Dilma usa Bolsa Família contra o impeachment | Fábio Campana

Dilma usa Bolsa Família contra o impeachment

dilma_ foto agencia pt

d’O Globo

O Palácio do Planalto decidiu neste domingo politizar a defesa formal da presidente Dilma Rousseff, a ser apresentada nesta segunda-feira na comissão especial da Câmara que analisa o processo de impeachment. O tom será dado pelo advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, que poderá falar por duas horas. A estratégia será Cardozo explorar argumentos de que, além de não ter cometido crime de responsabilidade, a presidente Dilma tomou uma decisão que ajudou a preservar importantes programas sociais, como o Bolsa Família. O Planalto sustenta que a estratégia contábil, classificada de “pedalada” fiscal pelos acusadores da presidente, foi um mecanismo da relação entre o Tesouro e os bancos previsto em regras contratuais.

A avaliação é que o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, foi muito bem na explanação da semana passada, mas ela foi muito técnica.

— O Cardozo é um homem de tribuna. Ele vai misturar improvisos com o que está escrito na defesa — disse o deputado Wadih Damous (PT-RJ), aliado do ex-presidente Lula nas articulações.

O presidente da comissão especial, deputado Rogério Rosso (PSD-DF), disse que abrirá a reunião desta segunda-feira, às 14h. Acrescentou que a defesa de Dilma deverá ser entregue às 16h30m, e Cardozo falará das 17h às 19h. A participação de Cardozo na comissão especial foi articulada pelo deputado Paulo Teixeira (PT-SP).

Neste fim de semana, a presidente fez uma viagem-relâmpago a Porto Alegre, para visitar a família, e pedalou pelas ruas da capital gaúcha de manhã cedo. Depois, embarcou para Brasília. No fim da tarde, segundo interlocutores, a presidente se reuniu com ministros no Palácio da Alvorada, entre eles o ministro-chefe do Gabinete da Presidência, Jaques Wagner.

— A presidente Dilma nos pediu um voto de confiança para a condução que ela estava dando ao processo — disse um ministro muito ligado à presidente.

As negociações da reforma ministerial serão intensificas hoje, com encontros com dirigentes do PP e do PR. Dilma pediu a vários ministros, inclusive os do PMDB, que tenham confiança na condução da reforma que ela está promovendo.

O Planalto quer explorar o desgaste da imagem do vice-presidente Michel Temer. O próprio Lula criticou-o abertamente, em evento realizado em Fortaleza, no sábado. A presidente concluiu, em conversa com ministros mais próximos, que é necessário dar um tom mais prático à defesa contra as chamadas “pedaladas” fiscais e não apenas se resumir a aspectos jurídicos e legais de que não houve crime de responsabilidade. A presidente Dilma resolveu que dedicará o dia de hoje às mudanças nos ministérios. Ontem, ela informou aos líderes do governo na Câmara e no Senado que havia cancelado a reunião de coordenação política desta segunda-feira. O ex-presidente Lula também retomará as negociações, a partir de encontro na tarde de hoje.

No plano das negociações, o Planalto está colocando três das seis pastas do PMDB. Deve manter o ministro Helder Barbalho, filho do senador Jader Barbalho (PMDB-PA), que se reuniu com o próprio Lula na última quarta-feira. O ministros Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) e Marco Castro (Saúde) devem ser mantidos. Até mesmo o PMDB do Senado, aliado de Dilma, acredita que isso garantiria alguns votos na Câmara de peemedebistas ligados ao líder do partido na Casa, deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ).

Amigo de Dilma, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB), já disse à presidente Dilma que pode dispor de seu cargo. Braga poderá voltar ao Senado, reassumindo o mandato de comum acordo, e cuidar de seus planos para concorrer ao governo do Amazonas. O Ministério de Minas e Energia é importante na negociação e na busca de votos. Petistas também querem que a presidente desaloje a amiga Katia Abreu, porque o Ministério da Agricultura é sempre cobiçado, e a ministra não tem votos. O PMDB já não contabiliza Kátia Abreu como ministra do partido, e ela já busca nova filiação.

Será uma semana decisiva para o Palácio do Planalto nas articulações contra a aprovação do impeachment da presidente. Como ministro, Eduardo Braga tem uma reunião com o colega da Fazenda, Nelson Barbosa. O PMDB do Senado, incluindo os ministros, ainda deve manter contato com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), aliado de Dilma.

No campo político, os petistas vão explorar o que chamam de chapa Temer-Cunha. Os petistas vêm criticando a ligação do vice-presidente com o presidente da Câmara, e usarão a foto do encontro do PMDB do dia 29, na qual Cunha aparece ao lado do senador Romero Jucá (PMDB-RR), que comandou a sessão que aprovou o desembarque do governo.

— Aquela reunião do PMDB foi um erro. E os erros de outrem melhoraram a situação do governo — disse um ministro.

— O PMDB não desembarcou como um todo do governo, e o gesto deles n ão teve o efeito manada que esperavam — disse Paulo Teixeira.

