Dever de esclarecer | Fábio Campana

Dever de esclarecer

Editorial Estadão

No Brasil e no exterior têm sido promovidas algumas manifestações contra o processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. Em claro desrespeito aos fatos, elas denunciam a existência de um golpe contra a democracia no País. A divulgação no exterior de inverdades sobre o que ocorre internamente traz inegáveis prejuízos à imagem do Brasil, com consequências diretas sobre a economia nacional. É dever, portanto, do novo governo esclarecer os fatos, com uma diligente campanha de neutralização desses irresponsáveis protestos.

Alguns desses atos ocorreram em sedes de organismos internacionais, o que provoca ainda mais danos, já que transmitem a equivocada impressão de que os órgãos diretores de tais entidades apoiam o discurso do golpe. Outras vezes, militantes aproveitam espaços sem qualquer relação com a política, apenas como forma de ampliar a visibilidade do engodo. Foi o que ocorreu, por exemplo, no Festival de Cannes, quando meia dúzia de artistas aproveitou o lançamento de um filme brasileiro para denunciar o alegado golpe contra a democracia no País.


Não são ingênuos esses protestos. Eles se aproveitam da ignorância de muitos, no Brasil ou no exterior, sobre a real situação do País para difundir infundados temores sobre suas instituições. Não há golpe no País. No momento está em curso um processo de apuração de graves denúncias contra a presidente Dilma Rousseff, a respeito do qual a Constituição Federal prevê, para um isento funcionamento das instituições, o afastamento do cargo da Presidência da República por até 180 dias.

A normalidade institucional do atual processo de impeachment foi exposta de forma solene pelo decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Celso de Mello, que atestou o pleno cumprimento da Constituição Federal e do rito definido pela Suprema Corte. Na ocasião, referindo-se à possibilidade de a presidente Dilma Rousseff usar um discurso na ONU para denunciar o suposto golpe em curso no País, Celso de Mello classificou como “gravíssimo equívoco” alardear mundo afora que a democracia no Brasil estava em risco.

A fala do ministro Celso de Mello foi tão contundente que a presidente Dilma Rousseff recuou do vexame na ONU. Mas depois não abandonou completamente o falso discurso do golpe, utilizando-o em entrevistas à imprensa internacional. Agora, parte da companheirada – descontente não apenas com o apeamento do PT do poder, mas com o consequente corte de suas boquinhas – replica irresponsavelmente o mesmo palavrório em manifestações mundo afora.

Tal discurso não é uma mentira gratuita. Ele provoca sérios danos à imagem do País, ao propagar que aqui as instituições democráticas não funcionam e ao dizer que a ordem jurídica não é respeitada. Logicamente, tais rumores dificultam o restabelecimento da confiança externa no País e atrapalham o bom ambiente de negócios.

Por isso, é responsabilidade do governo Michel Temer esclarecer os fatos com prontidão, sem esperar simplesmente que o tempo coloque tais inverdades em seu devido lugar. Não se pode assistir passivamente a um punhado de pessoas denegrir a imagem do País e de suas instituições no exterior.

O dever de esclarecer os fatos é especialmente grave para o atual governo, que propõe realizar uma nova política externa, com uma inserção mais profunda do Brasil na economia internacional, acabando com o desserviço que o lulopetismo prestava ao País ao fazer prevalecer afinidades ideológicas sobre interesses nacionais.

O diligente esclarecimento dos fatos é também sinal de respeito para com a população. Os milhões de brasileiros que foram às ruas em todo o País pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff não são golpistas. Lá estavam em defesa da lei, das instituições, da moralidade pública – enfim, do Estado Democrático de Direito. O mundo pode, portanto, estar muito tranquilo com a democracia brasileira.


10 comentários

  1. Carlinhos
    segunda-feira, 23 de maio de 2016 – 10:05 hs

    E o Jucá? Tem imunidade?

  2. Sergio Silvestre
    segunda-feira, 23 de maio de 2016 – 10:40 hs

    Pois é sr Campana,cada soltada de cachorro no carreiro cai mais de 50 capivara na água e depois dessa do Jucá de que o supremo estava conversado,esse jornalzão golpista não se envergonha de dizer que não foi golpe?
    A coisa está ficando esquisita e muitos coram de vergonha.

  3. VISIONÁRIO
    segunda-feira, 23 de maio de 2016 – 10:43 hs

    Por uma triste razão como esta da trupe da Sonia Braga que em-
    porcalhou o Festival de Cannes com cartazes de golpe é que o
    Brasil vende uma imagem de anarquistas. O que tem a ver Cannes ou a ONU para a Dilma jogarem “M” no ventilador !?
    As reinvidicações ora e talvez justas perdem o brilho por causa
    destas atitudes irresponsáveis.

  4. Renato Britto Barros
    segunda-feira, 23 de maio de 2016 – 10:44 hs

    Isso é muito fácil de resolver.
    Basta o novo ministro da cultura CORTAR todas as regalias que esses falsos artistas tem no ministério, eles vão entender o recado.
    Punto e basta.

  5. Abrahao Maciez de Oliveira
    segunda-feira, 23 de maio de 2016 – 10:53 hs

    A hora dele vai chegar Carlinhos.

  6. Carlinhos
    segunda-feira, 23 de maio de 2016 – 11:15 hs

    Não é só ele, ele falou de ministros do STF, falou de pacto. E os outros?

  7. Doutor Prolegômeno
    segunda-feira, 23 de maio de 2016 – 11:21 hs

    Dilma tem que ser processada e responder patrimonialmente pelo caos financeiro do Brasil.

  8. LUiz Carlos K
    segunda-feira, 23 de maio de 2016 – 13:43 hs

    GOLPE É ASSALTAR OS COFRES PUBLICOS
    A PTZADA SE SILENCIA QUANDO A VERDADE APARECE
    GOLPE FUNDOS PENSOES, PETROBRAS, BB,, CAIXA, NOS MAIS POBRES COM INFLAÇÃO E DESEMPREGO,

    QUEM DIVULGA O QUE A PTRALHADA FEZ , VENDA O DISCURSO IDIOTA,, GOLPE, MIDIA GOLPISTA, DIREITA REACIONÁRIA,BLABLABLABLABLA…. CANSADO DESTA CONVERSA…

    PARTIDO DA BOQUINHA. OU PARTIDO DA BOCONA.

  9. Helena
    segunda-feira, 23 de maio de 2016 – 14:44 hs

    Pois é, foi da base do PT, tudo veio de lá… precisamos ficar com olhos abertos, com essa gente que adoravam o pt e seu tipo de desgoverno.

  10. Antonio Carlos
    segunda-feira, 23 de maio de 2016 – 16:08 hs

    Não sei qual é a razão de tanto temor, é só o novo chanceler começar a circular pelo mundo que as dúvidas, se é que as há, se dissiparão na horal. Aí os chanceleres dos países visitados saberão que temos um chanceler digno do cargo e não aqueles bananas que faziam de conta que eram chanceleres. Fiquem tranquilos, o mundo não vai nos expulsar dele.

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