Dilma distribui cargos de segundo escalão a leigos e partidos | Fábio Campana

Dilma distribui cargos de segundo escalão a leigos e partidos

unnamed

Um turismólogo vai comandar a Funasa (Fundação Nacional de Saúde) na Bahia. Um corretor de imóveis irá gerir a CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos) na Paraíba. Um engenheiro sem experiência no setor portuário assumiu a Companhia Docas no Rio Grande do Norte. Sem especialização, apadrinhados de congressistas estão sendo abrigados em cargos estratégicos do governo.

O sentido é o mesmo da recente reforma ministerial, que ampliou o espaço do PMDB na esplanada: pacificar a base da presidente Dilma Rousseff, concluir o ajuste fiscal e afastar o risco de impeachment.

Alguns casos motivaram protestos. Como o do novo superintendente do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) na Bahia, Fernando Ornelas, que por indicação do deputado José Carlos Araújo (PSD-BA), substitui Carlos Amorim, com mais de 30 anos de experiência.

O Instituto dos Arquitetos do Brasil repudiou a nomeação de um gestor “sem qualquer experiência ou qualificação na área de preservação do patrimônio cultural”, indicado “exclusivamente por questões político-partidárias”.

Na Paraíba, o corretor de imóveis Paulo Barreto virou superintendente da CBTU por indicação do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP). Barreto foi gestor da autarquia do governo da Paraíba que fiscaliza jogos de azar e assessor no ministério das Cidades.

A diretoria da Funasa na Bahia será chefiada pelo ex-presidente da Embratur Vicente Neto, turismólogo por formação, sem experiência na saúde. Atende a um pleito do PC do B, numa indicação da deputada Alice Portugal (BA).

A distribuição de cargos também envolveu parentes. No Rio Grande do Norte, o novo diretor financeiro da Companhia Docas é Emiliano Rosado, indicado pelo primo deputado, Beto Rosado (PP-RN). Engenheiro civil, Emiliano trabalhou em empreiteiras, mas não possui experiência no setor portuário.

DESFAXINA

A onda de nomeações também alcança cargos que foram palco da chamada faxina feita por Dilma em seu primeiro mandato, quando demitiu vários por suspeita de corrupção. Nesses casos, foram contemplados PTB, PP, PR, PSD e PRB, siglas que, em outubro, ajudaram a esvaziar a sessão do Congresso de análise de vetos presidenciais, impondo derrota ao governo.

Para a diretoria de administração e finanças do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), por exemplo, a presidente nomeou Fernando Fortes Melro Filho, indicação da bancada do PR de Alagoas na Câmara.

Responsável pela malha viária, o Dnit passou por uma devassa em 2011, que derrubou vários servidores, como o diretor-geral, Luiz Pagot (indicado pelo PR), e teve como desfecho a saída do ministro dos Transportes Alfredo Nascimento, também do PR.

Na diretoria da Companhia Nacional de Abastecimento, o governo acomodou Igo Nascimento, do PSD-TO. Em 2011, Dilma ordenou uma faxina na empresa, vinculada à Agricultura, após denúncia de que Oscar Jucá Neto, então diretor da Conab, teria liberado pagamento irregular de R$ 8 milhões a uma empresa.

Irmão do senador Romero Jucá (PMDB-RR), Oscar saiu dizendo que havia um esquema de corrupção na pasta, o que foi refutado pelo então ministro Wagner Rossi.

Alvo também de denúncia no primeiro mandato, a Casa da Moeda foi entregue à bancada do PTB, que indicou o presidente Mauricio Luz. Em 2012, o então chefe da empresa, Luiz Felipe Denucci, também indicado pelo PTB, foi demitido por suspeita de recebimento de propina.

Dilma entregou ainda a Superintendência da Zona Franca de Manaus ao PP. E a Superintendência do Patrimônio da União em São Paulo para nome indicado pelo PRB. Os dois órgãos foram palco de crises no início do primeiro mandato, sempre por conta de denúncias.

Desde a faxina, esses cargos vinham sendo ocupados por servidores de carreira.


7 comentários

  1. Melchior
    segunda-feira, 2 de novembro de 2015 – 16:14 hs

    E a FUNASA aqui no Paraná ? O nome Aldo não tem a mínima qualificação em saúde a não ser a dele próprio!

  2. Helena
    segunda-feira, 2 de novembro de 2015 – 19:34 hs

    Para fraudar os cofres públicos certamente estão capacitados.

  3. segunda-feira, 2 de novembro de 2015 – 21:11 hs

    kkkkkk,ORGULHO DE SER PARANAENSSE,PAULISTA E GOAINO,AQUI SO ENTRARAM OS FUNCIONÁRIOS DE CARREIRAS E TECNICOS NAS REFERIDAS AREAS,SÓ NOIIIIIIS PRA ACREDITA NISSO.AQUI NEM TEM COMISSSIONADO FANTASMA!!!!!!!!ESPARAMADO PELAS GRANDES CIDADES DOS ESTADOS

  4. FUI !!!
    terça-feira, 3 de novembro de 2015 – 4:52 hs

    Governantes dos países do primeiro mundo devem estar com nojo
    da política brasileira. Jamais em época alguma houve um troca tro-
    ca tão grande de incompetentes em todos os cargos do governo.
    A política do QI (quem indica) já levou o Brasil à bancarota e já
    estamos no limite do tolerancia zero. Quanto tempo que nós brasi- leiros poderemos suportar ainda !!??

  5. NA CORDA BAMBA
    terça-feira, 3 de novembro de 2015 – 6:29 hs

    O governo do PT é igual a peneira (totalmente furada) e a Dilma
    tenta segurar vento e água com ela… Imbecil.

  6. zé povinho
    terça-feira, 3 de novembro de 2015 – 12:54 hs

    Mas qual a razão de tanto espanto, o Betinho Banana não tem feito o mesmo, mancadas como esta dada pela superintendente da secretaria de Educação dizendo uma coisa um dia, e negando no outro, só pode ser coisa de gente despreparada. Enquanto os donos dos tronos do Poder Executivo puderem nomear a vontade a realidade sempre será esta, gente incompetente dando ordens em gente um pouco mais competente.

  7. Andressa
    terça-feira, 3 de novembro de 2015 – 14:52 hs

    Parece que ela está desfazendo tudo o que o FHC fez, e se ela fizer isso nós vamos voltar a ter aquela inflação horrível.

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*