Pele de cordeiro | Fábio Campana

Pele de cordeiro

lobo

Luiz Inácio Lula da Silva tem caras, modos e personas variáveis. Traveste-se de acordo com a conveniência. Transita entre a divindade e o desvalido, entre a vítima e o general da tropa. Semeia guerra e ódio e encarna a versão paz e amor quando as circunstâncias o deixam sem saída. Ruge como leão e rasteja como jararaca. Mas, por mais que tente, sempre que se veste de cordeiro o lobo escapa.

Depois de ser flagrado sem fantasia em escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, Lula, por aconselhamento da numerosa banca de advogados que o assessora ou por tino político – ou os dois –, decidiu que é hora de falar de flores.

Uma carta sentimental na quinta-feira e um discurso contra o ódio na manifestação pró-Dilma na sexta-feira, em São Paulo, não deixam dúvidas quanto às intenções do ex.

Já que não era possível negar as gravações em que dispara toda sorte de xingamentos aos presidentes da Câmara e do Senado, ao Procurador-Geral da República e ao recém-empossado ministro da Justiça, e à Suprema Corte, Lula tentou, com a carta, baixar a bola junto aos ministros do STF, que darão a palavra final sobre seu futuro, seja ele ministro de Estado ou não.

Na missiva, peça em que assinatura não está necessariamente vinculada à autoria, Lula se assemelha a uma lady inglesa. No conteúdo e na linguagem, em nada parecidos com o remetente, que abusa do calão censurado para menores, na maioria das vezes sujeitos a transcrições que param na primeira letra da palavra.

No palanque, a história é outra. Lula prega a paz cuspindo ódio.

Em quase meia hora de discurso para uma plateia absolutamente hipnotizada, Lula – ora ex-presidente, ora ministro, ora presidente – esforçou-se para cunhar a imagem de pacificador. Usou e abusou de frases de efeito e da palavra democracia. A ela conferiu variegados significados, menos o real, já que deu maior valor às pessoas que ali estavam do que às protestaram contra ele, Dilma e o PT.

Em alguns momentos, Lula até conseguiu seguir o script que traçara para ele, ao explicar, por exemplo, que iria integrar o governo para ajudar, não para brigar. Mas pouco durava. O “nós x eles” arraigado no discurso do ex prevaleceu mesmo quando ele, nitidamente, não queria.

Até a ideia marota de união das cores, em que o vermelho estaria “no sangue” e o verde-amarelo no “coração” de todos, mostrou o verdadeiro alvo logo em seguida: “eles têm que saber que estas pessoas que estão aqui, de vermelho, são parte das pessoas que produzem o pão de cada dia do povo brasileiro. Elas não estão aqui porque tiveram metrô de graça, não estão aqui porque foram convocadas pelos meios de comunicação a semana toda. Elas estão aqui porque sabem o valor da democracia, porque sabem o valor de fazer o pobre subir uma escala no degrau da economia. Se eles comem três vezes por dia, nós queremos comer três vezes por dia.”

Por vezes, Lula lembrou o sapo barbudo imortalizado por Leonel Brizola, esbravejando, com a voz rouca. O velho e batido “nós x eles” permeou toda a oratória. Até na mensagem pseudo-conciliadora final, quando Lula pediu que a multidão vermelha não aceitasse provocações, como se um eventual conflito só viesse do “eles”, jamais do “nós”.

Entre o discurso e os cumprimentos aos companheiros de palanque, Lula ficou menos de uma hora na Avenida Paulista. Nesse pouco tempo, foi ministro e deixou de ser por duas vezes devido a liminares concedidas e cassadas. Anunciou que estaria no Planalto, trabalhando como ministro na próxima terça-feira, mas saiu de lá sem Ministério, de acordo com a decisão – também liminar – do ministro do Supremo Gilmar Mendes.

Ministro ou não, Lula está enroscado em nada menos do que seis inquéritos no âmbito do Ministério Público Federal e um no Distrito Federal, fora o do MP de São Paulo, despachado para Curitiba pela juíza paulista.

Por mais que tente remodelar, não há pele de cordeiro capaz de encobri-lo.


7 comentários

  1. FCarraro
    domingo, 20 de março de 2016 – 13:53 hs

    Bela e certeira análise.

  2. Jair Pedro
    domingo, 20 de março de 2016 – 14:06 hs

    Quem ouviu, como eu ouvi (por ser caminhoneiro) nas rádios do nordeste, as inverdades e o ódio sendo disseminado, contra o sul do Brasil, por esse ser rastejante, antes das eleições, só pode lhe desejar a cadeia.
    Só não entendo como algumas pessoas do sul do país ainda
    lhe dão ouvidos como é o caso de Requião, Gleisi, Ideli, etc..
    Ignorantes como o bunda tatuada até que é admissível porque vivem numa ignorância paga, ganham e são sustentados para serem ignorantes.

  3. Juca
    domingo, 20 de março de 2016 – 17:01 hs

    LULA BONZINHO…COM NOSSO DINHEIRO. Vejam que absurdo:
    1- 200 milhoes US$ para ONU paraq projetos de desenvolvimento;
    2 – 300 milhões de dólares para programas de alimentação mundial;
    3 – 700 milhões de reais para reconstrução do Haiti;
    4 – 50 milhões de reais para faixa de gaza;
    5 – 3,3 bilhões US$, fornecidos pelo BNDES a empresas brasileiras para investimentos variados no exterior;
    6 – BNDES – 1 bilhão de US$ para rodovias em cuba;
    7 – BNDES – 600 milhões RS para construção de usina em cuba;
    8 – 300 milhões US$ setor hoteleiro em cuba;
    9 – 1 bilhão de reais para metro em caracas, do compadre chaves;
    10 – 332 milhões para contrução da TRANCOCALEIRA na Bolívia.

    FONTE; JORNAL O PROGRESSO DOURADOS MS – EDIÇÃO 19-07-2010
    PÁGINA DOIS – EDITORIAL

  4. gregorio
    domingo, 20 de março de 2016 – 20:03 hs

    Sujo, mal caráter, sem vergonha.

  5. Dionleno Silva
    segunda-feira, 21 de março de 2016 – 12:14 hs

    como todo petista: um canalha comunista.

  6. Rock
    segunda-feira, 21 de março de 2016 – 14:56 hs

    KKKKKKK ainda tem otário com medo do comunismo não repararam que o tempo passou a China e Russia se abriam ao mercado e agora Cuba se acertou com os EUA quanta bobagem desses coxinhas acham que assustam o povo com o papo de que comunista come criancinha.

  7. segunda-feira, 21 de março de 2016 – 19:37 hs

    Ele (lula) deveria saber que não se pode comprar a todos. Sempre haverá Joaquins Barbosas e Sérgios Moros graças a Deus , que criou o positivo e o negativo, o bem e o mal, o dia e a noite, o nós e o eles, etc.

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