2015, o ano que segue! | Fábio Campana

2015, o ano que segue!

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Ricardo Noblat

Como pode sobreviver um presidente que arrastou seu país para o buraco? Muito mal, imagino, salvo se não se sentir culpado pelo que fez.

Dilma é uma economista medíocre. Mas até uma economista assim era capaz de perceber que as medidas adotadas no seu primeiro governo estavam dando errado.

E que perseverar com elas provocaria o desastre que se desenhava. Pois perseverou. Para reeleger-se.

É por isso que não deve ser perdoada. Não faltaram alertas para o desastre iminente e quase inevitável. Ela desdenhou deles, por ignorância ou cálculo político. Ou uma mistura das duas coisas.

Se tentasse corrigir a rota da economia, o mais certo seria a derrota eleitoral. Foram meses de mentiras destiladas no rádio e na televisão. Para ao fim e ao cabo reeleger-se por pouco.

Um presidente pode proceder assim? Tanto pode que Dilma procedeu. Não foi o primeiro presidente. Vale tudo pelo poder. Só não vale entregá-lo, menos ainda a adversários.

Fernando Henrique entregou-o a Lula na esperança de sucedê-lo quatro anos depois. Lula flertou com o terceiro mandato consecutivo, mas acabou entregando o poder a Dilma para retomá-lo no ano passado.

Faltou-lhe coragem para tal. A Lava-Jato tornara Lula vulnerável. Foi nos dois governos deles que a roubalheira na Petrobras deixou de servir apenas aos que dela se beneficiavam para ser aproveitada por um partido e seus aliados, empenhados em permanecer no poder por longo, longo tempo.

Dilma sepultou o projeto de poder de Lula e sua turma, essa é que é a verdade. Não o fez por bem, mas por incompetência.

De todo modo, merece o reconhecimento dos que enxergam na alternância no poder uma das muitas vantagens da democracia sobre os outros tipos de regimes políticos.

Pena que o preço pago pela façanha de Dilma seja o saldo cruel de um ano que não terminará daqui a três dias como prescreve o calendário. Não. O “annus horribilis” de 2015 se estenderá pelos próximos.

Cercado por economistas liberais, improvável que Michel Temer não tenha se dado conta de que o governo caminhava para o abismo.

Concedo que é um vice decorativo; e de uma presidente que só escuta ela mesma, e os que com ela concordam. Mas José Alencar, vice de Lula, nunca deixou de manifestar suas discordâncias com a política econômica do governo.

Por que Temer não? E por que só agora discorda?

Tudo indica, graças a um presidente da Câmara dos Deputados velhaco e a uma oposição covarde, que o país seguirá sob o comando de Dilma até o fim do seu mandato; ou à espera que a sorte a remova para dar lugar a…

A Temer, autor de uma carta de amor ridícula como são todas as cartas de amor? Ou a Eduardo Cunha, que no caso de queda de Dilma e Temer convocaria uma nova eleição presidencial e governaria por três meses?

A carta de Temer a Dilma foi o maior erro de um vice que pareceu cansado de esperar. Temer jamais poderia tê-la escrito nos termos que o fez; apequenou-se; e deu ensejo a ser chamado de traidor.

Temer jamais poderia tê-la enviado a Dilma sem a certeza de que o PMDB respaldaria seu gesto. Ele corre o risco de, confrontado pelo senador Renan Calheiros e o PMDB chapa branca, perder a presidência do partido.


2 comentários

  1. JOHAN
    segunda-feira, 28 de dezembro de 2015 – 14:55 hs

    Caro FÁBIO, a sociedade em geral ainda não evoluiu, como evoluiu a economia brasileira da iniciativa privada nos últimos anos, pois os governos estão quebrados, ajoelhados perante a presidente DILMA A PERDULÁRIA, visto que ainda acreditam nos agentes políticos, sendo a grande maioria deles com mais de 4 mandatos parlamentares, sem nenhum interesse em evoluir socialmente, a não ser a ampliação e enriquecimento do patrimônio particular. A sociedade terá oportunidade de ver-se livre dessa escória nas próximas eleições municipais, elegendo políticos novos de idade, novos de mentalidade com os olhos voltados para o futuro da nação. Está fácil, pois 2015 encerrará em 31.12.2016. Boa sorte a todos nós nesse próximo período, boas eleições, e que 2017 nos aguarde. Atenciosamente.

  2. QUESTIONADOR
    terça-feira, 29 de dezembro de 2015 – 12:45 hs

    -Caro Ricardo Noblat, excelente texto!!!
    -Mas complemento que para os atuais politicos brasileiros, a sede pelo poder é insaciável!!! Não tem projeto de progresso, desenvolvimento e sim projeto de poder, unicamente. E em nome deste projeto de poder, tudo é permitido e alcançável. Tudo. Desde a conivência do STF(supostamente aparelhado pelo partido) até o mais simples sindicado de uma pequena cidade do interior brasileiro. O que dirá, então, dos atuais legisladores??? Com raríssimas, repito, raríssimas exceções, pode-se creditar alguma lei que alcance o cidadão.
    -Brasília por si só, já é afastada dos grandes centros(SP,BH e RJ) justamente para não haver mobilização das grandes massas e a consequente pressão por melhorias nas atuais condições. O que esperar de uma grande mobilização nacional em Brasília, aglomerar milhões nas ruas da capital federal, isto é uma utopia. Ela dista dos grandes centros em milhares de quilômetros.É o preço a ser pago para uma obra do JK e pelo projeto do comunista Oscar Niemeir!

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