A queda continua | Fábio Campana

A queda continua

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Editorial, Folha de S. Paulo

A quantidade de dinheiro que entra no caixa do governo federal caiu em janeiro em ritmo semelhante ao visto no ano passado. Segundo dados preliminares, houve baixa de 5% na arrecadação, já descontada a inflação. Caso a receita continue nessa toada, as opções restantes para administrar a penúria se tornarão dramáticas. Por enquanto, não há motivos para acreditar que a arrecadação venha a se recuperar.

Parece ter sido esse o motivo que levou o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) a adiar para março o anúncio do plano de contenção de gastos, que talvez coincida com a divulgação de um programa de rearranjo das contas públicas no médio prazo. No curto prazo, contudo, a situação é crítica.

A fim de apenas manter o deficit primário no mesmo nível verificado em 2015, seria preciso que o governo cortasse não só na carne, mas também no osso. Considera-se aqui uma medida do deficit que exclui as despesas extraordinárias com o pagamento de pedaladas. Ou seja, de 1% do PIB.

Uma redução de 5% nas despesas equivale, grosso modo, a tudo o que o governo despendeu em investimentos no ano passado. A duas vezes o orçamento do Bolsa Família. Note-se ainda que cerca de 91% dos gastos federais são obrigatórios ou inevitáveis.

Não há alternativa. Para que o deficit não seja ainda maior que o do ano passado, o governo terá de talhar despesas de investimento, educação e saúde. Ou seja, paralisar obras, prejudicando a economia; asfixiar universidades e reduzir subsídios educacionais; degradar ainda mais o atendimento em hospitais públicos.

Embora 2016 mal tenha começado, é difícil encontrar causas que levem a melhorias na arrecadação. No ano passado, a receita federal caiu 6,4% em termos reais, baixa muito maior que a do crescimento do PIB, que deve ter encolhido pelo menos 3,5%.

A arrecadação de impostos depende mais da variação da massa de salários e do consumo do que propriamente do ritmo do PIB.

Prevê-se que a recessão de 2016 seja equivalente à de 2015. Mas a queda de salários, do número de empregos e do nível de consumo se acelerou no final do ano passado.

Os paliativos para a penúria se tornam cada vez mais irrelevantes. Não há soluções para o rombo no curto prazo.

Torna-se imperativo um programa radical de recuperação das contas públicas no médio prazo, sério o bastante para permitir ao menos uma redução dos juros, o que limitaria o crescimento ora explosivo da dívida pública e atenuaria a recessão. Seria uma lenta e penosa recuperação –mas é o que restou.


7 comentários

  1. domingo, 14 de fevereiro de 2016 – 18:20 hs

    Isso é muito, muito bom ! Vai devagar se auto imolar !

  2. COMANDO
    segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016 – 8:00 hs

    FORA FORA FORA…

  3. MUNIQUE
    segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016 – 9:56 hs

    Sou solidária e patriota, ainda consigo ser e ajudaria com dinheiro do pouco que usufruo para ajudar o Brasil a sair do atoleiro. E adiantaria ? Em pouco tempo tudo roubado de novo ? Vergonha !?

  4. QUESTIONADOR
    segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016 – 11:14 hs

    -A tendência é o prolongamento da recessão até 2018!!!
    -Não há como suportar mais aumento da carga tributária. Pequenas e médias empresas estão fechando as portas, As pessoas estão endividadas e mal conseguem honrar seus compromissos para poder se alimentar. As famílias cortam os gastos desnecessários para poder pagar a taxa de água e esgoto, energia elétrica, condomínio, IPTU, IPVA e outros impostos.
    -Enquanto isso este governo larápio/corrupto quer nos fazer acreditar que cortará alguma coisa…duvido…em se tratando de políticos, são(quase) todos parasitas do dinheiro público…são umas sanguessugas do poder!!!

  5. PERGUNTAR NÃO OFENDE
    segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016 – 13:38 hs

    O CHÃO SERÁ O LIMITE???

  6. Edson
    segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016 – 15:26 hs

    E o Imposto de Renda (que na verdade é imposto só de salário)? Parece que a correção que devia ter sido feita no final do ano que passou ainda não foi feita. E ninguém fala nada, nem político e nem ninguém! A cada dia somos mais assaltados e ficamos boquiabertos!

  7. EDILSON RANCIARO
    segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016 – 17:43 hs

    ENQUANTO AS ECONOMIAS MAIS EVOLUÍDAS (JAPÃO, EUA,) dentre outras reduzem as alíquotas de impostos, inclusive com alíquotas negativas, o BRASIL DO PT, mantém os 39 Ministérios, 130 mil cargos em Comissão, e aumento constante de impostos, além de pagar parte dos salários dos empregados em empresas internacionais, para que não fechem as fábricas. E a maior perversão…concedem isenção de impostos sobre os lucros que as mesmas obtiveram aqui no Brasil……

    Nem vamos falar dos 45 milhões do Bolsa Família que não trabalham e possuem rendimentos….dos milhões de presidiários que recebem salário…..sem trabalhar.

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