Falido com Plano Collor, ex-empresário vive nas ruas há 17 anos | Fábio Campana

Falido com Plano Collor, ex-empresário vive
nas ruas há 17 anos

zeze

Banda B

Em meio a discussão sobre o aumento do número de moradores de rua em Curitiba e o debate sobre qual deve ser a ação dos órgãos públicos em relação ao tema, a Banda B foi às ruas conhecer como o dia a dia de uma dessas pessoas sem endereço. Encontramos um idoso de 69 anos, com nome de artista: Zezé de Camargo. Apenas com o primeiro grau completo, Zezé chegou longe na vida e tem muita história pra contar. Ex-empresário, vive nas ruas desde 1999, mas mesmo com uma renda mensal de R$ 2 mil, não deixa as ruas de jeito nenhum.

“Eu gosto da família que fiz nas ruas. Larguei sim minha família original e hoje minha opção é viver com meus amigos, a família que escolhi. Cada dia escolho um lugar pra dormir”, diz Zezé em uma atitude que comprova o que a maioria dos assistentes sociais confirma nas ruas. Boa parte de quem vive dessa forma, não quer voltar para casa ou morar em algum abrigo.

No caso de Zezé, dos 7 aos 14 anos ele conta que viveu nas ruas para não ver a prostituição dentro de casa. Ainda assim, mesmo com poucas possibilidades financeiras, na década de 80 se tornou um grande empresário do ramo de factoring, uma espécie de venda dos créditos adquiridos pela empresa, aumentando o poder de giro de capital. No entanto, com o Plano Collor e um sócio traidor, Zezé perdeu todo o patrimônio de cerca de 1 milhão e meio de dólares. Passou então a sofrer de uma forte depressão.

Aos poucos, a doença o afastou da família e ele passou a buscar um significado maior para sua vida. Zezé conta que o avó era andarilho e teve a vontade de conhecer a dura realidade dos moradores de rua, relatar em livros e ajudá-los. Essa escolha, de viver nas ruas já dura 17 anos, e Zezé diz que não quer outra vida, mesmo tendo uma renda de R$ 2 mil por mês.

“Eu ganho uma aposentadoria de um salário mínimo e também consigo um dinheiro com a reciclável. Tiro uns R$ 2 mil por mês, mas quero é viver com minha família da rua. Mas não pense que não tenho planos não. Do que tinha ficou um terreno de 5 alqueires em São José dos Pinhais e lá vou construir um centro de recuperação para dependentes químicos. Pode esperar”, garantiu.

Apoio

Pessoas como seu Zezé podem contar com o apoio de ONGs como a AMASS, fundada há quatro anos, que presta assistência à crianças de “casas lar”, indígenas e pessoas em situação de rua. A fundadora Deise Santos diz que todas às quartas-feiras, um grupo de voluntário vai até os moradores de rua e oferece não só alimentos e roupas, mas também amor. “Fazemos um cadastro, conversamos, internamos quem precisa de ajuda. Já conseguimos colocar sete pessoas no mercado de trabalho, internar outras duas e levar de volta para casa outros tantos. Isso com muito amor”, afirmou.

Quem quiser contribuir com o trabalho da ONG, pode buscar contato pelo facebook ONG AMASS ou pelo telefone 41-8506- 4814 ou 3040 8307.


5 comentários

  1. Sergio Silvestre
    terça-feira, 26 de janeiro de 2016 – 11:54 hs

    Pois é,voce nasce ligado aos pais que num futuro você os deixa er nem percebe o quanto isso lhes fazem mal,depois os perdem para a morte e um choro ao lado do caixão e no outro dia volta para sua cidade de origem ,para a outra família que formou.
    Num futuro acontece com você,seus filhos te deixam e você olha para sua esposa e curtem a desolação de ficarem sozinhos..
    O andarilho,o mendigo vive feliz,não tem compromissos,nem faturas para pagar,muito menos alguém para pensar e ficar triste.
    Não da para se medir quem é mais feliz,o homem mais rico do Brasil o Lehman ou esse senhor ai.

  2. Roberto
    terça-feira, 26 de janeiro de 2016 – 13:25 hs

    Matéria chapa branca, escondendo o fracasso da FAS, (mal)administrada pela Srª Marcia Eleandra O. Fruet…

    Afinal, para realizar o trabalho desta “ong” é que existe a FAS… e ainda cobra caro pelo “serviço…

  3. Olho vivo
    terça-feira, 26 de janeiro de 2016 – 13:46 hs

    SÓ NA ERA PTRAIA,TRIPLICOU O NUMERO DE MORADORES DE RUA,E ISSO É FATO,É SO ANDAR PELO CENTRO DE CURITIBA PRA VER A PROVA,AGORA IMAGINEM NOS GRANDES CENTROS,RJ,SP,MG,ETC….

  4. Dosel Jr.
    terça-feira, 26 de janeiro de 2016 – 17:43 hs

    Conheço este senhor. É verdade o que ele declarou. Tenho muito respeito pelo modo de vida que ele escolheu, embora acredite que por sua experiência ele deveria mostrar aos seu ” familiares da rua” que tudo pode mudar, se eles quiserem. No que ele gasta 2 mil reais por mês? Será que está colocando na poupança?Vamos aguardar um pouco mais para saber quem será o próximo prefeito e quem sabe as coisas mudem para esta gente.

  5. quarta-feira, 27 de janeiro de 2016 – 9:20 hs

    Vivi quase vinte anos em Curitiba e fui embora há seis anos. Recentemente estive visitando a cidade e me assustei com o que vi, principalmente no decadente centro da cidade.

    Fiquei um tempo observando um grupo de moradores de rua que estavam na Rua XV e ao passar um carro da FAS, ouvi muitos moradores gritarem, “Lá vem a FAS NADA!”. Tive que rir…

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