Crise política incentiva novatos | Fábio Campana

Crise política incentiva novatos

Do Ivan Santos, Bem Paraná

Se para a maioria dos brasileiros a crise motivada pelos constantes escândalos de corrupção é uma razão a mais para rejeitar a política, para outros está sendo vista como uma oportunidade para entrar nesse meio nas eleições municipais deste ano. Em Curitiba, muitos novatos estão apostando na indignação coletiva como chance para arriscar a sorte nas urnas em outubro. Em comum eles têm a expectativa de que a revolta da população possa se transformar em motor para a renovação da política.

É o caso, por exemplo, do jornalista Herivelto Oliveira, que depois de 29 anos atuando como repórter e apresentador de televisão, decidiu se candidatar a vereador pelo PPS. “Exatamente pelas pessoas estarem descrentes que é hora de tentar entrar para mudar a política”, considera ele, que admite ter ficado “brigando” consigo mesmo por um tempo até se convencer da ideia de disputar um cargo eletivo. “É difícil passar de pedra para vidraça”, confessa.

Herivelto avalia que o fato de ser conhecido por seu trabalho na TV é uma vantagem em relação aos demais candidatos. Diz que não pretende gastar muito dinheiro na campanha e aposta na internet e no contato direto com o eleitorado para angariar votos.

É a mesma aposta do também jornalista de TV Marcelo Fachinello, que decidiu se candidatar a vereador pelo PTB. “É importante se envolver e aproveitar esse momento em que as pessoas querem renovação”, avalia.

Ele admite que em um primeiro momento, sua família demonstrou certo receio com a intenção dele de se candidatar, mas que esse temor logo foi substituído pelo engajamento. “Todos, esposa, mãe, pai, amigos estão participando e se envolvendo”, conta. Fachinello aposta justamente nessa “rede” de contatos pessoais, de amizade e profissionais como estratégia para driblar a escassez de recursos e a inexperiência em disputas eleitorais.

Essa também é a forma encontrada por ele para superar os obstáculos erguidos pela nova legislação eleitoral, que reduziu pela metade o período de campanha, e restringiu a propaganda política, que segundo os analistas, beneficia quem já tem mandato ou é conhecido do eleitor, em detrimento de quem está entrando agora nesse mundo. “A lei foi feita por quem já está lá”, concorda.

Fachinello pretende investir na comunicação através das redes sociais e no contato pessoal e direto com os eleitores como forma de superar as limitações de recursos e tempo. “A internet está aí para isso. Vai ser uma campanha bem enxuta, financiada com recursos próprio, de familiares e alguns amigos”, explica.

“Outsider”

A mesma estratégia é a receita adotada pelo Ademar Pereira, pré-candidato do Partido Republicano da Ordem Social à prefeitura de Curitiba. Empresário do ramo educacional com atuação em entidades classistas, ele também aposta na revolta popular como instrumento de atração de votos para “caras novas” na política. “A política só vai mudar quando nós empresários ocuparem esse espaço”, defende.

Pereira também admite certo receio da família com a exposição que uma candidatura pode trazer, mas garante que isso logo foi superado pelo entusiasmo que o desafio representa. Para ele, as restrições da legislação são até benéficas, pois também reduzem a desvantagem de infraestrutura material que os novatos teriam em relação aos políticos com mandato. “Temos uma chance pequena de conseguir uma onda se colocando como um ‘outsider’ da política. Acho que posso me destacar justametne por não estar vinculado a nenhum grupo político tradicional”, prevê.

Para o pré-candidato do PROS, a eleição deste ano será um teste para o eleitorado. “Está havendo um movimento no sentido de perceber que existe uma esperança”, prevê.


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