Desastre de Mariana pode ter mais dez moradores desaparecidos | Fábio Campana

Desastre de Mariana pode ter mais dez moradores desaparecidos

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MARIANA (MG) – O prefeito de Mariana (MG), Duarte Júnior (PPS), afirmou neste sábado que o número de mortos causados pelo rompimento de duas barragens de rejeitos de minério na quinta-feira deve subir porque ainda há desaparecidos. Ele estima que, além dos 13 funcionários que trabalhavam no local do acidente, ainda deve haver no máximo dez moradores desaparecidos, entre elas uma criança de 5 anos. Uma lista oficial deve ser divulgada ainda hoje. As equipes de resgate formadas por bombeiros de Belo Horizonte, Itabirito e Ouro Preto, além da Defesa Civil e Exército, continuam em busca de sobreviventes e pessoas que ficaram ilhadas.

Até o momento, foi registrada uma morte em decorrência do acidente. De acordo com o Jornal Hoje, da TV Globo, o secretário de Saúde do município disse que foi encontrado mais um corpo, mas a informação não foi confirmada pela prefeitura. Ainda não se sabe as causas do rompimento das barragens.

— O número de desaparecidos vai subir, porque estamos conversando com os moradores de Bento (Rodrigues) e algumas pessoas ainda não foram encontradas. O que estamos vendo é que talvez ainda há três a seis pessoas, no máximo 10, que estão desaparecidas — disse o prefeito.

Alguns distritos da cidade de Barra Longa também foram duramente atingidos pela enchente de lama. O prefeito de Mariana informou ainda que há informações de várias pessoas desaparecidas na região, mas ainda não se sabe ao certo quantas.

— As buscas continuam. Não vamos parar e estamos fazendo todo o possível. Estamos montando equipes para alcançar áreas que nossos helicópteros não conseguem chegar, como na mata.

Mais de 500 pessoas, incluindo bombeiros, policiais e centenas de voluntários, estão trabalhando contra o tempo para encontrarem os desaparecidos.

— A lama ainda está se movendo, mas o pior já passou — disse.

O coordenador estadual de Defesa Civil de Minas Gerais, coronel Helbert de Lourdes, afirmou neste sábado que dez assistentes sociais trabalham num recenseamento da população de Bento Rodrigues, distrito de Mariana (MG), onde fica as barragens que se romperam.

— Não há segurança em relação aos números. Trabalhávamos com a informação de que 620 pessoas viviam lá, mas, segundo um líder comunitário, na verdade, eram 553. Com isso, o número de desaparecidos pode ser menor do que imaginávamos —disse ao GLOBO.

O coronel Lourdes afirmou que a Defesa Civil aguarda da Samarco, responsável pelas barragens, os nomes dos 13 funcionários da empresa que estão desaparecidos. Procurada, a assessoria de imprensa da mineradora informou que ainda não há previsão para que o nomes sejam divulgados, por conta da necessidade de informar parentes antes da publicação da lista.

O rompimento de duas barragens da mineradora Samarco destruiu 158 das 180 casas do vilarejo de Minas Gerais. O coordenador de Defesa Civil informou que não há moradores em abrigos. Segundo ele, todos já foram reacomodados em hotéis da cidade, que são custeados pela mineradora.

A lama de rejeitos de minério atingiu cinco distritos de Mariana: Águas Claras, Ponte do Grama, Paracatu, Pedras e Bento Rodrigues, onde fica a barragem que rompeu na tarde de quinta-feira. A cidade de Barra Longa, que fica a 70 quilômetros do local do acidente, também sofre as consequências do alagamento. A lama chegou também à Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, no município de Santa Cruz do Escalvado, a cem quilômetros das barragens.

O Ministério Público abriu inquérito civil para apurar as causas do acidente. O promotor de Justiça e coordenador do Núcleo de Combate a Crimes Ambientais do Ministério Público Estadual, Carlos Eduardo Ferreira Pinto, informou que trabalha com a hipótese de descumprimento de normas de segurança exigidas pelo licenciamento ambiental, especialmente em relação as obras de alteamento da barragem. Haverá uma reunião entre o promotor e técnicos do MP na manhã de sábado, em Belo Horizonte, para definir estratégias da investigação.

Embora regras de emergência em barragens preconizem o uso de sirenes para alertar a população sobre acidentes, a Samarco, empresa responsável pelas barragens de Fundão e Santarém que se romperam na quinta-feira, não possuía o instrumento e informou que optou por telefonar para pessoas da comunidade para avisar da tragédia em marcha. Questionados diversas vezes em entrevista coletiva nesta sexta-feira, os porta-vozes da empresa não souberam nominar os seus interlocutores, dizendo apenas que avisou “líderes comunitários, e nem a mensagem passada.

No entanto, o presidente da associação de moradores de Bento Rodrigues, José do Nascimento Jesus, de 70 anos, que passou a madrugada ilhado e quase morreu, disse ao GLOBO, que não recebeu qualquer informe da empresa para deixar a área:

— Eles não ligaram pra mim não, em nenhum momento. Fui avisado mesmo foi pelo barulho da água. Perdemos tudo, só não perdemos a vida porque Deus olhou — afirmou Jesus.


Um comentário

  1. FUI !!!
    domingo, 8 de novembro de 2015 – 7:07 hs

    São fatalidades, porem fica aqui o meu irrestrito respeito a todos
    os bombeiros deste Brasil imenso que trabalham sempre com um
    único objetivo:- salvar vidas !!!

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