Temer, a solução que virou problema | Fábio Campana

Temer, a solução que virou problema

Elio Gaspari, O Globo

Temer pareceu uma solução e tornou-se um problema porque, depois da revelação do conteúdo da escandalosa conversa do senador Romero Jucá com o ex-colega Sérgio Machado, cobriu-o com os seguintes adjetivos: “competente”, dotado de “imensa capacidade política” e “excepcional” formulador de medidas econômicas.

Segundo Temer, o ministro “solicitou” seu afastamento. Tudo bem, fez isso, depois de se aconselhar com Elvis Presley, que está vivo. Sua ausência estaria relacionada com “informações divulgadas pela imprensa”. Falso. O repórter Rubens Valente não divulgou apenas informações, transcreveu áudios e colocou-os na rede. Jucá tentou embaralhar a discussão e foi prontamente desmentido pela própria voz.

Temer nomeou Jucá para o Ministério do Planejamento sabendo quem ele era. O doutor celebrizou-se comemorando de mãos dadas com o notável Eduardo Cunha o fugaz rompimento do PMDB com o governo.

É impossível acreditar no que o governo disse na segunda-feira, mas é plausível supor que Temer e Jucá, homem de “imensa capacidade política”, compartilhem visões da crise. O senador foi repetidamente apresentado como um dos cinco grandes conselheiros do vice-presidente, integrante do seu “estado-maior”.

Em sua conversa com Machado, Jucá produziu um retrato perfeito e acabado da oligarquia política ferida pela Lava-Jato:

“Tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria”.

Pergunte-se, o que quer “essa porra”?

“Acabar com a classe política para ressurgir, construir uma nova casta, pura.”

Desde que aderiu à fritura da Dilma Rousseff, Temer deu diversos sinais de antipatia objetiva e simpatia retórica pela Lava-Jato. Pena.

Um trecho da fala de Jucá é significativo e preocupante:

“Estou conversando com os generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras dizem que vão garantir. Estão monitorando o MST, não sei o quê, para não perturbar.”

Jucá teve seu momento de vivandeira.

Os “caras” garantem a ordem no cumprimento da Constituição e não precisavam conversar com o doutor para reiterar esse compromisso. É bom que monitorem o MST e aquilo que Lula chamou de “o exército” de João Pedro Stédile. Contudo, salta aos olhos que, para Jucá, era conveniente misturar a manutenção da ordem com uma trama política escandalosa em relação à qual os militares nada podem fazer, pois a Lava-Jato é assunto do Judiciário.

Felizmente, Machado era um grampo ambulante. Ele chocou o país com a conversa e haverá de chocá-lo muito mais revelando o que sabe do PSDB, do PMDB e da Transpetro, que presidiu por dez anos, abençoado por Lula e pelo PT.

A primeira quinzena do atual governo pode ser malvadamente comparada à lua de mel de Marcello Mastroiani com Claudia Cardinale no filme “Il Bell’Antonio”.

A ideia de que o atual governo possa aumentar impostos, mexer em leis trabalhistas e alterar os prazos para as aposentadorias de quem já está no mercado de trabalho é uma perigosa ilusão.

Se Temer tivesse formado o ministério de notáveis prometido pelo seu departamento de efeitos especiais, talvez isso tivesse sido possível. Jucá, um investigado pela Lava-Jato, deixou o ministério e, no seu lugar, interinamente, ficou um cidadão investigado pela Operação Zelotes.


9 comentários

  1. Sergio Silvestre
    quarta-feira, 25 de maio de 2016 – 13:12 hs

    Que esculhambação,o Brasil sai das mãos dos pobres e volta para de quem sempre foi ,dos ricos,os barões da Casa-Grande.
    Olhe as fotos do passado triste e olha os novos protagonistas,são os mesmos,as mesmas fuças e os mesmos urubus de toga.

  2. ilson
    quarta-feira, 25 de maio de 2016 – 14:19 hs

    Final da história e mais uma vez a casa caiu…….adeus..tchau….mais um que vai…..

  3. Doutor Prolegômeno
    quarta-feira, 25 de maio de 2016 – 14:32 hs

    As viúvas carcomidas do lulopetismo e aqueles que escondem nos recônditos de suas almas uma indisfarçável simpatia pela causa não se conformam com o rumo dos acontecimentos. No fundo, torcem para que o país se afunde na lama imunda da pocilga lulopetista para que possam dizer: eu te disse, eu te disse…

  4. Freddy Kruger
    quarta-feira, 25 de maio de 2016 – 14:34 hs

    De tudo isto, só se pode tirar uma triste conclusão. Políticos nunca foram honestos e jamais o serão, são escravos de seus próprios interesses e, o que lhes interessa, é a reeleição, sejam eles de qualquer partido !

  5. jose
    quarta-feira, 25 de maio de 2016 – 15:14 hs

    Silvestre, o Brasil nunca esteve na mão dos pobres, os pobres sempre foram massa de manobra de espertalhões e continuarão a ser enquanto existirem imbecis que votam em espertalhões.
    Nada mudou, quem assumiu foi eleito por você e reeleito em 2014, ou você não percebeu isso?
    O pmdb é o mesmo pmdb de sempre, de sarney, renan, jucá, barbalho, lobão e por aí vai, o mesmo sarney que lula disse ser intocável, o mesmo renan que apesar de dezenas de denúncias í intocável para você, o mesmo barbalho que já foi ministro da dilma, o mesmo lobão atolado até o pescoço em falcatruas que também já foi ministro da dilma.
    Só agora você percebeu que eles não prestam?
    Onde você estava estes anos todos?
    Esta culpa você vai carregar sim: você os colocou lá!!!
    A diferença entre o pt e o pmdb? Tempo de “serviço”…
    E não pense que os outros partidos são diferentes, são todos iguais.

  6. PIXULECOZINHO
    quarta-feira, 25 de maio de 2016 – 15:57 hs

    É COMO DIZIA O MESTRE: NADA ESTÁ TÃO RUIM, QUE NÃO POSSA PIORAR AINDA MAIS.

  7. Sergio R.
    quarta-feira, 25 de maio de 2016 – 17:56 hs

    Só o fato de ver petista dando chilique e ataques de histerismo, não tem preço que pague. Só falta o lula e a dilma presos, para a felicidade geral da nação. Ver o lula com pânico de Curitiba e os malabarismos para ficar sentado no colo do Teori também é de rolar de rir. Mas não tem jeito. Logo vem para cá. Já vislumbro a sombra de um vulto de nove dedos tremendo de frio. Vai esfriar em Curitiba.

  8. Antonio Carlos
    quarta-feira, 25 de maio de 2016 – 18:19 hs

    Se o presidento está no canto foi porque quis. Com tantos milhares de capazes espalhados por este País todo, foi se escorar em gente com bronca na Justiça? O novo governo deveria começar com gente nova, sem rabo preso com ninguém, mas o presidento é político e sabe que sem a colaboração dos “colegas de profissão” não faria nada. E a cada dia que passa e novas denúncias aparecerem o governo do presidento mais e mais se parecerá com a da presidanta, a de triste memória.

  9. Juca
    quarta-feira, 25 de maio de 2016 – 18:47 hs

    Uma coisa boa já aconteceu. Acabou o pão com mortadela!

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