preventivo | Fábio Campana

Habeas corpus preventivo

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Editorial, Estadão

Se Lula da Silva for preso proximamente pela Polícia Federal, não importa por qual motivo, parecerá ao mundo que é vítima de retaliação pelo fato de ter “denunciado” o Estado brasileiro ao Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) pelo “abuso de poder” que teria sido praticado contra ele pelo juiz federal Sérgio Moro e pelos procuradores da Operação Lava Jato. Pois foi certamente por esse motivo esperto – a garantia de uma espécie de habeas corpus preventivo com aval internacional – que o chefão do PT foi apresentado como vítima de perseguição política. No mesmo dia, a Operação Lava Jato tornou público um laudo pericial da Polícia Federal que revela a existência de fortes indícios de que o casal Lula-Marisa Letícia tenha dado instruções específicas aos encarregados de realizar a instalação de uma “cozinha gourmet”, no valor de R$ 252 mil, no aprazível sítio de Atibaia que ambos negam veementemente ser de sua propriedade. E, no dia seguinte, Lula da Silva tornou-se réu, acusado de obstrução da Justiça.

Diante do amplo elenco de ilicitudes de que Lula é suspeito de ter praticado desde que assumiu a Presidência em 2003, a tentativa de ocultar a propriedade de imóveis como o de Atibaia é café pequeno. Não se compara à responsabilidade que lhe é atribuída, por óbvia, de ser o chefe da quadrilha que por mais de uma década aparelhou o Estado, cooptou aliados a peso de ouro e assaltou os cofres públicos, especialmente os das empresas estatais, com o objetivo de perpetuar um projeto de poder e enriquecer políticos, funcionários públicos e empresários inescrupulosos.

Alegam os filopetistas, de modo especial os intelectuais e artistas que gostam de parecer paladinos da justiça social, que o lulopetismo inaugurou uma era de conquistas populares e de desenvolvimento econômico, e que para fazê-lo teve de se submeter ao constrangimento de alianças indesejáveis, mas necessárias ao ato de governar. Ou seja: os fins justificam os meios. Mas o que na verdade resultou provado com o catastrófico desenlace da aventura lulopetista é que os meios explicam o fim do sonho de um projeto de poder que pode ter até nascido com as melhores intenções, mas que ao longo do caminho se deixou perder pela soberba, pela incompetência e pela corrupção.

Hoje, os brasileiros sofrem com o legado de desesperança que receberam de Lula e de sua desafortunada sucessora. Depois de ter frustrado todas as expectativas criadas por um perverso populismo que dividiu o País entre “nós” e “eles”, Lula vê agora frustrada sua própria expectativa de ter repouso virginal no panteão dos grandes heróis internacionais das causas populares. E reage com a mesma falta de escrúpulos que o levou aos descaminhos da moralidade na tentativa de se safar das consequências legais de seus trambiques. Pouco se lhe dá se, assim procedendo, enxovalha a imagem do Brasil no principal foro político internacional. Pois, recorrendo ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, Lula pode querer denegrir o juiz Moro, mas o que de fato faz é tentar comprometer o Estado brasileiro, insinuando que suas instituições são inermes diante do arbítrio de um funcionário. Com essa atitude mendaz, Lula quer fazer crer ao mundo que a Lava Jato transformou o País numa republiqueta refém do “abuso de poder” de uma autoridade judicial que peca pela “clara falta de imparcialidade” e se dedica a sucessivos “atos ilegais” movida pela obsessão de condená-lo.

Esse é o inescrupuloso estilo lulopetista de se safar de dificuldades: atirar para todos os lados, não importa quem possa ser atingido. É assim que Lula e sua tigrada se têm comportado desde o início do processo de impeachment contra Dilma Rousseff, acionando suas relações nos círculos e foros esquerdistas internacionais para veicular a versão de que o Brasil está sendo vítima de um “golpe”.

É improvável que a “denúncia” de Lula progrida. Entre outros motivos, porque antes de o Comitê da ONU se manifestar sobre a petição, será necessário que Lula prove ter esgotado todos os recursos legais no Brasil para se livrar do “abuso de poder”. E mesmo que se configure a improvável hipótese de que a “denúncia” seja aceita para julgamento, a análise do processo pode se estender por cerca de dois anos. Para Lula, isso pouco importa. O que ele quer é manter a Polícia Federal longe de sua porta.


6 comentários

  1. Luiz Flavio
    sábado, 30 de julho de 2016 – 14:20 hs

    Merda em forma humana.

  2. sábado, 30 de julho de 2016 – 18:12 hs

    Esta falando sobre você Luiz Flavio que não foi parido e sim evacuado.

  3. sábado, 30 de julho de 2016 – 18:14 hs

    Desde que Lula entrou para a politica esta sendo investigado mas a ladainha é sempre a mesma ele é suspeito disso e mais disso mas em 30 anos de vida publica já foi milhares de vezes investigados e as provas que é bom nada só disse que disse e a PIG cada vez mais desesperada por não poder apresentar provas.

  4. Sergio Silvestre
    sábado, 30 de julho de 2016 – 20:02 hs

    Nesses anos o Aécio foi delatado 459 vezes,o Cunha roubou centanas de milhões de dinheiro publico,caiu o muro de Berlim,o FHC comprou um apto para o filho bastardo em Paris,sumiu 450kg de cocaina no nariz da PF,roubaram dinheiro da merenda,das escolas,doa mendingos dos doentes e a PF teima em dizer que tudo isso que eles não fizeram para prender os bandidos é por causa da cozinha planejada do suposto seu sitio.
    Ora cambada de canalhas ,vão te catar,
    [

  5. LUIZ EDUARDO HUNZICKER
    sábado, 30 de julho de 2016 – 20:10 hs

    Olhar para a cara deste sujeito me dá um asco danado, vontade de esganá-lo e pegar fio por fio desta barba imunda, que cheira a pinga e arrancá-lo . ´Como é vergonhoso constar na nossa história este ilergumino como presidente. TERÁ QUE CURTIR UMA CADEIA.

  6. Kafir
    sábado, 30 de julho de 2016 – 22:23 hs

    Só trouxa ou fã é que acredita no 51, o cara só está a espera da visita da PF para começar a fazer escândalo. Como nunca se deu ao trabalho de gastar o seu preciosíssimo tempo nos bancos escolares, como fez por exemplo o seu ex-colega sindicalista o Vicentinho que, depois de velho resolveu se formar em Direito, o nosso pobre líder vai puxar cana com aquela turma que, como ele é composta de ladrões pouco estudados.

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