A misteriosa viagem de Cardozo ao centro da Lava Jato | Fábio Campana

A misteriosa viagem de Cardozo ao centro da Lava Jato

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O ministro da Justiça e a cúpula da PF desembarcaram na madrugada de terça-feira, 8, em Curitiba. O motivo da viagem – que durou pouco mais de 12 horas – ninguém sabe explicar ao certo

Alana Rizzo, Época

À 0h50 da terça-feira, um avião da Força Aérea Brasileira decolou rumo a Curitiba. A bordo estavam o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e os delegados da Polícia Federal Leandro Daielloe Maurício Valeixo, respectivamente diretor-geral e diretor de Combate ao Crime Organizado da corporação, um assessor do ministro e um policial. Naquela madrugada, já na capital paranaense, esse grupo se encontrou com Rosalvo Branco, superintendente da PF em Curitiba e chefe dos delegados da Lava Jato, e com o agente Newton Ishii, que se consagrou ao ser citado na gravação do filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró como o “japonês bonzinho” suspeito de vazar dados da Lava Jato. O encontro na penumbra ficou fora da agenda oficial do ministro.

Após o desembarque em Curitiba, às 2h25 da madrugada, Cardozo, Daiello, Valeixo e os policiais curitibanos seguiram por um trajeto de 22 quilômetros para o hotel Bourbon Convention. Em seguida, o grupo se dispersou. Valeixo seguiu com Daiello para outro destino.

A Superintendência da Polícia Federal do Paraná é o epicentro de interesses que para lá confluem por causa da Lava Jato: investigadores, advogados de presos, espionagens e pressões políticas. Em meio a essa Babel, a direção da PF determinou a abertura de três sindicâncias para apurar casos estranhos: a instalação de um grampo no fumódromo da sede da Superintendência, supostamente para investigar policiais que criticavam o modus operandi da operação; a venda de dossiês com informações que possam comprometer a investigação; e a instalação de um grampo na cela do doleiro Alberto Youssef, principal delator da Lava Jato. As três sindicâncias já foram concluídas. Em um momento tão difícil, em que o resultado das apurações pode comprometer a maior investigação sobre corrupção do país, a coincidência de encontros feitos às escuras envolvendo o ministro da Justiça, a cúpula e integrantes bem informados da Polícia Federal em Curitiba levanta suspeitas – sobretudo porque os partícipes ofereceram explicações parciais sobre a natureza do encontro.

Na quinta-feira, o governo montou uma operação para esconder a ida de Cardozo e da cúpula da PF ao Paraná e o encontro com os policiais paranaenses na madrugada. Assessores divulgaram que o grupo desembarcara em Curitiba na manhã de terça-feira – e não na madrugada, como mostra o registro de voos da Força Aérea. Na versão oficial, o agente fora designado para a escolta do ministro. Também juntou-se ao grupo de Brasília no almoço no restaurante Madero Cabral, no centro de Curitiba. A steak house é um lugar para ser visto e reconhecido. Cardozo ainda posou para um selfie com o “japonês bonzinho”. Com isso, quis mostrar que ele e os federais de Brasília se encontraram sim, na terça-feira, com o chefe dos delegados da Lava Jato e com o agente Ishii, mas somente no almoço de terça-feira. E que tudo foi tão casual que era motivo de chiste e divulgação.

No jargão policial, há operações chamadas de cobertura, que são expostas para manter outra, simultânea e normalmente mais bombástica, nas sombras. Cardozo, no início da Lava Jato, já havia se reunido reservadamente com advogados de réus poderosos da operação. Agora, acompanhado da cúpula da PF, manteve encontros com personagens-chave da Lava Jato no Paraná. Foram duas reuniões paralelas à conclusão das sindicâncias sobre o uso de escutas clandestinas. Na capital paranaense, os delegados Daiello e Valeixo coreografaram uma participação agendada com “urgência” em Curitiba, em dois eventos públicos matinais. O primeiro no quartel do Exército. “A audiência foi marcada de urgência, na própria terça-feira, para discutir a questão de armas e munição no estado. Eles (PF e Cardozo) estariam aqui em Curitiba para resolver outra questão. E aproveitaram para estreitar a relação com a gente. Foi tudo muito rápido, durou das 10 horas às 10h40”, informou o gabinete do general Duizit Brito, comandante do Quartel da 5ª Região.

