Dia da Mulher? A cada 30 horas, uma mulher morre vítima de agressão no PR | Fábio Campana

Dia da Mulher? A cada 30 horas, uma mulher morre vítima de agressão no PR

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Violência ainda é endêmica no Paraná. Delegacia da Mulher registra média de 20 ocorrências por dia

A cada cinco dias, quatro mulheres morrem vítimas de agressão no Paraná. É o que revela levantamento feito por meio do Datasus, ferramenta do Ministério da Saúde. O espantoso índice de fatalidades coincide também com o alto número de registros da Delegacia da Mulher, em Curitiba. Segundo a delegada-chefe Sâmia Coser, uma média entre 20 e 25 boletins de ocorrência são confeccionados todos os dias.

Em 2014, de acordo com o Ministério da Saúde, foram 283 óbitos de mulheres por agressões intencionais, mesmo número registrado em 2013. Na comparação com 1996, primeiro ano da série histórica, nota-se um aumento de 85% no número de vítimas. Já em Curitiba foram 57 casos em 2014, representando uma alta de 67,7% nos últimos 20 anos. Para a realização do levantamento, adotou-se a mesma metodologia do Mapa da Violência, considerando-se as categorias X85 a Y09 da CID-10 (Código Internacional de Doenças), que recebem o título genérico de Agressões Intencionais.

Em Curitiba, o dia com maior número de denúncias de agressões é segunda-feira, quando a Delegacia da Mulher registra entre 25 e 30 boletins. Normalmente são de casos que ocorrem no final de semana.

No final de semana, a média cai para entre 15 e 18 ocorrências. “Temos essa média de 20, 25 BOs registrados por dia. As vezes aumenta, depende também da época do mês. Logo após o pagamento, inclusive, é quando esses índices costumam aumentar”, aponta a delegada Sâmia Coser.

Esse indicativo sobre o aumento de registros na época de pagamento salarial, inclusive, é importante, já que evidencia um dos maiores temores das vítimas de violência doméstica: o risco de ser deixada. “Em 2014 fizemos uma pesquisa com as mulheres que vinham buscar atendimento conosco e percebemos que era grande o número de mulheres que tinham medo do companheiro, do que ele podia fazer. E o principal temor era que ele sumisse com o patrimônio, deixando ela e os filhos sem recursos. Inclusive notamos que elas tinham mais medo desse tipo de medida do que da violência em si”, aponta a policial civil.

Esse cenário de banalização da violência contra a mulher, que resulta nos altos índices de feminicídio, são reflexos também de aspectos enraizados em nossa cultura. Um dos principais estigmas, inclusive, é a historia de que “mulher gosta de apanhar”. Para a delegada Sâmia, esse mito precisa urgentemente ser desnudado.

“As pessoas precisam entender que a mulher enxerga no parceiro as qualidades e quer minizmzar os defeitos. É aquilo: ‘ele é agressivo, mas paga as contas, é bom pai, bom filho’. E isso tudo é parte da educação que a mulher recebe. Ela busca desculpas para a atitude incorreta do filho, marido, companheiro”, aponta a policial.

Mas afinal, qual seria a solução para esse problema? Segundo Sâmia, o caminho inevitável é o da educação. “Por mais que a gente queira e devamos inserir a escola nesse contexto de educação de gênero, isso é algo que só nós, mulheres, poderemos mudar. Muito se fala na colaboração do homem, ensinar o filho. De fato, isso é importante, mas também a mulher tem de ensinar a filha como deve se portar. Ou seja, jamais aceitar qualquer tipo de violência. A mulher não deve ser agredida, não pode ser xingada, ofendida. Tem que ser bem tratada assim como os homens”, finaliza.


2 comentários

  1. Helena
    terça-feira, 8 de março de 2016 – 14:30 hs

    Todas mulheres são guerreiras, Dilma é guerrilheira!

  2. FUNDAMENTOS
    terça-feira, 8 de março de 2016 – 15:02 hs

    Precisamos tentar entender os motivos dessa violência, de onde ela surge, seria só questão da agressão masculina? Do caráter violento dos homens quando bebem demais? Será que não deveríamos também tentar investigar o papel da mulher nessa problemática toda? Será que todos os homens que agridem as mulheres, só o fazem para demonstrar poder no lar? Tudo isso deveria ser investigado, mas não com o caráter vitimista e simplista que se faz do assunto, pois não é possível que já seja do conhecimento da ciência todos os fundamentos das relações humanas e notoriamente das relações conjugais. Parabéns a todas as mulheres pelo seu dia, mas parabéns também a todos os homens, pois também são merecedores de prestígio.

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