Que golpe é esse? | Fábio Campana

Que golpe é esse?

Paulo Eduardo Martins

Novilíngua. É esse o termo cunhado por George Orwell em sua célebre obra “1984” para designar não um mero neologismo de ficção, mas, sim, um verdadeiro método de ação de governos antidemocráticos que pretendem se impor pelo controle da narrativa desvirtuando o uso e o sentido tradicional de palavras existentes.

O PT é mestre no uso da novilíngua. Ao longo dos últimos 13 anos de governo pauta e tenta controlar a narrativa existente. Transformou, por exemplo, o sentido e o uso da palavra “oposição”, que de grupo político legítimo contrário passou a ser “inimigo, sabotador, fascista” contra quem toda e qualquer atitude é legitimada. Até o “acarajé”entrou na dança, de prato típico da culinária baiana passou a ser entendido como sinônimo de propina que engordou os cofres do Partido dos Trabalhadores.

O mais novo uso da técnica antevista por Orwell feita pelos petistas é a tentativa de desvirtuar o significado e o uso da palavra “golpe” que querem igual a impeachment. Os manifestantes profissionais pagos pelo partido e suas franjas cantam a todo fôlego que “não vai ter golpe”. A (ex)-presidente(a) e o (ex)-quase-ministro sitiante abraçam a tese e dizem que os mais de 80% dos brasileiros que querem o impeachment de Dilma são golpistas. Nada mais ridículo!

Que “golpe” é esse que: (i) está previsto na Constituição Federal em seu art. 85; que o seu rito foi validado pelo STF – composto por ministros indicados pelo governo – em ação (ADPF 378) proposta por partido da base; (ii) é conduzido por uma comissão processante da Câmara criada com aval dos partidos governistas que dela fazem parte e na qual testemunhas de defesa e o advogado-geral do PT – que nas horas vagas faz o papel de AGU – foram ouvidos; (iii) já foi apoiado pelos petistas para depor legitimamente um presidente? Seriam os constituintes golpistas? Seria o Supremo e seus ministros golpistas? Seria a Câmara dos Deputados golpista, inclusive os “golpeados” do PT que dela fazem parte? É golpista, então, o PT?

Não é “golpe”! É impeachment: nome dado à punição conferida ao presidente da República que pratica crimes de responsabilidade no exercício do mandato, explica-se àqueles que desconhecem a Constituição Federal, como os petistas que não a assinaram!

E os crimes existem às pencas: violação à lei orçamentária com aumento dos gastos em mais de R$ 100 bilhões e através das “pedaladas” que são os créditos ilegais obtidos junto à bancos públicos e ao FGTS representados pela utilização de recurso dessas instituições e da poupança do trabalhador para pagar despesas do governo; sem falar na improbidade administrativa da mandatária que é conivente com a corrupção na Petrobras, de cuja administração a mãe do PAC fazia parte. Tudo isso é crime previsto nas Leis 1079/50 e na Lei de Responsabilidade Fiscal, e ensejam o impedimento da presidente como manda a Constituição.

Portanto, não há “golpe”; há crimes cometidos pela mulher sapiens que serão punidos com a arma constitucional do impeachment. O único golpe em curso é a tentativa desesperada do PT de tentar, mais uma vez, desvirtuar a realidade e fazer valer a sua novilíngua, não para governar o país e os brasileiros, mas simplesmente para manterem suas sinecuras e evitarem a cadeia. É patético!

Paulo Eduardo Martins é jornalista e deputado federal (PSDB-PR).


3 comentários

  1. pato-branquense
    terça-feira, 12 de abril de 2016 – 13:35 hs

    Sem falar na inabilidade de nossas oposições, que também engoliram, à exemplo da imprensa, a denominação “movimentos sociais”, alcunha criada pela esquerda para designar essa mistura de bandidos x vagabundos que reiteradamente invade e destrói propriedades alheias. Queria ser governo como uma oposição mixuruca dessas. Querem de tudo, menos trabalhar. Certo está a PM do meu Estado ao enquadrá-los.

  2. Do Interior
    terça-feira, 12 de abril de 2016 – 13:37 hs

    O PT é mestre em dissimulação, fraude e trambicagem.

    Chamam os opositores de golpistas.
    Chamam seus crimes de “pedaladas” e “malfeitos”. Não!!!!

    Nós que queremos o PT longe temos que combater isso!

    São crimes! São pixulecos!. São desrespeitadores das Leis, das instituições e, por isso, os petistas que tramam contra e odeiam a democracia. São socialistas. Não toleram oposição nem Leis para colocar limites nos seus atos.

    Fora PT
    Fora Foro de São Paulo

  3. Doutor Prolegômeno
    terça-feira, 12 de abril de 2016 – 16:36 hs

    Muito boa a comparação. Aliás, Orwell em Animal Farm, também, tem uma alusão aplicável aos “cumpanheru”, no final do livro, quando os porcos já usam as botas chicotes dos humanos, e resolvem acrescentar, na calada da noite, outra expressão na tabuleta que proclamava o princípio basilar da revolução: 1) todos os animais são iguais…. 2) mas, alguns são mais iguais que os outros.

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