Eleição é oportunidade de mudança na Argentina | Fábio Campana

Eleição é oportunidade de mudança na Argentina

macri

Editorial O Globo

Os argentinos irão às urnas hoje numa disputa inédita de segundo turno. Seja qual for o resultado, é bem provável que a Argentina inaugure uma nova fase histórica. Mudança mais que bemvinda, considerando-se que 12 anos de kirchnerismodeixaram o país à beira do abismo. Na foto, o candidato de oposição, Macri.

No plano político, a sociedade civil se viu asfixiada por medidas autoritárias, como o cerceamento da liberdade de imprensa e a pressão sobre os demais poderes. Em nome de um populismo de esquerda, o casal Kirchner acabou por isolar o país.

O resultado foi o desastre econômico. A atividade encontra-se estagnada desde 2012, e a inflação gira perto de 30%. O peso se desvalorizou e o déficit fiscal ronda os 8% do PIB, bem acima do teto prudencial de 3%. Tal quadro é o resultado de medidas como o controle de remessas de dólares, de preços e nacionalização de empresas, que tornaram imprevisível o ambiente de negócios, afastando investidores.

Não à toa, pesquisas de opinião apontam a vitória do candidato da oposição, Mauricio Macri, do Mudemos, apesar de ainda haver uma margem de indecisos de 8%. Macri tem no currículo o mérito de ter restaurado as caóticas finanças de Buenos Aires, o que o credencia a recolocar o país no caminho do crescimento, por meio de um desenvolvimento econômico sustentável.
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O próprio candidato situacionista, Daniel Scioli, durante a campanha eleitoral buscou se descolar o máximo possível da presidente Cristina Kirchner, prometendo mudanças. Embora analistas políticos indiquem que o vencedor do pleito terá que negociar algum tipo de aliança com os peronistas para conseguir governar, o distanciamento de Scioli reforça os sinais de que o kirchnerismo sairá derrotado.

Sergio Massa, terceiro colocado no primeiro turno, ex-kirchnerista, afirmou esta semana que a tendência é que a maioria dos 5,2 milhões de eleitores que votaram nele apoie agora o candidato do Mudemos. Preocupado com o avanço de Macri na reta final, Scioli adotou a tática do medo, afirmando que programas sociais serão eliminados pelo rival e o dólar, desvalorizado, ao mesmo tempo em que prometeu implementar mudanças gradualmente. Para analistas, o tiro pode sair pela culatra, ao enfraquecer seu compromisso com amudanças ansiadas pelo eleitor.

A expectativa de reforma anima empresas interessadas em investir ou ampliar seus negócios num país estrategicamente bem localizado e com uma mão de obra qualificada, caso da brasileira BRF. E, de fato, esta pode ser a chance de a Argentina voltar a se integrar à comunidade internacional e abandonar de uma vez por todas um estilo de política que levou o país da prosperidade à pobreza.


6 comentários

  1. RR
    domingo, 22 de novembro de 2015 – 15:24 hs

    LÁ TAMBÉM IMPERA O COMUNO IDIOTISMO CORRU-PT-O.

  2. domingo, 22 de novembro de 2015 – 19:47 hs

    O candidato do governo argentino está falando o que Lula e Dilma fizeram para ganharem as eleições no Brasil, criar um clima de que se o opositor ganhar fará com que os benefícios sociais sejam cortados. Quer amedrontar o eleitorado, aqui deu certo, mas lá não dará.

  3. segunda-feira, 23 de novembro de 2015 – 11:29 hs

    ELE VAI TER QUE MUDAR MUITA COISA POR QUE A COISA TÁ FEIA LÁ… PESO Á 5 X 1..CADA REAL IMAGINE SÓ;;;;;;;;;;;;

  4. Juca
    segunda-feira, 23 de novembro de 2015 – 11:42 hs

    Bem feito, Lula foi lá ensinar como empulhar o povo para ganhar eleição e deu zebra!

  5. Sergio Silvestre
    segunda-feira, 23 de novembro de 2015 – 13:11 hs

    Vamos comparar esse governo neo liberal por tres anos ,ai veremos.

  6. zé povinho
    segunda-feira, 23 de novembro de 2015 – 20:40 hs

    O Macri nem tomou posse e a classificação de risco argentina voltou ao patamar de 2011, ou seja, os donos do dinheiro estão pondo fé no cara. E as negociações com a União Européia, estagnadas por causa da teimosia idiota de Madame K vão se retomar. O Macri já fala até em integração com a Aliança Transpacífica, talvez agora este setor da América Latina entre definitivamente no século XXI.

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