Moro autoriza Comissão de Ética a ouvir réus da Lava Jato em Curitiba no processo contra Cunha | Fábio Campana

Moro autoriza Comissão de Ética a ouvir réus da Lava Jato em Curitiba no processo contra Cunha

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O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados virá a Curitiba no próximo dia 18 para ouvir testemunhas do processo de cassação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB). Nesta terça-feira, o relator do processo de investigação, o deputado Marcos Rogério (DEM-RO), esteve reunido com o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato em primeira instância. Moro confirmou a oitiva das testemunhas indicadas pelo relator do processo no auditório da Justiça Federal. Todas as testemunhas são réus da Lava Jato; o doleiro Alberto Youssef, os lobistas Julio Camargo e Fernando Baiano, o empresário Leonardo Meirelles, o ex-gerente da Petrobras Eduardo Musa e o operador João Henriques. As informações são de Narley Resende e Fernando Garcel no Paraná Portal.

O foco das investigações do Conselho de Ética é a existência, ou não, de contas não declaradas de Eduardo Cunha no exterior. Em março do ano passado, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, Cunha afirmou que não tinha contas no exterior. Posteriormente, documentos do Ministério Público da Suíça revelaram a existência de contas ligadas a ele naquele país. Cunha nega ser dono das contas, que, segundo ele, são administradas por trustes. O deputado admite, porém, ser o “usufrutuário” dos ativos mantidos no exterior.

Ao todo, o processo contra Cunha conta com 19 testemunhas, sendo 11 apresentadas pelo relator e partidos representantes e outros 8 arroladas pelo presidente da Câmara. De todas as testemunhas, 5 estão diretamente ligadas a processos que acontecem em Curitiba e, portanto, precisam da autorização de Sergio Moro e do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo Rogério, testemunhas que não tiverem relações diretas com as contas de Cunha no exterior devem ser dispensadas.

Na lista apresentada pelo relator, que na última quarta-feira (30) anunciou o plano de trabalho para os próximos 40 dias úteis, Rogério elencou os nomes de Alberto Yousseff, Leonardo Meirelles, Eduardo Musa e João Henriques, que, em seus depoimentos à força-tarefa da Lava Jato, fizeram acusações a Eduardo Cunha. Os lobistas Julio Camargo e Fernando Baiano, são os mais requisitados.

As oitivas, se autorizadas pelo STF, devem acontecer a partir do 18 deste mês. “O juiz Moro deixou disponível ao Conselho de Ética os depoimentos de alguns desses envolvidos para que o relator possa colocar em seu relatório os depoimentos que foram dados a ele (Moro) na Justiça Federal”.

Das testemunhas que foram convidadas pelo Conselho, apenas o doleiro Leonardo Meirelles, que já prestou depoimentos no Conselho de Ética em processo envolvendo o ex-deputado Luiz Argolo, se colocou à disposição e deve prestar depoimento em Brasília na quinta-feira (7).

O relator também afirmou que a colaboração de testemunhas é apenas “um dos elementos no processo”. “Os depoimentos entram em um conjunto de provas que estão sendo coletadas”, diz.

A representação contra Cunha foi apresentada pelo PSOL e pela Rede, e acatada pelo conselho, por 11 votos a 10, no dia 2 de março. No último dia de prazo regimental, dia 21, Cunha apresentou sua defesa em mais de 60 páginas e cinco anexos, contendo notas taquigráficas e documentos.

O relator afirma que o processo que tramita contra Eduardo Cunha é “lamentavelmente o mais demorado da história do Conselho de Ética”. Ele questiona as manobras do presidente da Casa e das várias ações apresentadas pela defesa contra o processo.

Para ele, vir até Curitiba solicitar apoio da Justiça Federal do Paraná com autorização do STF para ter acesso as testemunhas é uma forma de evitar manobras em Brasília.


Um comentário

  1. Zé Venancio
    quarta-feira, 6 de abril de 2016 – 11:26 hs

    O mesmo nhém, nhém, nhém de sempre seu campana.
    Os caras vêm, de voo pago com nosso rico dinheirinho, se hospedam nos melhores hotéis de Curitiba, vão lá no CMP com um lencinho no nariz prá não sentir o cheiro de pobre, perguntam, os depoentes não depõem nada, eles voltam prá Brasília com nada na bagagem, mas pelo menos fizeram um passeio à uma das mais belas capitais do país.
    Ponto.

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