'Paraná terá R$ 1 bilhão para rodovias' | Fábio Campana

‘Paraná terá R$ 1 bilhão para rodovias’

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“Temos obras de melhorias das rodovias em todo o Paraná”, diz José Richa Filho

O secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná, José Richa Filho, adianta nesta entrevista que as chuvas que atingiram o Estado no primeiro semestre, principalmente nos primeiros quatro meses do ano, comprometeram as rodovias estaduais e obrigaram ao DER a criar um plano emergencial de R$ 100 milhões para recompor o asfalto, reconstruir pontes ou recuperar aterros. “As equipes de manutenção do DER reforçaram ações em todo o Paraná”.

Segundo Richa Filho, o Paraná é o segundo estado que mais investe em manutenção de rodovias. “O governador Beto Richa determinou a criação de um programa ainda no segundo semestre, com R$ 1 bilhão, para a manutenção e conservação de rodovias no período de quatro anos. É o maior investimento público neste sentido, ainda mais em uma época de crise, pela qual passa o Brasil”, disse.

Depois desse período longo de chuvas, cresceram as reclamações sobre a qualidade das rodovias. O que o Estado está fazendo para reverter esta situação?
José Richa Filho – Desde o fim do ano, o ciclo de chuvas no Estado tem se comportado de forma atípica, influenciado pelo El Niño e agora pela La Niña. Isto atingiu em cheio a qualidade das rodovias. Até abril, o ciclo de chuvas bateu recordes históricos, com precipitações até quatro vezes maiores do que as médias normais. Em diversos pontos, em especial no Noroeste do Paraná – onde o solo arenito é desfavorável -, aconteceram problemas. O resultado é que o Departamento de Estradas de Rodagem teve que investir mais de R$ 100 milhões em obras emergenciais, para recompor o asfalto, reconstruir pontes ou recuperar aterros. Recentemente, na região de Inácio Martins, as equipes trabalham em uma ribanceira formada, com mais de 40 metros, o que exigiu colocar funcionários presos em cabos, como se fossem alpinistas.

Mas estão sendo feitas apenas recuperações emergenciais?
José Richa Filho – Não. As equipes de manutenção reforçaram ações em todo o Paraná. Temos equipes fazendo novos recapeamentos, como na região de Ribeirão Claro, no acesso de Verê no sudoeste, ou na região de Paranavaí no noroeste. Quem circula pelas rodovias vai ver, nos dias sem chuvas, que as equipes estão trabalhando, seja na recuperação do pavimento, melhoria da sinalização ou na manutenção da faixa de domínio, com roçadas.

Fora isto, há uma equipe de engenheiros do DER avaliando os trechos para modernizar o programa de manutenção da malha viária, que vai ganhar uma nova roupagem, buscando melhorar a qualidade das rodovias.

Pode adiantar sobre este novo modelo de manutenção?
José Richa Filho – Antes, é bom lembrar que mesmo com estes problemas causados pelo excesso de chuvas, o Paraná conta hoje com a quarta melhor malha rodoviária do Brasil. O Paraná, segundo levantamento da Confederação Nacional do Transporte tem a maior malha pública do Brasil (com mais 10 mil quilômetros de rodovias pavimentadas e 2 mil quilômetros de estradas de chão batidos. É o segundo Estado que mais investe em manutenção.

Em função disto, o governador Beto Richa determinou a criação de um programa mais abrangente. A previsão é de, ainda no segundo semestre, lançar um edital de R$ 1 bilhão para a contratação de empresas que façam a manutenção e conservação de rodovias no período de quatro anos. É o maior investimento público neste sentido, ainda mais em uma época de crise, pela qual passa o Brasil.

Para tornar este programa mais abrangente, o Estado fez um estudo do ciclo de chuvas e avaliou a qualidade das rodovias. Aquelas mais desgastadas passarão por recuperações mais profundas, com a retirada de asfalto, correção de base – quando necessário – e colocação de nova camada, além da recuperação de acostamentos, faixas de domínios, sinalização e roçadas. As rodovias com fissuras leves ou pequenos buracos terão outro tipo de manutenção, com recuperações pontuais, além da manutenção de faixa de domínio e sinalizações. O Estado ainda vai criar um programa específico para a manutenção das estradas de chão batido, que vão ganhar um tratamento adequado, com cascalhamentos e recuperação do leito.

Mas além da manutenção, o que Estado está fazendo para melhorar as condições de rodovias?
José Richa Filho – Temos obras de melhorias das rodovias em todo o Paraná. Pela primeira vez na história, as concessionárias das rodovias pedagiadas estão sendo cobradas e estão fazendo obras. Hoje temos obras de duplicação na Rodovia do Café, com trechos em Ponta Grossa, entre Apucarana e Califórnia, e uma nova frente foi aberta em Ortigueira. Em outubro, abre nova frente em Imbaú e até o fim do ano começa a duplicação da rodovia em Piraí do Sul e Jaguariaíva. Temos duplicações ainda entre Nova Esperança e Paranavaí.

Em agosto, começa a construção da nova ponte sobre o Rio Ivaí, em Engenheiro Beltrão. Com isto, damos continuidade a duplicação entre Floresta e Campo Mourão. Já autorizei o início da duplicação entre Corbélia e Cascavel, cujo o trecho em Corbélia começa dentro de uns 60 dias. Em breve, teremos novidades na BR-277 nas regiões urbanas de Cascavel e Guarapuava. Também teremos novidades para Cornélio e Jataizinho. Ou seja, são obras em todo o Anel de Integração.