— Temer é o capitão do golpe, porque ele assumiu o comando — disse o líder do governo na Câmara, José Guimarães (CE), que esteve com Lula em Fortaleza.

Ontem, em seu Facebook pessoal, a presidente publicou uma mensagem repetindo entrevista na qual afirmou que não renunciará ao cargo. Foi divulgada a seguinte mensagem: “Setores da sociedade favoráveis à saída de Dilma, antes apoiadores do impeachment, agora pedem sua renúncia. Evitam, assim, o constrangimento de respaldar uma ação ‘indevida, ilegal e criminosa’. Fica a resposta da presidenta: ‘Jamais renunciarei’”.

Em contrapartida, o vice-presidente Michel Temer está muito irritado com a ofensiva do Planalto. Temer deixou claro ao presidente do Senado, Renan Calheiros, que não gostou da crítica pública à realização da reunião do PMDB no último dia 29, quando, em três minutos, foi aprovado o desembarque do governo.


12 comentários

  1. ELEITOR
    segunda-feira, 4 de abril de 2016 – 10:51 hs

    Continuam na politica “pão e circo” para o povo e ouro,dolar etc para eles

  2. Doutor Prolegômeno
    segunda-feira, 4 de abril de 2016 – 11:05 hs

    Os palhaços agora, em vez de colarinho alto, usam gravata verde e amarela.

  3. Flávio Luiz
    segunda-feira, 4 de abril de 2016 – 11:24 hs

    Que vergonha, deveriam estar todos presos.

  4. segunda-feira, 4 de abril de 2016 – 11:51 hs

    “CLEPTOCRACIA é um termo que designa um Estado governado por ladrões. Desde Heródoto, na Grécia Antiga, o homem sonha com um governo perfeitamente democrático. Ou seja, um Estado, um território ou uma nação com um governo tão eficiente e honesto que chega a ser uma utopia. É esse sistema que esses esquerdopatas implantaram no País. Vivemos sob a égide de um governo CLEPTOCRATA…” – Profº Celso Bonfim

  5. COMANDO
    segunda-feira, 4 de abril de 2016 – 12:45 hs

    Fora Dilma e os seus…

  6. Sergio Silvestre
    segunda-feira, 4 de abril de 2016 – 13:23 hs

    Palhaçada é ter sempre os mesmos comentando sempre as mesmas barbaridades,vão se reciclar gente.

  7. TADEU ROCHA
    segunda-feira, 4 de abril de 2016 – 13:49 hs

    FLAVIO LUIZ, VOCÊ DISSE TUDO… SE AGORA NÃO MUDAR ESSAS GENTE NAS ELEIÇÕES , NÓS ESTAMOS FERRADO COM ESSES PT., COMO SR, REQUIÃO , FICAR A FAVOR DA DILMA LULA, ESSE SENADOR, E SR. TAMBEM SR, RICARDO BARROS TUDO PT, ESSES CANTORES TODOS FIM DE CARREIRA, FIQUEI MUITO TRISTE FOI ROBERTO CARLOS, ROBERTO NÃO SE MISTURE, VOCE É NOSSO REI, NÃO DEIXE ESCAPAR ESSA MEDALHA QUE VOCE TEM

  8. indignado 1
    segunda-feira, 4 de abril de 2016 – 16:09 hs

    Inclusive você Bunda Tatuada, Defender Bandidos é para Advogados
    e pelo que me consta, não é sua profissão. Recicle seus comentários
    que como disseste são sempre os mesmos. Defender quadrilheiros é
    uma palhaçada.

  9. AMO
    segunda-feira, 4 de abril de 2016 – 16:11 hs

    Sou a favor dos programas sociais, desde que bem fiscalizados, nao é o caso dos programas do pt, agora pegar dinheiro publico e nao pagar é brincadeira viu, ainda falam em golpe.

  10. AMO
    segunda-feira, 4 de abril de 2016 – 16:16 hs

    Ricardo Barros é cobra criada, assume um ministerio suga o restinho que tiver la, e na hora H vota contra o governo, fica bonito na foto, ajuda matar a Dilma e ainda se reelege, ele, a esposa, a filha e ainda leva o irmao junto, a diferença desse ai pro Cunha é so o sotaque.

  11. AMO
    segunda-feira, 4 de abril de 2016 – 16:17 hs

    Ricardo Barros é cobra criada, assume um ministerio suga o restinho que tiver la, e na hora H vota contra o governo, fica bonito na foto, ajuda matar a Dilma e ainda se reelege, ele, a esposa, a filha e ainda leva o irmao junto.

  12. Zé Venancio
    segunda-feira, 4 de abril de 2016 – 19:06 hs

    Aqui na província paulista, nosso síndico usa inauguração de escola construída com verba FEDERAL, para limpar um pouco da lama onde chafurda…
    Vento que venta lá, venta cá.
    A diferença é que o programa é de autoria do governo do PT.
    Que vergonha, governador…

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