Cardozo, que desembarcara horas antes, não apareceu ao primeiro encontro. A segunda agenda era na Secretaria de Segurança do Paraná. O ministro chegou atrasado. A conversa na Secretaria de Segurança foi, de acordo com a versão oficial, sobre invasões na empresa Araupel, em Quedas do Iguaçu, ocupada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Faz sentido? Menos de 24 horas antes, Daiello e Valeixo não participaram da reunião sobre o mesmo tema no Ministério da Justiça em Brasília, onde estava o governador do Paraná, Beto Richa, do PSDB. “Foi uma história de cobertura. Não tinha necessidade do encontro,” afirmou um integrante da PF a ÉPOCA.

Procurado, Cardozo disse que não poderia falar sobre o tema das reuniões por se tratar de uma questão de segurança. “O governador e o secretário estiveram aqui e eu solicitei uma análise mais detalhada sobre o assunto. Por isso, pedi apoio da PF”, disse. Ele confirma que foi recebido pelo superintendente Rosalvo e por Ishii no aeroporto de madrugada. Segundo o ministro, duas reuniões foram marcadas para discutir o tema sigiloso. “A primeira era com as Forças Armadas, mas como não estava me sentindo bem acabei não indo. Fui apenas para a segunda com o secretário de Segurança.” Ao final, disse o ministro, a questão que o arrastou até lá não exigiu novas providências. ÉPOCA procurou a direção-geral da PF para esclarecer a viagem. A informação é de que os diretores foram minimizar um potencial conflito no Estado e que a viagem fora solicitada pelo ministro. O superintendente do Paraná, Rosalvo Branco, disse que tinha questões profissionais envolvendo a viagem: “Não vou comentar mais, minha querida”. Por que tanto mistério?


7 comentários

  1. Alexander
    sábado, 12 de dezembro de 2015 – 11:30 hs

    Assim como as baratas o ministro do PT age na escuridão, muito provavelmente por medo das vaias dos cidadãos de bem deste estado, trabalhadores que certamente já estavam repousando a estas horas.
    Veio inspecionar o local onde Lula e Dilma virão passar uma temporada, logo, logo….

  2. RR
    sábado, 12 de dezembro de 2015 – 11:32 hs

    ESSE LIXÃO VEIO SONDAR COMO ESTÃO AS CELAS DA PF,ESTA COM MEDO QUE O CHEFE DA QUADRILHA,VENHA A PASSAR O NATAL E O ANO NOVO EM UMA DELAS.

  3. sábado, 12 de dezembro de 2015 – 11:50 hs

    O Ministro CARDOZO veio para quê ? Podem ter certeza absoluta que veio ao Paraná dar uma dura no DELEGADO FEDERAL REGIONAL, quiçá para amenizar os avanços sobre a LAVA JATO ou quem sabe para forçar que as sindicâncias realizadas tenha um final feliz para eles, isto é, os CORRUPTOS que estão sendo acusados. Resumindo para que possam de alguma forma anular todo o trabalho exaustivo da Polícia Federal e consequentemente isolar a operação LAVA JATO. Creio, piamente, de que o MINISTRO veio para assegurar a SEGURANÇA de salvar seus amiguinhos empreiteiros e o resto da bandidagem envolvida. DIZER QUE É QUESTÃO DE SEGURANÇA só se for para ele e sua gestora Dilma e todo o PT. ESTE É O PAÍS DA INTRATRANASPARÊNCIA, os Países COMUNISTAS assim agem, sempre na surdina e não dão satisfação ao povo. Mas, o que poderemos esperar desse MINISTRO, que se reuniu com Advogados dos réus ? Só pode ser mais uma MARACUTAIA. Afinal um MINISTRO DA JUSTIÇA não falar a que veio aqui, ainda mais que não compareceu a um evento programado ? Por acaso veio manter um contato com o Senador DELCIDIO AMARAL para que não faça DELAÇÃO PREMIADA, pois daí cai Dilma, Lula e todos os trmbiqueiros do PT.

  4. araujo
    sábado, 12 de dezembro de 2015 – 13:58 hs

    É óbvio que o assunto foi a lava jato.O cardoso não engana mais ninguém,a intimação do Lula foi a pauta.

  5. giba 1
    sábado, 12 de dezembro de 2015 – 22:23 hs

    Onde tem Cardoso, cheira mal. Ai tem. Espero que falem a verdade para o povo pois não aceitaremos interferência na nossa P.F. e na Justiça Federal no Paraná, que tem nos enchido de orgulho. Dr. Sergio Moro atenção, pois querem afundar a Lava Jato, não permita confiamos no Senhor.

  6. AMO
    segunda-feira, 14 de dezembro de 2015 – 9:52 hs

    E eu tinha o Cardozo como serio, que mesmo na pressao estava tentando nao ser bandido, me enganei, que pena.

  7. terça-feira, 15 de dezembro de 2015 – 8:32 hs

    com razão vocês que aqui se manifestaram….

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