E com recursos do Estado?
José Richa Filho – Temos em andamentos obras estratégicas. Como as duplicações na região metropolitana de Curitiba, como na ligação Curitiba/Pinhais/Piraquara, na ligação com Colombo, com Campo Magro. Teremos novidades no segundo semestre também para Rio Branco do Sul e a continuidade da duplicação da Rodovia da Uva, em direção a Curitiba.

Na região de Guarapuava, há obras novas de pavimentação na ligação entre Guarapuava e Inácio Martins e obras entre Reserva do Iguaçu e Pinhão. Outra obra importante é a PR-445, que, em breve, terá uma solução e sua conclusão. Acabamos de iniciar projetos para a construção de uma nova pavimentação da Estrada da Bragantina, entre Toledo e Assis Chateaubriand.

E estes aportes poderiam ser maiores se não houvesse atraso do governo federal, no aval do empréstimo do Governo do Paraná com o Banco Interamericano de Desenvolvimento, onde temos US$ 300 milhões, ou seja, mais de R$ 1 bilhão em investimentos programados. Neste pacote, há as pavimentações entre Pitanga e Mato Rico, a de Irati a São Mateus do Sul e também a de Coronel Domingos Soares. A expectativa é que o governo federal libere este empréstimo até o fim do ano, o que permitirá que o Paraná invista em obras estratégicas.

A Frente Parlamentar Contra a Renovação dos Contratos de Pedágio tem criticado que 60% das obras nos trechos sob contratos com concessionárias ainda não foram iniciados. A Secretaria de Infraestrutura e Logística confirma este número?
José Richa Filho – Antes de mais nada, é sempre importante dizer que esta discussão sobre pedágio precisa ser despolitizada. A discussão política dificulta entender os detalhes técnicos e jurídicos desses contratos de pedágios, que foram alterados pelas gestões anteriores ao do governador Beto Richa. Hoje, o Estado está buscando corrigir as alterações que causaram dano, que resultaram em passivos milionários, a serem sentenciados na Justiça. Além disto, o esforço foi para incluir obras no contrato, evitando que isto provocasse degraus tarifários. Já há acordos firmados, como com a Econorte, em que as concessionárias abriram mão de processos, incluíram obras e agora equilibraram as contas.

Mas voltando à sua pergunta, o contrato obriga as empresas a executarem as obras que estão no cronograma. Há uma quantidade significativa delas que ficaram para os últimos anos da concessão. Esta situação é resultado dos aditivos de 2002 e dos aditivos de 2004, feitos pelos dois governadores anteriores ao governador Beto Richa. Eles jogaram as obras para o final, seja para reduzir tarifas ou para não dar os aumentos previstos no período da gestão deles.

As empresas terão que cumprir esses cronogramas de obras?
José Richa Filho – Dentro do possível, o Estado tem antecipado as obras, como acontece na duplicação da Rodovia do Café, onde há várias frentes em andamento, como em Ponta Grossa, Apucarana, Ortigueira e, ainda neste ano, em Imbaú. Em outros trechos, o Estado está pedindo a antecipação dos projetos, buscando agilizar o processo. Este mesmo contrato que impede o Estado de alterar o cronograma, define multas contra as concessionárias caso elas não o cumpram.

Para evitar que as obras sejam feitas sem cuidado, o Estado está contratando novas consultorias, que vão permitir ao Estado saber por meio de um scanner de solo, a qualidade do asfalto colocado, bem como a base e sub-base. As empresas sabem disto e sabem que este governo notifica e penaliza, diferente dos anteriores. Neste ano, já foram mais de 39,5 mil notificações e este número tende a aumentar.


4 comentários

  1. Luiz Flavio
    sábado, 25 de junho de 2016 – 8:39 hs

    Por quê até o momento ninguém questionou o governador a respeito deste flagrante caso de nepotismo?? O que o MP está esperando? E a nossa gloriosa oposição, estão de acordo?

  2. marcos
    sábado, 25 de junho de 2016 – 12:07 hs

    E a Rodovia PR 323?

  3. Antonio Carlos
    sábado, 25 de junho de 2016 – 18:20 hs

    Infelizmente a dupla dos irmãos Rich não pode ter dinheiro na mão, certamente sofrem da Síndrome de Dondoca, “dinheiro é para torrar, não é mesmo querida?”. Sabem como é, o tempo voa e é preciso comprara apoios enquento ainda há grana

  4. joao Bal
    sábado, 25 de junho de 2016 – 18:28 hs

    Pois é, o Paraná a todo vapor, segundo o Sr Secretário, e as pessoas morrendo na PR 323. A duplicação tão propagada PPP caiu no esquecimento. Falou-se tanto numa obra moderna, mas para a população ficou ficou pior do que estava, uma vez que antes haviam até alguns reparos e agora nada… Gasta duas horas e meia de Umuarama a Maringa, uma verdadeira aventura. O povo desta região vem sendo enganado há anos. Nesta falácia toda do Sr Pepe, a 323 assassina nem sequer foi lembrada. O governo deve falar alguma coisa somente quando a eleição estiver próxima. É assim caminha a humanidade, ou melhor, os políticos!

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