Tchau, querido! | Fábio Campana

Tchau, querido!

Ricardo Noblat

É jogo jogado a cassação do mandato do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) quando o plenário da Câmara se reunir para votá-la. Nem seus mais leais súditos admitem que ele escapará da degola. E uma vez degolado, Cunha se tornará inelegível por oito anos.

Isso não é nada. Sem mandato, cairá nas mãos do juiz Sérgio Moro, que irá julgá-lo por um monte de crimes – entre eles o de corrupção. Aos cuidados de Moro já estão a jornalista Cláudia Cruz, mulher de Cunha, e uma filha dele. É possível um inferno maior?

Se a votação no plenário da Câmara fosse secreta, Cunha ainda poderia dar um jeito de salvar-se. Ele é mestre nas manobras às escondidas, de preferência no escuro. Mas detesta a incidência da luz sobre tudo o que faz.

Todos os holofotes iluminarão o plenário da Câmara no dia do julgamento final de Cunha. E, ali, o voto será nominal, e aberto. Como aconteceu quando a Câmara aprovou a abertura do processo de impeachment contra Dilma.

Cunha, hoje, é o político mais rejeitado do país. Mais rejeitado do que Dilma. Muito mais do que Lula. Quantos deputados, sabendo disso, se arriscarão a votar pela absolvição dele? Talvez só uma parte daqueles que receberam de Cunha dinheiro para se eleger.

O governo Temer não mexerá um dedo para ajudar Cunha. Se fosse o caso de ajuda-lo, o teria feito no âmbito dos 21 deputados integrantes do Conselho de Ética. Cunha foi derrotado por uma diferença de apenas dois votos.

Ele nada mais tem para negociar em troca da preservação do mandato. Teve a presidência da Câmara, que ainda conserva, embora com o mandato suspenso. Mas ela, agora, de pouco vale. Ou melhor: não vale nada. Quem imagina que ele poderá reocupá-la?

Cunha perdeu duas boas oportunidades de renunciar à presidência da Câmara em troca do mandato ou de uma punição branda. A primeira logo depois da abertura do processo de impeachment contra Dilma. Era um vitorioso. Todos se sentiam devedores dele.

A outra oportunidade foi mais recente. Deu-se há mais ou menos 10 dias. Líderes de peso da Câmara acenaram para ele com a proposta da renúncia e com a promessa de beneficiá-lo na votação no Conselho de Ética. Cunha achou que venceria sozinho no Conselho.

Um a vez que vencesse, até concordaria em renunciar à presidência desde que lhe fossem dadas todas as garantias possíveis de que venceria depois no plenário. Cometeu um mortal erro de cálculo. Só lhe resta amargar as consequências do erro.


Um comentário

  1. PHILLIPS
    quarta-feira, 15 de junho de 2016 – 10:27 hs

    Eduardo Cunha tu estas ferrado então abre a boca do trombione e conta tudo, põe para quebrar, ferra mesmo essa cambada que esteve contigo na roubalheira

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